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História da Igreja

Luzes e trevas no Ocidente Cristão

Padre Inácio_3 (Juan Ribeiro / Rede Aparecida)

Escrito por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

01 ABR 2021 - 08H00 (Atualizada em 01 ABR 2021 - 09H06)

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

HISTÓRIA MEDIEVAL 07

Em outros artigos já nos referimos aos francos ou ao reino franco, citando o rei Carlos Magno. Esse povo, um dos mais organizados e fortes do conjunto de povos germânicos que invadiram o Império Romano se estabeleceu na região da atual França. A união dos francos com a Igreja levou à formação de um novo centro de poder europeu, mais tarde dividido entre França, Alemanha e Itália, sempre mais distanciado do Império do Oriente. Esse centro de poder passou a ser conhecido como Sacro Império Romano e depois Sacro Império Romano-Germânico. Ao mesmo tempo, o papado adquiria um prestígio político sempre maior. Os francos sentiam-se prestigiados com o apoio papal e vice-versa. Papa e Imperador foram as duas maiores autoridades do mundo por vários séculos, até chegar a hora desta união entrar em declínio.

A união entre as ordens temporal e espiritual

O papa Estêvão II (752-757) ficou devedor de Pepino, pai de Carlos Magno, pelo socorro militar que recebeu quando Roma foi ameaçada. Em troca, concedeu-lhe o título de Patrício Romano. A Igreja recebeu grandes doações de terras, aumentando ainda mais os Estados Pontifícios.

O papado passou a ser visto como uma potência política que muitas vezes suplantava a religiosa. O bispo de Roma é o Príncipe dos Apóstolos, o Guarda das Chaves da Porta do Céu. Como consequência, os candidatos ao pontificado podem correr o risco de ter ambições mais políticas do que espirituais.

O papa, quando outra vez ameaçado pelos lombardos, pediu o socorro aos francos e Carlos Magno desceu a Roma para proteger a cidade, manifestando o desejo de dizer a última palavra na relação entre Roma e Constantinopla. Recompensado, no Natal do ano 800, após receber as chaves do Santo Sepulcro, o papa Leão III o coroou como Imperador dos Romanos. Após as aclamações do povo, o papa se prostrou, beijando os pés do novo Imperador.

Para Carlos Magno, era a coroação de seu trabalho de pacificação do reino franco, da derrota dos saxões e lombardos e da consolidação das fronteiras de seu reino.

A partir de então todos estavam sujeitos à sua autoridade devendo, por força, pertencer à Igreja católica, conforme estabelecia a Capitular de 779: o batismo ou a morte. Rejeitando o batismo, em 782, 4.500 saxões são decapitados em Verdun.

Leia MaisA importância dos mosteiros na Idade MédiaCarlos Magno e a Reforma da Igreja

Do ponto de vista da Igreja, o papa protegia o rei e o rei garantia a segurança do papa e protegia suas expedições missionárias.

A missão de reforma religiosa passou à esfera real e Carlos Magno a enfrentou com o máximo zelo e vigor: Em seu reinado que durou mais de meio século, ele trabalhará com afinco na reforma as dioceses, impondo a regra beneditina aos mosteiros, exigindo que as catedrais mantivessem escolas, buscando intelectuais e teólogos para reformar e estimular as artes, a liturgia. Ele também publicou um novo Missal, Lecionário, Santoral e a Bíblia.

A corte de Aquisgrana, para onde o novo imperador deslocara sua residência, foi transformada num centro irradiador de fé e cultura, sobretudo, com a presença ativa de Alcuíno e de Teodulfo.

Para inspecionar o Reino ele enviava os “Missi Domini” (enviados), escolhidos entre bispos e abades, com a faculdade de nomear, depor, investigar, denunciar as autoridades nas províncias e reinos.

Carlos Magno julgava-se um reformador religioso como o rei Josias. As leis tinham como fundamento os Dez Mandamentos. Seu grande projeto era o de criar a Cidade de Deus na terra, com a paz cristã e onde a justiça e a ordem estariam abertas a Deus.

O grande imperador faleceu em 814, aos 72 anos. Tinha realizado uma grande obra, mas tudo estava centralizado em sua autoridade, prestígio e coerção. Sua paz foi imposta. Por isso mesmo, anunciavam-se grandes crises religiosas, políticas e militares com os seus sucessores que não tinham as mesmas virtudes de governo que ele tinha.

Seu filho Luiz (814-828), chamado de Piedoso, por ter interesses mais religiosos do que políticos, assumiu o império. Seus maiores interesses eram a teologia e a reforma da Igreja.

O Concílio em Aquisgrana (815) foi convocado por ele com a finalidade de elaborar uma reforma completa na Igreja. Este concílio reforçou a obrigatoriedade do uso exclusivo da regra beneditina com clausura rigorosa, obrigou o clero secular a viver vida comum com refeitório e dormitório.

Em 816, dividiu o povo cristão em clérigos, monges e leigos, todos governados pelo Imperador. Assegurou para si a aceitação ou rejeição das eleições nos bispados e abadias. Os bispos deveriam aceitar os serviços burocráticos do império, em prejuízo de sua missão religiosa. Este foi o princípio de uma grande confusão eu estaria armada para o futuro quando haveria uma Igreja governada e manipulada por leigos, muitos deles sem ter a vocação ou a competência suficiente.

Escrito por
Padre Inácio_3 (Juan Ribeiro / Rede Aparecida)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo, atualmente é diretor da Rádio Aparecida

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