Por João Antônio Johas Em Igreja

A luz de Nossa Senhora das Candeias



Uma rápida pesquisa na internet é o suficiente para saber um pouco mais sobre a devoção de Nossa Senhora das Candeias. Inclusive temos um artigo aqui no Portal A12.com da Academia Marial que detalha de forma competente as origens e a expansão dessa devoção (Pode-se acessar dito artigo clicando aqui). Gostaria então de fazer algo diferente nesse texto, que ajudasse a refletir sobre o significado da luz na vida do cristão, visto que candeia significa vela, assim como candelabro é um suporte para várias velas.

A passagem na qual Simeão diz a Maria que o menino que ela leva ao templo é “Luz para iluminar as nações e glória do teu povo de Israel”, deixa bem claro que Jesus é a luz e Maria aquela que porta, que apresenta essa luz. E não é exatamente isso que faz uma vela? Ela, em si mesma, está apagada e não ilumina nada. É preciso que algo exterior venha a seu encontro e a acenda. E uma vez acesa, a chama ilumina por onde passa. Mas se a vela pudesse ter consciência, certamente ela não pensaria que sua chama tivesse origem nela mesma, porque se saberia incapaz de produzir qualquer coisa do estilo. Pelo contrário, reconheceria em um instante que esse calor, embora se encontre verdadeiramente nela, não é dela.

Bonita imagem para falar da vida cristã. Muito antes de apresentar Jesus no templo, quando recém ficou grávida e foi visitar sua prima Isabel, Maria já mostrou essa consciência de que o menino que ela gestava não era obra sua. “O Poderoso fez em mim maravilhas e grande é o Seu Nome”. E se as gerações seguintes a chamariam de bendita, seria mais por aquilo que Deus obrou em sua vida do que por seus próprios méritos ou virtudes (Que também são altíssimos). Maria sabia que era uma candeia e que a Luz é Jesus.

E celebrar isso se faz especialmente importante hoje em dia. Por que? Porque parece que muitos hoje em dia pensam que possuem luz própria. Aliás, parece que a busca por ter luz própria se tornou, de alguma maneira, o objetivo de vida de várias pessoas. Não será isso que está por trás de uma busca de independência, de autossuficiência, de autonomia? O que significa ser autônomo? É possível para um cristão ser verdadeiramente independente?

Por trás desse tipo de pensamento pode se esconder um perigo muito grande. Nessa ânsia por se desvencilhar de tudo, pode-se acabar desvencilhando-se de Deus mesmo. Alguns fazem isso abertamente, pensando que uma vida cristã necessariamente leva a um certo tipo de prisão. Para quem não é cristão, seguir mandamentos e dogmas é quase sempre um motivo forte para evidenciar essa dependência daninha. Mas mesmo entre cristãos, mesmo que veladamente em seu interior, pode existir essa tendência a ser autônomo, ser sua própria luz. Afinal de contas, não foi isso que aconteceu a Adão e Eva no pecado original?

O problema de tudo isso é que se não reconhecemos que a luz não vem de nós mesmos, mas de Deus, ela acaba se voltando contra nossa própria vida. A luz consome a própria vela até que ela se extingue. Você pode pensar: Mas é natural que a vela se consuma se está acesa. Realmente! E justamente essa é a questão! Enquanto não se reconhece que o homem é feito para algo mais que o natural, para o sobrenatural, ele acaba se consumindo, até se extinguir também. O homem sem Deus constrói a Torre de Babel, constrói a bomba atômica, constrói campos de concentração nazistas e comunistas. E quem vai discutir que nisso tudo ele se consumiu, ou seja, se fez menos humano? Enquanto que o homem com Deus é chamado a algo mais. Com Deus, o homem participa na construção de um Reino que não terá fim. Participa de uma luz que não se apaga, de uma sarça ardente que não se consome. De uma candeia que não tem fim.

Por isso, quando celebremos com velas o dia 2 de fevereiro, lembremos que essa luz que levamos alto não vem de nós mesmos. Façamos como Maria que se reconhecendo portadora da luz, foi capaz de iluminar a muitos com a única luz que não se apaga jamais. E é nesse reconhecimento que nos fazemos verdadeiramente independentes de tudo aquilo que diminui o ser humano, de tudo aquilo que o afasta de Deus, de si mesmo, de seus irmãos e de toda a criação.

Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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