Por Vinícius Paula Figueira Em Igreja Atualizada em 01 JUL 2019 - 16H02

A Venezuela, o silêncio e a missão dos Jesuítas

Shutterstock
Shutterstock


É perceptível o silêncio sobre o drama da Venezuela. Um silêncio que grita dentro dos incomodados e busca respostas para perguntas como: “como anda aquele País?”, “O Maduro caiu?”, “E o povo, continua a sofrer?”. As interrogações geradas nos impelem a avançar sobre o tema para saber informações com quem está acompanhando de perto o cenário.

.:: Em Aparecida, bispos falam sobre migração de venezuelanos ao Brasil 

Shutterstock
Shutterstock

Nos últimos dias provoquei uma “entrevista” exclusiva com um padre jesuíta que coordena essa dura missão em Boa Vista (RO), região de fronteira entre o Brasil e a Venezuela, e ele disse que por lá o cenário segue no mesmo fluxo. São milhares de refugiados que batem às portas do escritório da Companhia de Jesus atrás de comida, roupa, abrigo... e um pouco de vida. Roraima também não tem desenvolvimento para receber tantos refugiados, logo, partilham o pouco que têm com aqueles que chegam sem nada, mesmo o estado vivenciando um conflito social.

O município de Iconha, localizado no interior do nosso Estado, tem se tornado uma espécie de braços abertos para tantos venezuelanos que buscam mais vida em nosso país, que por hora, também vive uma crise política, econômica geradora de uma gigante população de desempregados. Todavia, o povo não mede esforços para dividir o prato de comida e oferecer a este povo que teve os seus direitos arrancados pelo poder opressor de um “desgoverno”, um pouco de amor, de oportunidades, ou de esperança para recomeçar a vida.

Leia MaisCáritas Brasileira proporciona acolhimento e integração a imigrantes Cáritas Brasileira lança apelo de emergência para venezuelanosCáritas realiza curso para formar 422 agentes de desenvolvimentoCáritas Internacional incentiva olhar as crianças refugiadasOs rostos venezuelanos que passam a ganhar espaço também portam uma mensagem única: desejamos simplesmente viver. As marcas do sofrimento não se escondem nas expressões deste povo que deixa terra, família, bens, sonhos, desejos, profissões para tentar uma vida nova noutras terras. Deixam tudo e só carregam consigo o que não lhes foi tirado: o desejo de ser gente, o desejo de viver como gente.

A nobre missão dos jesuítas, na região de fronteira, de acolher, de dar comida e um destino aos refugiados, nos ensina que a vida depende de agentes da esperança, de pessoas anônimas, que chegam, oferecem cuidado e atenção para um povo desprezado e obrigado a fugir de sua pátria; de agentes que acalentam e emprestam os ombros, de pessoas que sussurram nos ouvidos desta gente a máxima Inaciana, que se encontra impressa e fixada na bandeira azul e rosa do nosso Estado: “trabalhe e confie”, a vida segue e nós estamos com vocês!

Escrito por
Vinicius Figueira - Colunista (Arquivo Pessoal)
Vinícius Paula Figueira

Crítico, apaixonado por escrever, a ponto de escolher e se graduar em comunicação social pela Rede Kroton. Moro em Iconha, Espírito Santo, onde atuo como Coordenador Paroquial da Comunicação (PASCOM), e trabalho com Publicidade e Propaganda.

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Anterior
Próximo
Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Redação A12, em Igreja

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.