O primeiro contato com a Igreja pode acontecer em momentos de limite: uma crise conjugal, a perda de alguém, a fragilidade emocional de um filho, a solidão que se instala dentro de casa.
E a comunidade paroquial abre suas portas não apenas fisicamente, mas humanamente, como forma de auxílio para iniciar mudanças, que futuramente podem envolver toda a vida familiar.
Por isso, recordamos a fala do Pe. Luiz Camilo Júnior, C.Ss.R., durante o programa Benção da Manhã, em abril de 2025, quando pediu que tivéssemos muito carinho com a nossa Igreja, que acolhe tantas pessoas, cada uma vivendo realidades e dores que muitas vezes nem somos capazes de imaginar.
“Que as nossas comunidades sejam realmente locais de acolhida, onde todos possam se sentir parte, onde não haja discriminação, nem preconceito, nem linguagens que excluam. O acolhimento não resolve tudo, mas devolve dignidade.”
Uma Igreja que vai ao encontro
Durante muito tempo, a lógica era inversa: esperava-se que as pessoas fossem até a igreja. Hoje, o caminho é diferente, inspirada pelo Concílio Vaticano II e fortalecida pelo chamado que o Papa Francisco fez durante toda a sua vida para criarmos uma Igreja em saída, a comunidade é chamada a dar passos em direção às pessoas.
“Antes, tínhamos a ideia de que as pessoas vinham até a Igreja. Hoje, trabalhamos na perspectiva da Igreja ir ao encontro das pessoas, especialmente daquelas que estão mais à margem”, afirmou o Pe. Camilo C.Ss.R..
Essa mudança de postura começa a ter impacto direto na vida familiar. O Padre recorda que essa mudança tem raízes profundas na história recente da Igreja:
“O Concílio Vaticano II devolveu à Igreja essa consciência de povo de Deus, onde todos os batizados são protagonistas no processo de evangelização.”
A escuta que recomeça histórias
Uma das maiores carências é simples de nomear e difícil de encontrar: alguém que escute de verdade.
Dentro das próprias casas, muitas vezes, o diálogo se perde entre cobranças, silêncios acumulados ou discussões constantes.
“Hoje, dentro das casas, nem sempre a família é um ouvido que escuta a angústia, o medo e a frustração do outro”, fundamenta o Padre.
Por isso, em algumas igrejas está surgindo o movimento de criação da Pastoral da Escuta, para preencher a lacuna de pessoas que precisam falar sobre seus problemas e serem verdadeiramente ouvidas.
Quando a Igreja assume a escuta como missão, ela se torna lugar de começo. Não se trata de aconselhar o tempo todo. Às vezes, basta ouvir. Escutar com o coração, como fazia Jesus.
“Você não precisa nem dizer muita coisa. Basta escutar de verdade, com o coração e com a alma. Muitas pessoas tiram fardos pesados de suas costas e voltam a caminhar mais leves, com esperança”, completa o Padre.
A família acolhida aprende a acolher
Famílias inteiras podem ser transformadas quando um de seus membros encontra esse espaço seguro. Quando um leigo passa a viver o fundamento da Igreja, trazendo a fé não apenas na teoria, ela se traduz em cuidado concreto.
Talvez a maior transformação aconteça aqui: uma família que é acolhida aprende a acolher. O que recebeu gratuitamente passa a oferecer. O diálogo se amplia. O olhar se torna menos duro. E assim, surge espaço para escuta, respeito, misericórdia e compromisso.
“Não posso dizer que sou cristão se eu não consigo acolher o outro. Jesus não caminhou com os que se diziam justos, mas com os que estavam à margem”, conclui o Padre.
A Igreja, quando cumpre sua missão de acolher, cria discípulos. Porque quando a Igreja acolhe, ela não apenas recebe pessoas: ela reconstrói famílias inteiras.
Confira o vídeo do Padre Luiz Camilo Júnior, C.Ss.R., que traz novos olhares sobre a igreja como um espaço de acolhimento.
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