Igreja

Como a Igreja acolhe quem enfrenta sofrimento emocional

Veja a entrevista com o Pe. Marcelo de Souza do Santuário de Santa Teresinha, em Taubaté (SP), e da psicóloga Raquel Macedo.

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Escrito por Giovana Marques

29 OUT 2026 - 11H31 (Atualizada em 29 OUT 2026 - 13H28)

AnnaStills/Adobe Stock

No dia 10 de outubro foi celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental. Além disso, durante o mês, fiéis de todo o mundo foram chamados a se unirem pela intenção da Rede Mundial de Oração do Papa para que a pastoral da saúde mental seja integrada em toda a Igreja.

De acordo com o vigário paroquial do Santuário Santa Teresinha, em Taubaté (SP), Pe. Marcelo Henrique de Souza, a pastoral da Saúde Mental abarca diferentes serviços oferecidos pela Igreja, que auxiliam pessoas que sofrem com transtornos mentais ou com circunstâncias de sofrimento emocional.

“Podemos citar como exemplos: grupos de apoio mútuo (como o Mães que Oram pelos Filhos), grupos de recuperação (como a Pastoral da Sobriedade), associações de médicos católicos (como Associação Internacional de Ministros Católicos de Saúde Mental), comunidades de acolhida (como a Fazenda da Esperança) e os ministérios de escuta (como a Pastoral da Escuta)”.

Um dos serviços, como citado, é a pastoral da escuta, que, segundo o sacerdote, é mais uma das formas de realizar a pastoral da saúde mental por meio da acolhida incondicional, da escuta ativa, do apoio humano e espiritual.

Para entendermos de que forma essa frente auxilia neste santuário e em outras comunidades, o A12 conversou também com a psicóloga Raquel Macedo, que é leiga atuante na paróquia.

Fatores que influenciam na saúde mental atualmente

Raquel explicou que existem inúmeros fatores no cotidiano das pessoas que contribuem para intensificar ou contribuir para o sofrimento psíquico na atualidade. A profissional destacou a incerteza sobre o futuro, o medo de não cumprir compromissos, a sobrecarga de trabalho, os conflitos nos relacionamentos e o tempo excessivo diante das telas e a comparação social.

Além disso, a psicóloga ressaltou que a realidade em que vivemos constantemente nos estimula e cobra, muitas vezes com pouco espaço para o descanso e reflexão sobre o que sentimos e para estar verdadeiramente presente nas relações. Somado a outros fatores pessoais, biológicos e sociais, essas situações podem agravar o sofrimento psicológico e contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais.

“É importante olhar para a saúde mental de maneira integral, considerando não apenas o que a pessoa sente, mas também como vive, se relaciona e enfrenta as exigências do cotidiano”.

A Pastoral da Escuta e o atendimento profissional

Segundo Raquel, a pastoral da escuta é um serviço de consolação e apoio em que as pessoas podem encontrar alguém disponível para ouvir dentro do espaço da Igreja, com respeito e sem julgamentos. Entre os benefícios da pastoral da escuta, conforme a psicóloga, estão a possibilidade de expressar sentimentos, organizar os próprios pensamentos, experimentar alívio e estabelecer conexão humana autêntica.

Contudo, Raquel lembra que a escuta realizada pelos agentes de pastoral não substitui o atendimento psicológico ou médico. O profissional ajuda a compreender emoções, comportamentos, relacionamentos e conflitos, favorecendo mudanças e novas formas de lidar com as dificuldades. A psicoterapia também permite reconhecer sentimentos e identificar padrões recorrentes.

“Os agentes da Pastoral da Escuta recebem formação para acolher as pessoas com responsabilidade, respeitar os limites desse serviço e identificar situações em que pode ser necessário encaminhá-las para atendimento psicológico, médico ou outros serviços especializados”.

“Como psicóloga e coordenadora atuante na pastoral, acredito que esse trabalho tem um valor muito importante de tornar a Igreja um espaço em que as pessoas possam ser acolhidas em suas dores e encontrar caminhos para buscar o cuidado de que necessitam”.

Muitas pessoas que se encontram com dificuldades psicológicas ainda resistem a buscar auxílio. Sobre isso, Raquel ressalta que “ser escutado é uma necessidade humana”. O mais saudável, segundo ela, é procurar alguém para conversar sobre as dificuldades, o que não é sinal de fraqueza.

Shutterstock/ Ground Picture Shutterstock/ Ground Picture

Além disso, a psicóloga recorda que o livro do Eclesiástico, no capítulo 38, convida a reconhecer a importância dos profissionais e da ciência, indicando que a fé e a busca por tratamentos não precisam contrapor-se. Nesse sentido, dirigiu a mensagem às pessoas que precisam de ajuda:

“Você não precisa enfrentar tudo sozinho, nem esperar que o sofrimento chegue ao limite para buscar ajuda. Permita-se ser acolhido. Cuidar da saúde mental também é uma forma de cuidar da vida que Deus confiou a você”.

O padre Marcelo também deixou uma mensagem para os agentes de pastoral e para os fiéis que precisam de auxílio para recuperar a saúde mental:

“Para os agentes ligados a pastorais de saúde mental: nunca deixem de se qualificar, pois os dramas humanos e a caridade cristã merecem o respeito profissionalizado de nossa parte, ainda que não sejamos profissionais da saúde”.

“Para os fiéis que buscam sua saúde mental: não só busquem os serviços oferecidos pelas comunidades cristãs, mas, na medida de suas possibilidades, estimulem o surgimento de grupos de apoio e pastorais da escuta em suas paróquias”.

Neste mês de outubro, o A12 convida você a se unir em oração pela intenção do Santo Padre, acolher os direcionamentos e a ajuda da Igreja e fortalecer esta mensagem para que mais pessoas conheçam o trabalho pastoral e contribuam com ele.

Leia também: Papa reza pelo acolhimento a quem sofre com a saúde mental

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Por Giovana Marques, em Igreja

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