O Sínodo sobre a Sinodalidade apresentou questionamentos e reflexões sobre como a Igreja caminha em conjunto, toma decisões, acolhe a todos e está aberta à participação. Esse caminho em que somos convidados a percorrer não é um caminho de reuniões e teorias, mas sim um convite à comunhão, participação e missão.
A Rede Aparecida de Comunicação tem realizado um trabalho de conhecer diversas comunidades que já realizam ações sinodais. Desta vez, quem conversou sobre sinodalidade com o Portal A12 foi Dom Carlos Alberto Breis Pereira, bispo de Maceió (AL).
“Caminhar juntos. Eu uso sempre a metáfora; até nas procissões, às vezes tem aquela turma que quer ir na frente da Cruz, outros vão lá fora na calçada. Caminhar juntos não é fácil; como dizia o Papa Francisco: ‘escutar é com o coração, ouvir é mais fácil’. Mas é um processo em que clérigos, leigos, vida religiosa consagrada, a partir de sua identidade e sua missão, vão caminhar juntos e colaborar, trabalhar juntos. É um processo. E às vezes há resistência de uma parte para a outra, há resistência a escutar, a aprender com o outro, há vícios como o clericalismo, como o Papa Francisco tantas vezes denunciou, que às vezes impede, inclusive, reconhecer o papel dos leigos, não só fora, mas também dentro da igreja”.
XXI Assembleia Arquidiocesana de Pastoral de 2025
O bispo também contou sobre a realização da Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, realizada em 2025.
“A pergunta era sempre o que dificulta, o que atrapalha a caminhada, o que ajuda a caminhar, e sugestões. E, a partir disso, então, nós recolhemos, apresentamos. A assembleia apresentou outras sugestões e hoje temos um plano arquidiocesano de pastoral, justamente para nos ajudar”.
Flávia Mendes, presidente do Conselho de Leigos Arquidiocesano - CNLB, participou da organização da Assembleia e contou como foi a experiência de participar deste momento importante para a comunidade.
“Participar da comissão organizadora da Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, realizada em novembro de 2025, foi uma experiência muito significativa e enriquecedora na minha caminhada de Igreja. Foi uma oportunidade de vivenciar, de maneira concreta, a sinodalidade, por meio da escuta, do diálogo, da partilha e da construção coletiva.
Estar envolvida nesse processo, desde a preparação até a realização da Assembleia, permitiu-me perceber a importância de construir caminhos pastorais a partir das diferentes realidades, experiências e contribuições que enriquecem nossa Arquidiocese”.
Ela também teve a oportunidade de integrar o grupo de trabalho responsável pela construção do Plano Arquidiocesano de Pastoral, fruto das reflexões e contribuições da Assembleia.
“Foi uma experiência igualmente importante, pois assumimos a responsabilidade de transformar aquilo que foi refletido e discernido coletivamente em propostas concretas para orientar nossa ação evangelizadora nos próximos anos. Para mim, o mais significativo foi perceber que não estávamos apenas organizando um evento ou elaborando um documento, mas participando de um processo de construção coletiva, no qual a comunhão, a participação e a missão se tornam compromissos concretos”.
Dom Beto Breis explicou que as assembleias fazem parte de uma ação necessária dentro da Igreja, para fortalecer e direcionar a caminhada.
“Eu chamo de mediações. Brinco até que faço trocadilho com o grego, porque, sínodos, “odos” é caminho, caminhar junto. Então, o método vem de “meta-hodos”, que é o caminho. E, para caminhar bem, tem que ter êxodo, “exodos”, sair de si. Então, a questão de métodos, mediações, conselhos de pastoral, conselhos de assuntos econômicos, assembleias, sinos, diocesanos são mediações necessárias para comunhão e participação. E que as vozes todas que expressam a idade da igreja possam ser sentidas”.
Flávia destaca a participação positiva dos leigos na arquidiocese de Maceió.
“Como presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil - CNLB Maceió, avalio de forma muito positiva a participação dos cristãos leigos e leigas em nossa Arquidiocese. Temos uma presença significativa do laicato nas comunidades, pastorais, movimentos, serviços e organismos eclesiais, mas também nos diversos conselhos e comissões arquidiocesanas, onde os leigos têm direito à voz e ao voto, participando efetivamente dos processos de reflexão, discernimento e decisão”.
Ampliando os espaços de escuta e participação, a Igreja reafirma a vocação de caminhar em comunhão, valorizando a contribuição de cada fiel na construção de sua missão.
“Essa realidade representa um importante exercício de comunhão e corresponsabilidade, pois reconhece que todos os batizados são chamados a contribuir ativamente com a vida e a missão da Igreja. Acredito que essa participação fortalece o caminho sinodal, porque uma Igreja que caminha junta precisa também escutar, dialogar, discernir e construir coletivamente suas decisões, valorizando os diferentes dons, carismas e vocações. Naturalmente, a sinodalidade é um caminho permanente de aprendizado e amadurecimento”.
add_circle Saiba mais sobre o caminho sinodal, acessando A12.com/sinodalidade.
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