Por Eduardo Gois Em Igreja Atualizada em 21 SET 2018 - 16H15

Evangelizar na cultura digital vai muito além de criar uma página


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A Era digital tem mostrado muitas mudanças e quebra de paradigmas. Para a Igreja acompanhar esse caminho em constante efervescência, ao mesmo tempo em que é um desafio grande, também pode trazer inúmeros frutos. O A12 trará, nas próximas semanas, uma série de conteúdos falando a respeito do assunto.

Leia MaisAs pastorais nas redes sociaisDamos início a essas reportagens com a participação do professor, Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação, Moisés Sbardelotto. Ele aborda que é preciso repensar a própria ideia de ser Igreja em tempos de redes sociais digitais.

Evangelizar na cultura digital vai muito além de apenas criar e administrar uma página ou um perfil em uma rede social digital. “Vai muito além de implementar estratégias comunicacionais, de adquirir maquinários tecnológicos, de correr atrás de métricas de engajamento elevadas. Como afirma o Papa, independentemente das tecnologias, o desafio é saber se inserir no diálogo com os homens e as mulheres de hoje, tendo em vista a dignidade da pessoa humana, o bem comum e a construção do Reino”.

Ele cita o próprio Papa Francisco quando afirma, em um tuíte enviado no dia 30 de agosto passado: “nós, cristãos, não temos um produto para vender, mas uma vida para comunicar”.

Sbardelotto diz que o principal desafio, então, é ser uma “Igreja em rede”, e não apenas uma Igreja que “está na rede”. Nesse sentido, o papado de Francisco estimula a refletir e agir 'na', 'com a' e 'a partir da' cultura digital, pensando e experimentando o mundo e a fé em um contexto de conectividade. Por exemplo, com a sua forte ênfase na ideia de sinodalidade, ou seja, de que todos – clero, religiosos e religiosas e leigos – caminham juntos e são Igreja juntos.

Significados

A12
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As redes sociais digitais hoje são muito mais do que uma “ferramenta”, entendida como um instrumento ao nosso dispor. Moisés Sbardelotto destaca pontos sobre o assunto.

Primeiro, na realidade elas formam um ambiente, ou melhor, uma “ambiência” que perpassa vários âmbitos da vida cotidiana: relações interpessoais, de trabalho, de estudo, busca de informações, compras, práticas religiosas, disputa política etc.

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As pessoas estão em rede: há humanidade do outro lado das nossas telas, há relações humanas constituídas a partir das conexões digitais. Portanto, a Igreja é chamada a buscar, encontrar e anunciar a Deus também nesse ambiente. Para isso, é preciso promover uma verdadeira “inculturação digital”, reconhecendo naquilo que se costuma chamar de “cultura digital” elementos positivos que possam enriquecer a própria evangelização da Igreja. Ou seja, ter a humildade de “descalçar as sandálias” diante dessa “terra santa” para, em primeiro lugar, conhecer e compreender as novas modalidades de relação e de comunicação que vão surgindo nesse ambiente, para que a Igreja possa dialogar com a sociedade contemporânea a partir dessas novas linguagens e práticas.

Elas também são uma “pastoral digital”: Portanto, não diz respeito apenas à missão que a Igreja pode desenvolver “na” rede, mas também a outra forma de pensar a pastoral em geral articulando-a também “com” a rede. Isso envolve pensar formas inovadoras de desenvolver a ação pastoral no ambiente digital, mas também repensar práticas tradicionais da pastoral local, a partir daquilo que a cultura digital oferece de positivo para a evangelização, para além do mero uso de tecnologias avançadas.


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