Por Vinícius Paula Figueira Em Igreja Atualizada em 22 DEZ 2018 - 10H09

Natal: Deus Pão, Deus Luz, Deus Conosco

Celebramos hoje, 25 de dezembro, as comemorações de Natal. É sabido que originalmente o evento objetiva celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis). A festividade foi ressignificada pela Igreja Católica no século III para estimular a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano e então passou a comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré. As liturgias desta festividade nos convocam a se atentar para três aspectos muito simples: Jesus que Nasce em Belém; Ele vem ser a luz; Ele recebe o nome de Emanuel.

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“Para encontrá-Lo (Emanuel), deve-se estar atento às vozes dos pequenos e pobres, dos que sofrem e são perseguidos, pois neles Deus continua a fazer a sua estrada nessa terra”.


A palavra Belém na sua essência significa, “A Casa do Pão”. Assim, o nascimento de Jesus neste local delineia para cada ser um dos seus principais objetivos: ser alimento. O mesmo Jesus que nasce na gruta de Belém é o mesmo que lava os pés dos discípulos, prepara a Ceia, partilha com os discípulos e se dá em Corpo e Sangue na Eucaristia.

Por outra vertente, considerando o nascimento de Jesus no meio da periferia de Belém, no meio dos pobres daquele tempo, ele reforça o compromisso de também nós, homens e mulheres de boa vontade, em ser pão, sustento, na vida dos fragilizados, debilitados e sofredores contemporâneos. Como realça Frei Betto: “Façamos da ceia cesta a quem padece fome e do abraço, laço de solidariedade a quem clama por justiça. Instalemos o presépio no próprio coração e deixemos germinar Aquele que se fez pão e vinho para que todos tenham vida com fartura e alegria”.

Por conseguinte nos aparece a analogia de Jesus como Luz. Na primeira leitura da missa da Vigília de Natal, Isaias profetiza: “Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não descansarei, enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a justiça e não se acender nela, como uma tocha, a salvação”. (cf. Is 62,1) Nas palavras do profeta encontramos o retrato da escuridão que envolvia o caminhar do povo eleito.

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Nas culturas antigas a escuridão representava o caos originário, onde estavam as forças hostis ao homem. O profeta, ao utilizar essa imagem, procura indicar as dificuldades sofridas pelo povo de Judá diante das investidas militares dos assírios - um povo pequeno e humilhado, fraco e sem capacidade de reagir diante da força e da tirania dos inimigos. Em meio a tal desolação e escuridão, eis que o profeta vê uma luz que surge vigorosa, resplandecente em fulgor e luminosidade. A mesma luz que o profeta reconhece se faz presente junto aos pastores, quando recebem o anúncio do anjo a respeito do nascimento do Salvador. Uma luz que invade e ilumina a situação de exclusão daqueles que nem mesmo poderiam estar dentro da cidade, pois eram considerados impuros. Ir ao encontro daquele que nasceu no natal é ser iluminado por Ele.

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Por fim nos deparamos com o nome escolhido para o Filho do Homem, Emanuel, que etimologicamente significa “Deus-Conosco”. Se o Antigo Testamento nos apresenta um Deus justiceiro e distante das nações, no Natal, essa imagem é desfeita, pois Deus sai das alturas, se encarna no seio de Maria e nasce no meio do seu povo, por meio de Jesus de Nazaré. No Prólogo de João, que segundo os estudiosos é fundamental para a fé cristã e a melhor tradução do grego para uma afirmação de tamanha importância seria: A Palavra se fez carne e armou a sua tenda entre nós, isto é, Deus desejou morar entre os homens.  Sendo assim, Cristo ao entrar na história humana não nasce nos palácios ou entre os ricos desta terra, mas é acolhido nos braços de sua mãe junto aos pobres, ao lado daqueles que fogem das ameaças dos tiranos, dos que são excluídos.

Que ao contemplarmos na manjedoura o Menino que é Pão, Luz e Deus Conosco, nós possamos deixar se tocar pela sua serenidade, fragilidade, olhar e simplicidade, afinal, todos os serem tocados por Jesus, experimentam a bondade e a misericórdia, a compaixão de Deus que desejou habitar entre os seus. Por isso, como salienta o Doutor em Bíblia, Pe. Andherson Franklin, em sua reflexão, “para encontrá-Lo (Emanuel), deve-se estar atento às vozes dos pequenos e pobres, dos que sofrem e são perseguidos, pois neles Deus continua a fazer a sua estrada nessa terra”.

Feliz e Santo Natal de Jesus!

 

Escrito por
Vinicius Figueira - Colunista (Arquivo Pessoal)
Vinícius Paula Figueira

Jovem de 23 anos, crítico, apaixonado por escrever, a ponto de escolher e se graduar em comunicação social pela Rede Kroton. Moro em Iconha, Espírito Santo, onde atuo como Coordenador Paroquial da Comunicação (PASCOM), e trabalho com Publicidade e Propaganda.

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