A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentou os resultados da Pesquisa Nacional “Evangelização da Juventude no Brasil 2025”, um levantamento que ouviu 11.498 jovens de todas as regiões do país e oferece um panorama sobre fé, participação eclesial, saúde emocional e presença digital das novas gerações.
Os dados foram apresentados durante a reunião do Conselho Permanente da CNBB pela Comissão Episcopal para a Juventude. O estudo foi conduzido pelo Observatório Juventudes da PUC-RS e consolidado em um relatório de 140 páginas.
Segundo o presidente da Comissão Episcopal para a Juventude, Dom Vilsom Basso, até setembro serão impressos 20 mil exemplares do material para distribuição em dioceses, paróquias e organismos da Igreja em todo o Brasil.
Entre os participantes da pesquisa, 98% afirmaram ser católicos. Além disso, 61% disseram que a aproximação com a Igreja ocorreu por influência dos pais e avós. Outros 93% informaram já ter recebido os sacramentos da iniciação à vida cristã.
O levantamento também identificou uma forte presença da fé no ambiente digital. Entre os entrevistados, religião e espiritualidade aparecem como os temas mais procurados na internet, superando assuntos ligados ao entretenimento, educação e política.
A pesquisa mostra ainda que 43,3% dos jovens utilizam redes sociais, aplicativos de mensagens, fóruns e sites de relacionamento como espaços de interação. As redes sociais, como Instagram, TikTok, X e Facebook, concentram 26,4% das preferências, enquanto aplicativos de mensagens, como WhatsApp, representam 16,2%.
Outro dado destacado no estudo é a confiança dos jovens em diferentes canais de informação. A Igreja aparece como a terceira principal fonte para 13,5% dos entrevistados, à frente dos influenciadores digitais e youtubers, que somam 12,4%.
O resultado reforça a importância da presença evangelizadora nos ambientes digitais, tema que tem sido incentivado pela CNBB nos últimos anos. Em diversas iniciativas, como a Semana Nacional da Comunicação e as reflexões para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a Conferência tem destacado a necessidade de uma evangelização capaz de dialogar com a cultura digital e os novos hábitos de consumo de conteúdo.
A pesquisa também analisou aspectos relacionados ao bem-estar emocional. Os resultados apontam que metade dos entrevistados afirmou não se sentir plenamente bem.
Entre os principais desafios relatados estão:
• 37,6% mencionaram dificuldades de concentração associadas ao uso constante de telas, fator ligado à ansiedade e à privação de sono;
• 36,7% disseram sentir insegurança na maior parte do tempo, com reflexos na autoestima, nas decisões pessoais e na abertura à experiência de fé.
Os dados dialogam com preocupações já manifestadas pela Igreja no Brasil. Em diferentes campanhas e encontros voltados à juventude, a CNBB tem abordado temas como saúde mental, escuta pastoral e acolhimento dos jovens diante das pressões da vida contemporânea.
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Apesar dos desafios identificados, o estudo aponta que a vivência religiosa tem papel significativo no enfrentamento das dificuldades cotidianas.
Entre os participantes:
• 64% afirmaram que a espiritualidade os ajuda a lidar com os problemas do dia a dia;
• 55,8% disseram encontrar fortalecimento na presença pastoral da Igreja;
• 43,4% declararam manter esperança em relação ao futuro, mesmo diante das dificuldades.
Os números indicam que a experiência de fé continua sendo um importante fator de apoio emocional e construção de sentido para muitos jovens brasileiros.
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Participação e protagonismo juvenil
O levantamento também investigou o envolvimento dos jovens na vida eclesial, sua percepção sobre a Igreja Católica, vocação, projeto de vida e participação social.
Mais de 41% dos entrevistados afirmaram não participar de mobilizações coletivas. Por outro lado, 23% demonstraram simpatia individual por causas de interesse comunitário.
Ao final da apresentação, o presidente da CNBB, o Cardeal Jaime Spengler, ressaltou a importância de aprofundar a análise dos resultados.
"Chamou a atenção para a importância de aprofundar e refletir os dados levantados pela pesquisa em vista de melhorar a evangelização dos jovens no Brasil."
A expectativa da CNBB é que os dados auxiliem dioceses, paróquias, movimentos e pastorais a compreender melhor a realidade juvenil e a fortalecer ações evangelizadoras em sintonia com os desafios e as expectativas das novas gerações.
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Fonte: Vatican News/CNBB
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