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Santo Padre

Papa para o Dia Mundial da Comunicação: “preservar o humano”

Em sua primeira mensagem, Leão XIV alerta para os riscos da IA na comunicação e defende rostos e vozes humanas como centro das relações e da inovação digital.

Escrito por Redação A12

24 JAN 2026 - 08H01 (Atualizada em 24 JAN 2026 - 09H15)

Vatican Media

O Papa Leão XIV chamou a atenção da Igreja e da sociedade em sua mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”.

“Precisamos preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem, à qual devemos orientar também toda a inovação tecnológica”.

A mensagem segue uma tradição já consolidada no Vaticano. Iniciada por São Paulo VI, todos os anos, os papas divulgam esse texto no dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas e comunicadores, celebrado em 24 de janeiro. Para as igrejas e dioceses, essa mensagem se torna um guia pastoral, que reforça o compromisso da Igreja com uma comunicação ética, responsável e profundamente humana.

Rostos e vozes como dom de Deus

Logo no início da mensagem, Leão XIV recorda que a comunicação nasce da identidade da pessoa. “O rosto e a voz são traços únicos, distintivos, de cada pessoa; manifestam a própria identidade irrepetível e são o elemento constitutivo de cada encontro” e reforça que esses sinais são sagrados, pois foram dados por Deus, que criou o ser humano à sua imagem e semelhança.

Para o Pontífice, preservar rostos e vozes humanas significa proteger o reflexo do amor de Deus no mundo.

“Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos, definidos antecipadamente. Cada um de nós tem uma vocação insubstituível e inimitável”.

Tecnologia e relações humanas em risco

O Papa alerta que, se essa preservação falhar, a tecnologia digital pode afetar pilares essenciais da civilização. Ao simular vozes, rostos e até emoções, sistemas de inteligência artificial interferem nos ecossistemas informativos e atingem o núcleo das relações humanas.

Segundo Leão XIV, “o desafio, portanto, não é tecnológico, mas antropológico”. A questão central é como crescer em humanidade diante de ferramentas cada vez mais poderosas, sem perder o discernimento nem a liberdade.

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Algoritmos e empobrecimento do pensamento

Outro ponto sensível da mensagem é o impacto dos algoritmos das redes sociais. O Papa observa que sistemas criados para maximizar engajamento tendem a valorizar emoções rápidas e superficiais. Isso enfraquece a reflexão, a escuta e o pensamento crítico.

O Santo Padre também alerta para uma confiança excessiva na inteligência artificial, vista por alguns como uma espécie de “oráculo”. Esse comportamento pode “enfraquecer a capacidade do homem de pensar de forma analítica e criativa”, além de comprometer habilidades comunicativas e emocionais.

InfiniteFlow/Adobe Stock InfiniteFlow/Adobe Stock

Simulações que enganam

Leão XIV demonstra preocupação com a dificuldade crescente de distinguir relações humanas reais de interações com bots e influenciadores virtuais. Os chatbots, explica o Papa, são capazes de imitar sentimentos e simular vínculos afetivos, o que pode ser enganoso, sobretudo para os mais vulneráveis.

Ele adverte que tecnologias que exploram a necessidade humana de relacionamento podem ferir o tecido social, cultural e até político das sociedades.

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Responsabilidade, cooperação e educação

Na parte final da mensagem, o Papa propõe três pilares para orientar a inovação digital: responsabilidade, cooperação e educação. Destaca, também, a importância da transparência, da proteção do trabalho jornalístico e do reconhecimento da informação como bem público.

Leão XIV reforça que nenhum setor pode enfrentar sozinho os desafios da inteligência artificial. Por isso, defende a cooperação entre plataformas digitais, legisladores, jornalistas, educadores, artistas e o meio acadêmico.

No campo educativo, o Papa pede o fortalecimento do pensamento crítico e da avaliação das fontes. Ele também propõe a ampliação do conceito de letramento, com a inclusão da alfabetização em inteligência artificial.

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Educação para a era da IA

O Pontífice destaca a urgência de introduzir, nos sistemas educativos, o conceito de MAIL (Media and Artificial Intelligence Literacy). Segundo ele, essa formação ajuda a tratar a IA como ferramenta, e não como substituta da inteligência humana, além de incentivar a verificação externa das informações e a proteção da privacidade.

Ao concluir, Leão XIV retoma ao sentido de sua mensagem:

Precisamos que o rosto e a voz voltem a significar pessoa. Precisamos preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do homem, à qual devemos orientar também toda a inovação tecnológica”.

O 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais será celebrado em 31 de maio, no domingo na Solenidade da Ascensão do Senhor.

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Fonte: Vatican News

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