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Trabalho escravo no mundo

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Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal (Arquivo Pessoal)

Escrito por Pe. Leo Pessini (in memoriam)

18 MAI 2017 - 10H48 (Atualizada em 31 JUL 2026 - 15H26)

Reprodução

Por incrível que possa parecer, em pleno século XXI, quase 70 anos após a proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU, em 10 de dezembro de 1948, ainda convivemos com situações degradantes de escravidão humana no mundo. Os dados são estarrecedores. Segundo o Índice Global da Escravidão 2016, documento elaborado pela ONG Walk Free Foundation, com sede na Inglaterra, quase 46 milhões de pessoas vivem em regime de escravidão no mundo.

O presidente da organização, Andrew Forrest, afirma: A escravidão é repugnante, mas totalmente evitável. Diferentemente de grandes epidemias mundiais, como a malária e a Aids, a escravidão é uma condição humana criada pela própria humanidade. É preciso acabar com ela, não permitindo que as gerações futuras cedam a essa prática hedionda”. Essa é a terceira edição do Índice Global da Escravidão.

A escravidão moderna ocorre quando uma pessoa controla outra, de tal forma, que retira dela sua liberdade individual com a intenção de explorá-la.

O que é escravidão moderna?

O Índice Global da Escravidão, segundo a organização não governamental, tem como objetivo ser uma ferramenta para que cidadãos, organizações não governamentais, empresas e funcionários públicos entendam o tamanho e a gravidade do problema, bem como os fatores que contribuem para sua existência, e possam defender e construir políticas sólidas para erradicar a escravidão moderna.

As definições de escravidão variam de um lugar para outro e abrangem desde o trabalho forçado e o tráfico humano até o casamento forçado. O documento considera todas as situações de exploração das quais uma pessoa não é capaz de se livrar em razão de ameaça, violência, coação ou abuso de poder.

A escravidão moderna ocorre quando uma pessoa controla outra de tal forma que retira dela sua liberdade individual com a intenção de explorá-la. Entre as formas de escravidão estão o tráfico de pessoas, o trabalho infantil, a exploração sexual, o recrutamento de pessoas para conflitos armados e o trabalho forçado em condições degradantes, com jornadas extensas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta.

Escravidão moderna no Brasil

Ao menos 45,8 milhões de pessoas vivem em situação de escravidão moderna no mundo, segundo o relatório da ONG Walk Free Foundation. O Índice Global da Escravidão estima que o Brasil tenha 161,1 mil pessoas submetidas à escravidão moderna. Em 2014, eram 155,3 mil.

Levando em conta esse indicador, o Brasil figura na 151ª posição entre 167 nações ao redor do globo. Nas Américas, fica atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá.

Países com os maiores índices de escravidão

Os cinco países com o maior percentual de pessoas submetidas à escravidão são: 1) Coreia do Norte, com 1,1 milhão; 2) Uzbequistão, com 1,2 milhão; 3) Camboja, com 256,8 mil; 4) Índia, com 18,4 milhões, o equivalente a 1,4% da população; e 5) Catar, com 30,3 mil, também 1,4% da população.

Já Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Uzbequistão concentram 58% do total de pessoas escravizadas. Em termos proporcionais, quem encabeça o ranking é a Coreia do Norte. A estimativa é de que aproximadamente uma em cada 20 pessoas esteja nessa situação no país asiático, totalizando 1,1 milhão.

O relatório ressalta que se trata de um número “conservador”, já que as informações no país são difíceis de verificar:

“Há evidências de que cidadãos são submetidos a trabalhos forçados pelo Estado, incluindo prisioneiros políticos. Relatos dão conta de que indivíduos são forçados a trabalhar por longas horas no campo e nos setores de construção, mineração e vestuário, com punições duras para os que não cumprem determinadas metas”.

Estudos mostram que a pobreza e a falta de oportunidades desempenham um papel importante no aumento da vulnerabilidade à escravidão moderna.

Pobreza e desigualdade aumentam a vulnerabilidade

Estudos específicos sobre o trabalho escravo no mundo mostram que a pobreza e a falta de oportunidades desempenham um papel importante no aumento da vulnerabilidade à escravidão moderna. Eles também apontam desigualdades sociais e estruturais mais profundas que permitem que a exploração persista, como a xenofobia, o patriarcado, as castas e as discriminações de gênero.

Responsabilidade dos governos e das empresas

O fundador da ONG afirma que, para mudar essa situação, as lideranças mundiais têm de assumir sua responsabilidade diante do problema.

“Líderes das principais economias mundiais — Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Brasil, Itália, Rússia e Índia — precisam fazer com que o mundo dos negócios se importe com essa questão, exigindo, por meio de leis, foco na transparência da cadeia de produção de todos os bens e serviços importados ou vendidos em seus países. O Brasil foi um dos primeiros líderes nesse campo, um pioneiro”, afirma Forrest, fazendo referência à “lista suja” do trabalho escravo, que reúne empregadores flagrados utilizando mão de obra escrava.

Trabalho análogo à escravidão no Brasil

No Brasil, o Código Penal estabelece pena de reclusão de dois a oito anos e multa para quem “reduz alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”.

Dignidade humana e direitos fundamentais

Em um mundo no qual domina uma ideologia de mercado que transforma tudo em mercadoria, inclusive as pessoas, coisificando-as, pode soar como um idealismo inalcançável o que afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, de 1948: todos os seres humanos têm direito ao trabalho e são iguais em dignidade e liberdade.

Essa agenda deve ser assumida como prioridade urgente, compromisso ético e exercício de vigilância cidadã por todos, sem exceção. Não se trata de romantismo utópico. Aqui se situa a raiz de diversos tipos de violência e escravidão que tornam a vida humana um cenário de dor, sofrimento e morte.

Dignidade, liberdade e direitos à vida, ao trabalho, à moradia e à saúde, entre outros, são valores inegociáveis, que nos dão a possibilidade de existir, conviver respeitosamente com os outros e construir um legado de respeito, cuidado e proteção da vida humana.

Escrito por:
Pe. Léo Pessini Currículo - Aquivo Pessoal (Arquivo Pessoal)
Pe. Leo Pessini (in memoriam)

Professor, com Pós-doutorado em Bioética no Instituto de Bioética James Drane, da Universidade de Edinboro, Pensilvânia, USA, 2013-2014. Conferencista internacional com inúmeras obras publicadas no Brasil e no exterior. Foi religioso camiliano e Superior Geral dos Camilianos.

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Por Polyana Gonzaga, em Igreja

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