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A estupidez da guerra: Forças bélicas russas invadem a Ucrânia

Padre Inácio Medeiros C.Ss.R.

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

25 FEV 2022 - 10H27 (Atualizada em 25 FEV 2022 - 11H04)

Após meses de expectativa, tensão e ameaças, as forças bélicas da Rússia deram início à invasão da Ucrânia nesta quinta-feira, dia 24 de fevereiro. Só o tempo dirá qual será a extensão e a intensidade da ofensiva militar, mas os primeiros ataques já causaram pânico na população: mortos, feridos e ondas de refugiados que buscam abrigo em países vizinhos, sobretudo, na Polônia.

O primeiro dia de invasão foi marcado pelos veículos militares da Rússia cruzando as fronteiras da Ucrânia em diversas regiões e os primeiros ataques em alvos reconhecidamente civis.

Mais uma vez, como acontece desde a década de 1990, com a invasão dos Estados Unidos ao Iraque, os meios de comunicação, especialmente a televisão, colocam a guerra “ao vivo e em cores” dentro de nossas casas.

Ao que tudo indica, as forças russas rumarão para a capital, Kiev, e por causa disso, longas filas de carros se formaram com as pessoas buscando deixar a cidade logo após bombardeios que antecederam a invasão por terra e dos ataques pelo ar.

Photographee.eu/ Shutterstock
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Localização da Ucrânia

O país que agora se tornou alvo dos ataques e do expansionismo russo está localizado na Europa do leste, fazendo fronteira com a Rússia, com as repúblicas bálticas da Estônia, Letônia, Lituânia e ainda outros países como Polônia, Eslováquia, Hungria, Romênia, Bulgária e Turquia.

Sua área geográfica é de 603 mil km², quase igual a área do estado de Minas Gerais, onde vive uma população pouco superior a 44 mil pessoas, um pouco menor que a população do estado de São Paulo.

A Rússia, por sua vez, tem área de 17,3 mil km², mais que o dobro da área do Brasil, e uma população de 144 milhões de pessoas, bem menor que a nossa.

Até 1991, a Ucrânia era uma das 15 repúblicas que formavam a União Soviética (URSS). Com o colapso da URSS, em agosto daquele ano, a Ucrânia tornou-se uma nação independente, estabelecendo laços culturais, militares e econômicos mais próximos com as potências ocidentais, o que incomodou sobremaneira à Rússia.

Uma guerra nunca tem uma justificativa suficiente!


E.Kryzhanivskyi/Shutterstock
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Por que a guerra?

Uma guerra nunca tem uma justificativa suficiente, mas nesse caso, além dos conflitos históricos que sempre alimentaram a rivalidade entre os dois países, existem algumas razões mais próximas.

A Rússia sempre considerou a Ucrânia como a periferia da Europa ocidental e uma barreira defensiva natural, pois a região sempre foi ponto de passagens de exércitos de invasores ao longo da história. Não é à toa que esse vasto território sempre foi disputado por vizinhos poderosos.

Leia MaisTensão entre Rússia e Ucrânia aumenta e Igreja defende diálogo a favor da pazPapa sobre tensão entre Rússia e Ucrânia: “Paz de todos está ameaçada”A influência crescente de Moscou traduziu-se por uma "russificação" progressiva do país e até mesmo a subordinação da Igreja ucraniana ao patriarcado de Moscou. A criação de um patriarcado independente na Ucrânia lançou mais lenha na fogueira.

Além do mais, a Rússia nunca reconheceu a independência da Ucrânia e nem a validade da criação de um Estado Ucraniano. Com a aproximação entre a Ucrânia e os Estados Unidos, Vladimir Putin, que sonha novamente com a criação da “Grande Rússia”, há anos vem investindo na ideia de que o país vizinho é um "irmão mais novo", que foi desviado pelo Ocidente e pelo qual vale a pena lutar, visando a sua reintegração.

Reprodução/ Wikipedia
Reprodução/ Wikipedia


Junto disso, a expansão da Otan, aliança militar do ocidente em relação a outros países, alguns deles ex-repúblicas soviéticas, acendeu o sinal de alerta no presidente russo, que aumenta de forma ilegal os anos de sua estadia à frente do país como forma de consolidar sua influência e autoridade.

A relação de Moscou com os dois presidentes ucranianos mais recentes também pode ajudar a explicar a crise, pois a ameaça à Ucrânia também é uma tentativa de reverter uma tendência anti-russa que já é notada entre os vizinhos. O medo da Rússia é que essa oposição cresça e acabe virando um rastilho de pólvora semelhante ao que aconteceu na “Primavera Árabe”, que envolveu diversos países árabes em anos passados.

A Rússia é uma potência nuclear, dispondo um exército poderoso, com mais de um milhão de soldados, mas ela não pode competir economicamente como uma grande potência. Sua economia é baseada em recursos não-renováveis e seu PIB é quase a metade da Califórnia, um dos estados mais ricos dos Estados Unidos.

Leia MaisO caos da guerra numa sociedade pós-modernaPapa faz pedido especial para Quarta-Feira de CinzasÀ guisa de conclusão, podemos dizer que a principal motivação de Putin, no momento, é fazer uma demonstração de força contra as potências ocidentais, em um esforço com fins tanto internacionais quanto internos, pois o fracasso do país em relação ao combate da pandemia da Covid-19, não emplacando ainda sua vacina (Sputnik) entre as mais vendidas do mundo, mostra outro lado fraco de seu poder.

Apesar da repressão, a oposição tem crescido no interno do paísO reconhecimento da independência das duas províncias separatistas, Luhansk e Donetsk, com área de 45 mil km, quase igual ao Rio de Janeiro, e a presença russa na Crimeia jogam mais lenha nessa fogueira numa região já tão conturbada.

A Rússia tem a oposição dos Estados Unidos, das potências ocidentais da Europa, mas ainda há uma incógnita nessa questão: Qual será a atitude da China, a grande potência do Século XXI, em relação a esse conflito? Só o tempo dirá!

Por hora, unamos os nossos esforços ao pedido de oração da parte do papa para que cesso logo mais esse conflito.

Escrito por
Padre Inácio Medeiros C.Ss.R.
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo, atualmente é diretor da Rádio Aparecida

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