Aproveitando a segunda etapa da primeira viagem missionária do Papa Leão XIV ao continente africano, entre 15 e 18 de abril, conhecemos um pouco mais a realidade da Igreja de Camarões, com suas belezas, mas também com os muitos desafios que enfrenta.
Camarões, país da África, com nome bastante sugestivo, uma vez que, para nós brasileiros, ao falar de camarões logo pensamos na iguaria do fruto do mar, oficialmente é chamado de República dos Camarões. Localizado na África Central, é conhecido como "África em miniatura" devido à sua diversidade geográfica formada por praias, desertos, montanhas e florestas, como também pela sua diversidade cultural, uma vez que a população local é formada por mais de 230 grupos étnicos que falam cerca de 250 línguas, além de outros tantos dialetos.
O país possui uma área de 475 mil km², mais ou menos equivalente ao tamanho do estado de São Paulo, onde vive uma população de 23,4 milhões de pessoas. Sua capital é Yaoundé, com 2,5 milhões de habitantes, mas a cidade que mais se destaca é Douala, por seu dinamismo comercial. Na atualidade, o país se organiza como uma república presidencialista, tendo o francês e o inglês como línguas oficiais.
Paisagem na zona rural em Camarões
Localizado no Golfo da Guiné, faz fronteira com Nigéria, Chade, República Centro-Africana, Congo, Gabão e Guiné Equatorial. Geograficamente, o Monte Camarões, um vulcão ativo do Sudoeste, é o ponto mais alto do país. Seu nome deriva de "Rio dos Camarões", assim batizado pelos navegadores portugueses, devido à abundância de camarões gigantes no Rio Wouri.
Mesmo tendo sido visitada por cartagineses no século VI a.C., a região somente se tornou mais conhecida a partir da chegada dos portugueses em 1472, primeiros europeus a chegar. Foram os nossos “patrícios” que deram nome ao país. Entre os séculos XVI e XIX, os portos camaroneses se tornaram ponto de passagem para o comércio de pessoas escravizadas, produtos tropicais e especiarias.
Igreja Africana
Depois da decadência de Portugal como nação colonizadora, entre 1884 e 1915, Camarões virou um protetorado alemão com o nome de Kamerun. Depois da Primeira Guerra Mundial, ingleses e franceses forçaram a saída dos alemães que haviam sido derrotados na guerra, e o país foi então dividido em duas partes, uma britânica e outra francesa. A independência veio em 1961, com a unificação das duas porções.
Divisões políticas internas persistiram por diversos anos, até que, em 1972, se criou a República Unida dos Camarões. A divisão, porém, continua ainda hoje, principalmente na província de língua inglesa, sudoeste do país. Um movimento de separação surgido nos anos 1990 se transformou em insurgência em 2016. O pior é que o grupo islâmico extremista Boko Haram, com base na Nigéria, também atua na região norte, de maioria islâmica, e seus ataques têm provocado muitas mortes entre civis e destruição de patrimônios.
A economia de Camarões é ainda dependente de produtos primários como cacau e petróleo. A população camaronesa apresenta uma das maiores taxas de crescimento demográfico do mundo. Apesar de gozar hoje de uma relativa estabilidade política, mas com muitas críticas ao longevo presidente, o país continua enfrentando muitos desafios socioeconômicos e cerca de 40% da população vive abaixo da linha da pobreza.
Segundo dados mais recentes, a população é composta por cristãos (56,58%), por aqueles que seguem crenças tribais (22,36%) e muçulmanos (20,04%). A presença católica representa cerca de 20% da população, sendo mais forte no Sul/oeste, convivendo com os protestantes (20%) e com uma minoria muçulmana no norte. Por isso mesmo a unidade e a construção do diálogo religiosos serão temas importantes na pauta do Santo Padre.
O cristianismo que tinha chegado ao país com os portugueses, cresceu bastante a partir de 1890, graças, sobretudo, à ação dos missionários palotinos alemães. Hoje, como acontece em outras partes da África, a Igreja passa por uma fase de forte expansão numérica.
A conferência episcopal de Camarões é composta pelos bispos de 26 circunscrições eclesiásticas, sendo 5 arquidioceses e 21 dioceses. O episcopado conta atualmente com 35 bispos, tendo ainda um cardeal arcebispo emérito. A organização pastoral se faz por meio de 1.488 paróquias e 4.501 centros de atendimento pastoral.
Terra de missão, a Igreja enfrenta diversos desafios, sendo um dos maiores a perseguição do grupo Boko Haram, sobretudo, nos extremos da região norte, queimando igrejas, realizando sequestros e forçando populações ao deslocamento. Outro desafio preocupante se dá com a expansão de grupos pentecostais protestantes, alguns bastante extremistas e reacionários.
Pequena vila perto da cidade de Bamenda, na estrada para Douala em Camarões
Com Leão XIV, o país recebe a quarta visita de um pontífice, após receber João Paulo II em 1985 e 1995 e Bento XVI, em 2009.
A ação eclesial tem foco na busca pela unidade e superação de tensões sociais. Leão XIV visita três cidades: além da capital, Yaoundé, também visita Bamenda, epicentro da crise de separação da região de influência inglesa, e Douala, importante porto no Golfo da Guiné e capital comercial do país.
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