Mundo

Viagem do Papa Leão o leva a 4 países da África

Primeiro país visitado, Argélia é terra de missão!

Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

17 ABR 2026 - 15H35 (Atualizada em 17 ABR 2026 - 16H30)

Vatican Media

O Papa Leão XIV iniciou a terceira viagem apostólica internacional de seu pontificado pela Argélia, a terra de Santo Agostinho, fundador da ordem religiosa à qual pertencia antes de se tornar papa. A viagem ganhou uma dimensão histórica, por ser ele o primeiro Papa a visitar o país. Foram apenas dois dias de permanência em duas cidades: Argel, a capital, e Annaba, cidade natal de Santo Agostinho, mas extremamente significativos.

Séculos depois da presença de Santo Agostinho em terras da atual Argélia, país de aproximadamente 48 milhões de habitantes, distribuídos numa área de 2,4 milhões de km², localizado entre o Mediterrâneo e a África subsaariana, mesmo sem a efervescência que se nota em países de maioria cristã, o país se preparou para receber bem, pela primeira vez, um Pontífice. Uma viagem apostólica do Sumo Pontífice faz um país ou região se tornar manchete em todo o mundo.

Ao longo dos tempos, diversos impérios deixaram seus vestígios e suas marcas neste país, como atestam as antigas ruínas romanas na cidade costeira de Tipasa. A região fez parte do Império de Cartago antes de cair sob dominação romana. Depois veio a ocupação muçulmana, ocorrida a partir do início do século VIII. Na capital, Argel, edifícios otomanos como a Mesquita Ketchaoua, de cerca de 1612, estão na área de Casbah, localizada na encosta de uma colina e cheia de becos estreitos e escadas. A basílica neobizantina de Nossa Senhora da África remonta ao período do domínio colonial francês a partir do século XIX.

Depois de muitas dificuldades políticas, revoltas e agitações, a plena independência foi adquirida em julho de 1962, com o país se constituindo hoje como uma república.

Do ponto de vista religioso, a terra visitada pelo Papa é um país em que a presença cristã se reduz a poucos milhares de pessoas em meio a uma população composta majoritariamente de muçulmanos. Por isso, um dos temas desenvolvidos pelo Papa foi a necessidade de diálogo e entendimento mesmo entre aqueles que professam religiões e credos diferentes.

A cidade de Santo Agostinho

A cidade de Hippo Regius, atual Annaba, é terra natal de Santo Agostinho, que recebeu a visita de Leão XIV no segundo dia de sua viagem. Hoje ela se transformou em um sítio arqueológico, com a história sendo recontada e reconstruída a partir dos fragmentos que são encontrados, entre vestígios arqueológicos que estão sendo pesquisados e trazidos à luz.

Anton Ivanov Photo/Adobe Stock  Anton Ivanov Photo/Adobe Stock Igreja sobre as ruínas de Hippo Regius na Argélia

Como acontece em relação a outras cidades históricas, ela está sendo pesquisada por meio das várias camadas estratificadas, uma vez que, ao longo do tempo, sofreu diversas ocupações, enfrentou destruição devido às invasões ou fenômenos naturais, mudando de função ou de importância.

Quando Santo Agostinho lá chegou, no ano de 391, Hipona já era um centro portuário bem estruturado e movimentado, inserido no circuito comercial do Império Romano. Porto, armazéns, espaços de troca, instituições cívicas estão sendo localizados, mostrando uma cidade bem formada, que, nos séculos IV e V, se tornou um dos polos do cristianismo africano, onde vivia uma ativa comunidade.

Hoje, Hippo Regius é um sítio arqueológico de uma cidade destruída e abandonada, mas entre suas ruínas ainda ressoa a voz e os ensinamentos de Santo Agostinho.

A Igreja na Argélia

No país visitado pelo Papa Leão, os católicos são minoria e a comunidade católica representa menos de 1%, composta, sobretudo, por estrangeiros. Ainda assim, a Igreja mantém paróquias e uma presença ativa. As dioceses existentes no país são muito grandes e dispersas, especialmente na região do Deserto do Saara, o que torna desafiadora a missão de atender comunidades pequenas e separadas.

A estrutura organizacional é composta por 1 arquidiocese e 3 dioceses, 34 paróquias e 42 centros de atendimento, contando com sacerdotes, religiosos e missionários leigos.

Num país de maioria muçulmana, toda estrutura religiosa não oficial é estritamente regulada e vigiada, mas, apesar disso, a Igreja continua trabalhando com educação, cultura e assistência social em diversos centros sociais.

O país foi terra de missão de São Carlos de Foucault entre os tuaregues de 1904 até 1916, quando ele foi assassinado.

Mártires da Argélia

Os 7 monges trapistas de Tibhirine, o bispo Claverie e outros 19 religiosos de diversas ordens foram mortos na guerra civil na década de 1990 e beatificados em 2018 como símbolo de reconciliação. 

Devoção mariana

A Basílica de Nossa Senhora da África se destaca em Argel, como símbolo de união, onde a Virgem Maria também é venerada por alguns muçulmanos.

Bruno/Adobe Stock Bruno/Adobe Stock Basílica Nossa Senhora da África na Argélia


Sendo uma "terra de testemunho cristão antigo e moderno", não apenas Santo Agostinho, mas também os cristãos do Norte da África na época romana e da experiência de São Carlos de Foucauld, dos mártires de ontem e de hoje, o país visitado pelo Papa se transforma num lugar cuja localização geográfica, entre o deserto e o Mar Mediterrâneo, aquele que tantos africanos tentam atravessar, trouxe, com a viagem do Papa, a oportunidade de abordar a questão da migração, o risco de exploração de recursos por outros, sejam indivíduos ou organizações, e a necessidade do diálogo religioso num mundo de forte polarização.

A África visitada pelos papas

Antes de Leão XIV, os últimos papas também estiveram em diversas nações da África, continente onde a Igreja demonstra as mais altas taxas de crescimento nos últimos anos. O Papa João Paulo II visitou Camarões, segundo país da rota de Leão XIV, em 1985, como parte de uma longa peregrinação ao Continente Africano. Também Bento XVI lá esteve em 2009, antes de viajar para Angola, onde o Papa Wojtyla já estivera em 1992.

João Paulo II, por sua vez, fez uma parada na Guiné Equatorial em 1982, em sua segunda viagem apostólica à África (a primeira foi em 1980). E, por fim, apesar de ter visitado dez países do continente, o Papa Francisco não esteve em nenhum desses países da atual rota do Papa Leão

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