A Igreja de Aparecida vive, nesta segunda-feira (29), um momento de bonita ação de graças. Na Basílica de São Pedro, no Vaticano, Dom Mário Antonio da Silva recebeu o pálio arquiepiscopal das mãos do Papa Leão XIV durante a Santa Missa da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, na qual foram impostos os pálios aos novos arcebispos metropolitanos nomeados nos últimos 12 meses.
O gesto, realizado diante do altar principal da Basílica Vaticana, une a Arquidiocese de Aparecida ao coração da Igreja e confirma a missão confiada ao seu arcebispo: servir ao povo de Deus, guardar a comunhão e conduzir a Província Eclesiástica em sintonia com o sucessor de Pedro.
A celebração também foi marcada por sinais como a oração junto ao túmulo de São Pedro e a presença da delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, gesto fraterno que recorda o caminho de comunhão entre as Igrejas.
Dom Mário foi nomeado Arcebispo de Aparecida em 2 de março de 2026 e tomou posse no Santuário Nacional no dia 2 de maio. Ele é o sexto arcebispo da Arquidiocese e o primeiro arcebispo de Aparecida a receber o pálio durante o pontificado do Papa Leão XIV.
Uma graça para a Arquidiocese
Antes da celebração, Dom Mário havia manifestado a alegria de receber o pálio. Segundo ele, a viagem expressava “um compromisso de continuar, aqui da Arquidiocese de Aparecida, a missão do próprio Jesus Cristo, sob a proteção de Nossa Senhora Aparecida”. Acompanharam o arcebispo o reitor do Santuário Nacional, Pe. Eduardo Catalfo, C.Ss.R., e o Superior Provincial da Província Nossa Senhora Aparecida, Pe. Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R.
Em mensagem aos fiéis, Dom Mário também recordou que receber o pálio das mãos do Papa Leão XIV é sinal “de comunhão, de unidade na nossa Igreja” e de serviço, vivido no compromisso de “amar e servir a exemplo de Jesus Cristo”.
Para os fiéis que acompanham a vida do Santuário Nacional, a celebração em Roma tem um significado especial. A Casa da Mãe Aparecida, lugar de oração, acolhida e evangelização, participa espiritualmente deste momento vivido por seu arcebispo e renova a prece para que seu ministério seja fecundo, próximo do povo e fiel ao Evangelho.
O pálio é uma faixa de lã branca usada sobre os ombros dos arcebispos metropolitanos em celebrações litúrgicas. Na tradição da Igreja, ele expressa a comunhão com a Sé de Roma e a responsabilidade pastoral do arcebispo em sua província eclesiástica. Sua imagem remete a Cristo, o Bom Pastor, que carrega a ovelha sobre os ombros.
Por isso, a imposição do pálio fala também à vida dos fiéis. Ela recorda que o ministério do bispo nasce do amor de Cristo pela Igreja e se realiza no cuidado concreto com o povo confiado ao seu pastoreio. Em Aparecida, essa missão ganha traços muito próprios: acolher romeiros, sustentar a esperança dos devotos, fortalecer a vida das comunidades e anunciar Jesus a partir da Casa da Mãe.
Na homilia, o Papa Leão XIV conduziu a reflexão a partir dos apóstolos Pedro e Paulo, celebrados pela Igreja nesta solenidade. O Santo Padre recordou que, neles, a Igreja venera “duas colunas da Igreja”, testemunhas que continuam a iluminar o caminho dos discípulos de Cristo.
Ao falar de Pedro, Leão XIV o apresentou como guardião do Povo de Deus, empenhado em conservar a comunhão entre os irmãos. O Papa também recordou que essa grandeza de espírito não significa ausência de fragilidades: Pedro negou o Mestre durante a Paixão, chorou com lágrimas sinceras de arrependimento e soube reconhecer os próprios erros.
Esse caminho ilumina a missão de todo pastor. A Igreja lança as redes porque confia em Cristo. Mesmo quando o trabalho parece sem fruto, a Palavra do Senhor reacende a esperança, orienta os passos e sustenta a missão.
Para o Santo Padre, Pedro ensina a permanecer com Cristo e a conduzir os irmãos na fé. Sua história revela que a missão pastoral se apoia na misericórdia de Deus, capaz de transformar a fragilidade humana em serviço fiel ao Evangelho.
Ao comentar o símbolo das chaves, associado a São Pedro, Leão XIV apresentou uma imagem catequética sobre o serviço da autoridade na Igreja:
“A comunhão na Igreja não se constrói endurecendo nas próprias posições, mas procurando, no coração de todos, os pontos de encontro na Verdade, à luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento”.
A comunhão, ensinou o Papa, pede escuta, discernimento, paciência e verdade. O pastor é chamado a orientar, corrigir, encorajar e acompanhar, ajudando o povo de Deus a caminhar unido sob a ação do Espírito Santo.
Esse ensinamento oferece para nós uma chave de leitura para o ministério de Dom Mário em Aparecida. Receber o pálio em Roma significa assumir, diante da Igreja, a tarefa de favorecer a unidade, fortalecer a fé e cuidar para que a missão evangelizadora alcance todos os que buscam, no Santuário e nas comunidades, uma palavra de consolo e esperança.
O Papa Leão XIV também contemplou a figura de São Paulo, definido pelo Santo Padre como “incansável anunciador da Boa Nova”. Seus símbolos distintivos são o livro e a espada, estreitamente unidos entre si.
A vida de Paulo mostra que Deus é capaz de converter caminhos, curar durezas e fazer nascer novos anunciadores do Evangelho. Segundo a homilia, o Apóstolo dos gentios deixou-se transformar pelo poder da Palavra de Deus, que o tirou da violência para conduzi-lo pelo caminho do amor.
Pedro e Paulo, celebrados no mesmo dia, ajudam a compreender o pálio recebido por Dom Mário: a missão do pastor pede comunhão e anúncio, firmeza na fé e coração convertido, serviço à Igreja e docilidade à Palavra.
Ao olhar para os dois apóstolos, Leão XIV exortou os fiéis a reconhecerem o próprio chamado na Igreja:
“Caríssimos, hoje para nós é importante olhar para estes dois santos – Pedro e Paulo – a fim de compreender como, no que nos diz respeito, podemos ser apóstolos e construtores de unidade, servos generosos da verdade na caridade”.
Da esquerda para a direita: Dom José Roberto Fortes Palau, Dom Júlio Endi Akamine, Dom Marco Aurélio Gubiotti e Dom Mário Antonio da Silva
A cerimônia prosseguiu com a bênção e imposição do pálio aos novos arcebispos metropolitanos. Ao todo, 35 arcebispos receberam a insígnia, quatro deles do Brasil. Além de Dom Mário Antonio da Silva, receberam o pálio Dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Belém do Pará; Dom José Roberto Fortes Palau, arcebispo de Sorocaba; e Dom Marco Aurélio Gubiotti, arcebispo de Juiz de Fora.
Ao explicar o sentido do rito, o Papa afirmou que as faixas de lã branca, embelezadas com cruzes, expressam o compromisso de cada pastor e também de cada cristão “de tomar sobre os próprios ombros os irmãos e irmãs que lhe são confiados e de sacrificar por eles forças, tempo, canseiras e até mesmo a vida, para que o Evangelho chegue a todos e o mundo inteiro encontre nele harmonia e concórdia”.
Reveja a celebração na íntegra:
Que o pálio colocado sobre seus ombros recorde, a cada dia, a missão de carregar o povo com ternura, conduzir com sabedoria e servir com o coração voltado para Cristo.
.:: Para aprofundar o significado deste rito, acesse no A12: As orações da imposição do pálio.
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