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Guerra e paz: a trégua de Natal na Primeira Guerra Mundial

Espírito cristão paralisa os combates da Primeira Guerra Mundial — Mas continuamos sonhando com um mundo de paz!

Padre Inácio Medeiros C.Ss.R.

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

06 FEV 2024 - 16H28 (Atualizada em 07 FEV 2024 - 11H24)

meunierd/ Shutterstock

Toda e qualquer guerra gera uma imensa e desumana brutalidade com o uso das armas de destruição motivada pelos interesses e pelo ódio, tendo como consequências os chamados crimes de guerra que afastam ainda mais a pouca humanidade que poderia haver nos campos de batalha. Leia MaisPapa pede orações por países que sofrem com conflitosTerra Santa: Hospital em Belém é local de paz em meio aos conflitos

Durante a Primeira Guerra Mundial o espírito de natal produziu, porém, um feito inusitado: soldados ingleses e alemães abandonaram as trincheiras, não para realizar uma nova ofensiva ou bater em retirada, mas para experimentarem um breve período de paz em meio a carnificina. De modo inacreditável, aconteceram até mesmo as trocas de presentes e a confraternização entre os inimigos.

A compaixão e a fraternidade podem sempre acontecer

Este episódio, conhecido como “Trégua de Natal”, mostra que pode haver sim compaixão e humanidade, mesmo que de forma breve em meio aos horrores da guerra. Até hoje o evento permanece como um símbolo de esperança em tempos de conflito, sendo um dos momentos mais sensíveis da história em tempos de guerra.

Realizada no início da grande guerra de 1914, o evento nunca mais se repetiu nem naquele e nem em qualquer outro conflito. E olha que diversos confrontos ocorreram ao longo do século XX, como a Segunda Guerra Mundial e os conflitos posteriores. A escalada dos conflitos nos tempos da Guerra Fria e o uso de armas cada vez mais mortíferas podem servir, ao menos em parte, como explicação.

Por mais benévolos que sejamos em nossa análise, fica difícil imaginar que um encontro de paz pudesse acontecer durante a Segunda Guerra, por exemplo, principalmente após a descoberta dos campos de concentração e dos horrores do Holocausto.

Por isso mesmo, o evento de 1914 se tornou tão especial. Algo que muito provavelmente nunca mais acontecerá, por conta do rumo que o mundo tomou. A brutalidade das armas de destruição e os crimes de guerra amplificam o ódio de ambos os lados em cada conflito. As guerras já não são vistas mais como “gloriosas” ou até mesmo como “santas” como às vezes eram chamadas.

Sonho de paz

Apesar de ser um sonho, ainda não conseguimos imaginar judeus e palestinos parando os conflitos em vista de uma confraternização, apesar de termos visto a desolação da cidade onde Jesus nasceu por ocasião do natal. Dificilmente soldados ucranianos aceitariam se confraternizar com russos, muito menos isso aconteceria nas inúmeras guerras civis que resultam em genocídios e limpezas étnicas na Ásia ou na África.

A ação de organismos internacionais como a Cruz Vermelha, algum esforço das Nações Unidas ou o intermédio de autoridades da Igreja Católica resultam em momentos breves de humanidade durante alguns conflitos armados, levando os lados opostos a tratar bem os oponentes, impedindo a tortura dos prisioneiros ou levando ajuda humanitária para civis atingidos pelos horrores.

Quem sabe, desta forma, se consiga o mínimo do mínimo previsto pelas Convenções de Genebra. Mas já que sempre no início de cada ano os sonhos, projetos e desejos renascem, não custa nada a gente sonhar e trabalhar por um mundo de paz...

Escrito por
Padre Inácio Medeiros C.Ss.R.
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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Por Redação A12, em Mundo

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