Por Redação A12 Em Mundo Atualizada em 19 OUT 2020 - 15H28

Igrejas são novamente incendiadas em protestos no Chile

Reprodução: Martin Bernetti_AFP
Reprodução: Martin Bernetti_AFP

Um ano após o início dos protestos sociais no Chile, devido ao aumento no preço das passagens do metrô, igrejas e diversos prédios públicos voltaram a sofrer ataques no país. A Igreja da Assunção, que já havia sofrido ataques em 2019, voltou a ser incendiada e teve sua cúpula totalmente destruída. Quando a estrutura cedeu, diversos manifestantes comemoraram, gritando "Deixa cair!", enquanto bombeiros tentavam manter as pessoas afastadas, sob risco de se ferirem.

Leia MaisIntolerância, tolerância e prudênciaOutra igreja, de São Francisco de Borja, foi saqueada e parcialmente queimada, mas os bombeiros conseguiram, neste caso, evitar um desastre maior. "Queimar igrejas é uma expressão de brutalidade", afirmou o ministro do Interior e Segurança, Víctor Pérez.

Os protestos voltaram a ocorrer, após meses de pausa por conta da pandemia, a uma semana da realização do plebiscito que pretende avaliar se os chilenos são ou não a favor de alterar a Constituição do país, que ainda hoje traz heranças da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). O referendo, no entanto, só foi definido, em 2019, após várias semanas de protestos e vandalismo.

Reuters/Edgard Garrido/Direitos Reservados
Reuters/Edgard Garrido/Direitos Reservados
Destroços de ônibus incendiado na primeira onda de protestos no Chile, em 2019


"O Chile está em guerra!"

Esta foi a declaração do presidente Sebastián Piñera, depois dos ataques que deixaram sete mortos e quase 1.500 detidos na pior crise dos últimos 30 anos. "Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita nada nem ninguém e que está disposto a usar a violência e delinquência sem nenhum limite", declarou Piñera.

O arcebispo de Santiago do Chile, dom Celestino Aós, em um comunicado publicado na página da diocese local, rejeitou veementemente os ataques incendiários a duas igrejas no centro da capital e pediu orações de reparação: “A violência é má e quem semeia violência colhe destruição, dor e morte. Nunca toleramos a violência”, afirmou.

Não justificar a violência

O bispo, em seu comunicado, lembrou os ataques sofridos pelas igrejas há um ano e sublinhou o quanto a reconstrução exigia ”sacrifícios e sofrimentos constantes pelos mais pobres”. “Esperávamos que essas ações e essas imagens não se repetissem”, disse Dom Aós. Por fim, dirigindo-se aos católicos de Santiago e do país, e a todas as pessoas de boa vontade, que amam a paz, pediu para dizer chega à violência. “Não justifiquemos o injustificável. Deus não quer violência. Vamos nos reunir como uma comunidade de crentes para realizar atos de expiação e reparação”, finalizou.

Fonte: Jornal El País/ Vatican News

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