Mundo

Qual a diferença entre Pérsia e Irã?

Entenda como funciona a relação de Pérsia e Irã, suas origens históricas e por que ambos ainda são usados para falar do mesmo país. Leia abaixo!

Linkedin
Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

23 JUN 2026 - 13H40 (Atualizada em 24 JUN 2026 - 14H00)

Tomasz Siuda/ Adobe Stock

O advento da crise sofrida pelo Irã em fins de 2025, com as grandes manifestações de rua e depois, em 2026, com o conflito militar enfrentado a partir do ataque dos Estados Unidos e Israel contra o país, provocando mais uma crise de abastecimento de petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz, fez com que as pessoas voltassem a olhar para a região. Nesse contexto, uma pergunta surgiu novamente: Qual a diferença entre Pérsia e Irã e até onde as duas realidades se confundem?

Mesmo no longo período em que o nome Pérsia foi utilizado para designar as civilizações ou impérios que existiram na região, dentro do próprio país, a população também utilizava o nome Irã, palavra que deriva de um termo antigo que significa aproximadamente “terra dos arianos”, referência a antigos povos indo-iranianos que migraram e passaram a habitar a região.

Terra fértil favorece o desenvolvimento de grandes civilizações

Durante grande parte da história, a região que hoje conhecemos como Irã era chamada de Pérsia. Esse nome é originário da antiga região de Persis ou Parse, de onde um povo de origem indo-europeia migrou da Ásia Central e da Rússia para a região do sul iraniano por volta de 1000 a.C. com o objetivo de encontrar terra fértil com água suficiente para o desenvolvimento da agricultura e pastoreio de seus rebanhos.

EMANUEL/ Adobe Stock EMANUEL/ Adobe Stock Ruínas na cidade Persépolis

A região abrigou grandes impérios sucessivamente e eles se destacaram por sua administração inovadora, tolerância cultural e grandes obras de engenharia que conectaram o Oriente e o Ocidente, das quais ainda hoje são encontradas muitas ruínas, como na antiga cidade de Persépolis.

Por muito tempo, os persas habitaram a atual região do Irã e compartilharam com os povos medos e elamitas sua cultura e sua língua. Todavia, a partir do século VIII a.C., os medos começaram a cobrar altos impostos dos persas, já que contavam com uma estrutura política mais forte e com um grande contingente militar. Depois de diversas lutas, os persas se sobrepuseram aos demais povos da região. Sua história pode ser então dividida em quatro grandes impérios:

- Império Aquemênida (c. 550-330 a.C.): Primeiro grande império persa, fundado por Ciro, o Grande. Ficou famoso pela tolerância com os povos conquistados e por unificar vastos territórios. Dario I expandiu ainda mais os domínios, criando um sistema de províncias (sátrapas), padronizando moedas e construindo a famosa Estrada Real, onde se movimentava um sistema de correios muito organizado.

ErenMotion/Adobe Stock ErenMotion/Adobe Stock Ruínas da antiga cidade de Persépolis no Império Aquemênida

Os persas foram importantes na história e na formação do povo de Israel. No século VI a.C., o imperador Ciro, o Grande, conquistou a Babilônia, pondo fim ao Cativeiro da Babilônia, permitindo que os judeus exilados retornassem a Jerusalém para reconstruir seu templo. O Império Persa foi o cenário de vários livros das sagradas Escrituras. O Livro de Ester, por exemplo, se passa na corte do Rei Xerxes I (Assuero) em Susa. Os livros de Esdras e Neemias detalham a reconstrução de Jerusalém sob o patrocínio dos reis persas Dario e Artaxerxes.

2°- Império Selêucida (312-63 a.C.): Formado após a conquista da Pérsia por Alexandre Magno, introduziu a cultura e a administração helenística na região, o que trouxe uma grande modernidade para o império.

3° - Império Parto (247 a.C.-224 d.C.): Se estabeleceu a partir do momento em que uma dinastia restaurou o poder iraniano, tornando-se um grande rival militar e comercial do Império Romano, controlando importantes trechos da famosa Rota da Seda.

4° - Império Sassânida (224-651 d.C.): É considerado a "Idade de Ouro" da Pérsia Antiga, caracterizado por um forte renascimento da cultura e da religião Zoroastrista. Este império durou até que se deparou com a expansão islâmica no século VII d.C.

Mesmo depois da queda, o legado persa permaneceu vivo até hoje, influenciando a arquitetura, a língua, a culinária e o pensamento religioso.

Da monarquia à Revolução Islâmica

Ao longo de sua história, o Império Persa viveu dois grandes momentos de colapso: na Antiguidade, quando foi derrotado por Alexandre Magno (330 a.C.), sendo controlado por seus sucessores, e no século VII, devido à expansão islâmica (651 d.C.).

Rokas/Adobe Stock Rokas/Adobe Stock Mapa da região do Irã

Durante o século XIX, o Irã tornou-se alvo da expansão e do imperialismo europeu, sendo forçado a aceitar a criação de zonas de influência divididas entre o Império Britânico (ao sul e leste) e o Império Russo (ao norte). Essa partilha visava controlar rotas comerciais vitais e, posteriormente, a recém-descoberta indústria petrolífera.

Em 1935, o xá Reza Shah Pahlavi comunicou oficialmente aos governos estrangeiros que deveriam, a partir de então, usar o nome Irã nas comunicações diplomáticas. Seu objetivo era aproximar o nome internacional do termo já utilizado internamente pelos próprios habitantes.

Georgios Kollidas/ Adobe Stock Georgios Kollidas/ Adobe Stock Reza Shah Pahlavi

Apesar disso, o termo Pérsia continuou sendo usado nos contextos históricos e culturais, especialmente no do Império Persa, da arte persa ou da literatura persa.

Hoje, ambos os nomes permanecem presentes na história, “Pérsia” representa a antiga civilização, enquanto “Irã” é o nome moderno do país.

A monarquia da dinastia Pahlavi, que era pro-ocidente, terminou com a Revolução Islâmica em 1979. O xá Pahlavi fugiu para o exílio nos Estados Unidos, pavimentando o caminho para o estabelecimento da República Islâmica liderada pelo Aiatolá Khomeini, vindo a seguir a implantação de um país fechado, em que o poder religioso liderado pelo Yatolah é onipresente, apesar do país se apresentar como uma república constitucional.

.:: LEIA TAMBÉM: Papa Leão XIV volta a pedir o fim da guerra no Irã

Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Redação A12, em Mundo

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...

Enviar por e-mail