Por Redação A12 Em Música

A importância do dirigente do canto

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Como é importante a função do regente diante de um coro como do dirigente do canto diante de uma assembleia que celebra a sua Páscoa semanal no mistério Pascal de Cristo.

 Existem dirigentes de canto da minha comunidade? Estão desempenhando bem a sua função litúrgica-ministerial?

É bom pararmos e refletirmos sobre a caminhada musical de nossa comunidade ou se caímos no relaxo do que fazemos;

Como é bonito ver o grupo que se reúne para aperfeiçoar, buscar novos conhecimentos, aumentar a sua capacidade para ajudar os irmãos de fé a fazerem um encontro profundo e bonito com o divino. É isto que o Portal A12.com que: fazer com que busque sempre mais, ser um suporte como ponto de partida; Por isso amigos dedicação! É preciso sempre almejarmos o ideal.

santoagostinhoSanto Agostinho nos ensina "Só se ama aquilo que se conhece", o amor à ao que fazemos será a consequência do seu conhecimento.

Embora constituindo um verdadeiro ministério litúrgico (cf SC 29), nem sempre este importante serviço tem sido desempenhado da maneira mais apropriada. Sentimos que a grande maioria destes ‘ministros’ carece de uma formação litúrgico-musical básica. Isto tem acarretado sérias dificuldades como: a falta de critérios teológico-litúrgicos na escolha dos cantos e da música para as celebrações, a maneira incorreta de tocar os instrumentos musicais, a falta de entrosamento entre instrumentistas, grupo de cantores e assembleia etc. De antemão asseguramos: Como parte integrante da assembleia, os diversos ministérios devem contribuir para que esta porção do povo de Deus participe ativa e plenamente da celebração. Vale lembrar que ninguém está ali para tocar ou cantar para o povo, mas juntamente com ele. Os ministros do canto e da música devem, juntamente com todo o povo reunido, louvar ao Senhor de todo o coração e crescer espiritualmente, deixando-se santificar pelo Espírito do Senhor que atua poderosamente na celebração litúrgica.  

Sabemos que é praticamente impossível a execução de um canto - mantendo seu andamento, sua dinâmica etc. -, por um grupo de mais de 100 pessoas sem que haja o auxílio de um(a) dirigente. O mesmo acontece com nossas assembleias litúrgicas: quando não existe um animador ou regente, a fluência e a unanimidade do canto e da música ficam comprometidos.

Por isso mesmo, a Instrução Geral sobre o Missal Romano nos lembra:
“Convém que haja um cantor ou regente de coro para dirigir e sustentar o canto do povo. Mesmo não havendo um grupo de cantores, compete ao cantor dirigir os diversos cantos, com a devida participação do povo”.

Podemos assegurar que nesta orientação está implícita a dimensão sacramental do canto da assembleia litúrgica: A unidade das vozes expressa a unidade da Igreja congregada no Espírito Santo que, sob a ação do mesmo Espírito entoa o “canto novo” diante do trono do Pai e do Cordeiro (cf. Ap 5,9). O canto da assembleia é, portanto, “a manifestação externa da união dos corações na mútua caridade, o sinal da fraternidade espiritual entre todos os membros da assembleia, reunida no culto. É a expressão do “como é bom, como é agradável, os irmãos morarem juntos” (Sl 133, 1), que segundo Tertuliano não pode ser cantado com verdadeiro sentido a não ser quando a comunidade se encontra reunida”. 

São João Crisóstomo (séc. IV), em uma de suas homilias diz:
“O salmo que acabamos de cantar fundiu as vozes e fez subir um só canto, plenamente harmonioso: jovens e velhos, ricos e pobres, mulheres e homens, escravos e livres, todos não usaram senão de única voz. (...)"

Juntos não formamos senão um coro, numa total igualdade de direito e de expressão, pelo que a terra imita o céu. Tal é a nobreza da Igreja” Não nos resta dúvida sobre a importante função do(a) regente ou animador(a) do canto na celebração litúrgica. Daí, a responsabilidade de cada Igreja cuidar da formação técnica e litúrgico-musical de quem exerce este ministério.

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Enfim, o(a) regente ou animador(a) do canto, conhecendo o real sentido do exercício de seu ministério, evitará certas atitudes que são incompatíveis com a índole da liturgia. Infelizmente, é comum em algumas comunidades e até mesmo celebrações transmitidas pela televisão cair do pecado dos “estrelismos”, ou seja: a utilização inadequada da função para projetar e exibir vaidades pessoais. Nestes casos, as celebrações se transformam em verdadeiros “Shows”, distanciando-se da sua real identidade. Falaremos mais destes “pecados musicais” na próxima semana.

Certos do ideal de que o Espirito Santo está sobre nós e nos envia em missão, busquemos abrir nossas mentes e o coração para a vivencia e o anuncio da Boa nova!

 

Fonte: Pe. José Raimundo de Melo SJ. Professor da Pontifícia Faculdade de Teologia N. Sra. da Assunção.IGMR, n. 104; Cf. Instrução Musicam Sacram : Sagrada Congregação dos Ritos, Instrução Musicam Sacram (Sobre a música na sagrada liturgia). Petrópolis: Vozes, 1968. (Documentos Pontifícios, 166). Citada a seguir pelas iniciais MS. Cf. Basurko X., O canto cristão na tradição primitiva, 103. por: CNBB. A música litúrgica no Brasil. São Paulo: Paulus, 1999, n. 100 (Estudos da CNBB 79). Desde 1991, funciona o “Curso Ecumênico de Formação Litúrgico-musical” (CELMU).

 


junior_camposMilton Campos Junior (Junior Campos) 

nasceu em Guaratinguetá (SP) no ano de 1990. Músico por vocação. Desde 2008 é organista e cantor no Santuário Nacional. Dedica-se a música litúrgica e ao canto coral. Adquiriu conhecimentos sobre o canto coral e regência no FUNARTE (Fundação Nacional de Artes) e em cursos de especialização. É Regente do coral Nossa Senhora Aparecida da Paróquia de Aparecida (SP) desde 2010. Atua em casamentos, assessora encontros e assembleias de música litúrgica e canto pastoral nas comunidades, paróquias e dioceses. Intérprete de diversas canções e produtor de vários trabalhos fonográficos.  

                                                                                                                                                                                        facebook_logo

 

 

 

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