Durante a Semana Santa, muitos fiéis percebem uma mudança marcante na música das celebrações: menos instrumentos, arranjos mais simples e, em alguns momentos, até o silêncio. Longe de ser uma ausência, essa escolha da Igreja tem uma intenção e carrega um significado.
A liturgia, em todos os seus elementos, acompanha o mistério celebrado. Na Quaresma, por exemplo, a Igreja convida os fiéis a um caminho de recolhimento, penitência e contemplação da Paixão de Cristo. Por isso, também a música assume uma característica mais moderada. Os instrumentos não desaparecem totalmente, mas “se recolhem”, isto é, passam a ter uma função mais discreta, mas essencial.
celebração litúrgica com microfones montados/Adobe Stock
De acordo com as orientações litúrgicas da igreja, neste tempo só é permitido o toque do órgão e de outros instrumentos musicais para sustentar o canto. Isso significa que a música deixa de ter um caráter mais elaborado ou expressivo por si mesma e passa a servir diretamente à oração da assembleia. Essa característica não está no som instrumental, mas na palavra, no canto e no silêncio.
Esse recolhimento também destaca o papel do coro e da assembleia. O coro não é um grupo à parte, mas parte integrante do povo de Deus, reunido com a missão de conduzir e sustentar o canto litúrgico. Seu lugar e sua função devem favorecer a participação de todos, ajudando a comunidade a rezar por meio da música. Quando os instrumentos se tornam mais discretos, a voz ganha ainda mais importância: é a própria assembleia que se torna o principal “instrumento” de louvor.
De acordo com a Instrução Geral do Missal Romano, no tempo da Quaresma, “só é permitido o toque do órgão e dos outros instrumentos musicais para sustentar o canto. Exceto, porém, o domingo Laetare (IV da Quaresma), as solenidades e as festas.” (Instrução Geral do Missal Romano, 313, p. 89).
O órgão, tradicionalmente valorizado na Igreja Latina, continua presente, mas com moderação. Seu uso, assim como o de outros instrumentos legitimamente aprovados, deve respeitar a natureza deste tempo: nada de antecipar a alegria plena da Páscoa. A exceção ocorre em momentos específicos, como o já citado domingo Laetare e algumas solenidades, quando a liturgia permite um alívio nessa sobriedade.
cruz e coroa de espinhos representando o tempo quaresmal/Adobe Stock
O silêncio que anuncia a Ressurreição
Mais do que uma regra, essa prática revela um ensinamento para muitas pessoas. Ao reduzir alguns instrumentos durante as celebrações, a Igreja ajuda os fiéis a relembrar os momentos de Jesus no deserto e a entrarem mais profundamente no mistério da Cruz.
Para Karina Brito, que é cantora do Ministério de Músicos na Paróquia Menino Jesus, na cidade de Taubaté/SP, a Quaresma é um momento de recolhimento para trazer consigo mesmo reflexões e bem viver a Semana Santa que se aproxima. “Vivemos o sofrimento de Jesus Cristo e deixamos para usar todos os instrumentos na Semana Maior, na ressurreição de Jesus”, afirmou.
“Vivemos o sofrimento de Jesus Cristo e deixamos para usar todos os instrumentos na semana maior, na ressurreição de Jesus”
Karina Brito, cantora
Como cantora do Ministério de Música, Karina relata que esta é uma oportunidade para viver mais em silêncio e preparo interior para a Festa maior. O silêncio durante as missas da Quaresma é uma maneira de escutar a voz que vem de dentro e a voz de Deus, para viver mais próximo do Cristo que ressuscitará.
Assim, quando os instrumentos “se recolhem”, não há perda musical, mas há aprofundamento. A música, mais contida, torna-se ainda mais importante, preparando o coração dos fiéis para, na Vigília Pascal, voltar a ressoar em plena alegria, celebrando a vitória da vida sobre a morte.
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Fonte: IGMR
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