A Campanha da Fraternidade 2025 traz como lema a passagem do Gênesis: “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31). A reflexão central a ser refletida, a pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convida os fiéis a reconhecerem a beleza da criação e a responsabilidade de preservá-la para as futuras gerações.
Essa perspectiva se alinha às palavras do Magnificat: “Seu amor passa de geração em geração” (Lc 1,50), como um reforço a continuidade do cuidado com a obra de Deus.
No relato bíblico da criação, o sexto dia marca um momento singular: antes da formação do ser humano, Deus criou os animais terrestres e viu que era bom. Essa harmonia entre todas as criaturas foi tema de reflexão de Santo Ambrósio, bispo de Milão no século IV. Ele defendia que a natureza foi dada para serviço do homem, mas não para ser explorada de forma predatória.

A história de Eliseu multiplicando pães para alimentar cem pessoas (2Rs 4,38-44) ilustra a providência divina e a importância da partilha. Para Santo Ambrósio, a terra foi criada para produzir frutos e abastecer a humanidade. Contudo, a administração responsável desses recursos é essencial para garantir a justiça social e a sustentação das futuras gerações.
A natureza também ensina que cada criatura segue um equilíbrio próprio. Ambrósio destacava que os animais conseguem discernir o que é nocivo do que é salutar. Esse princípio também se aplica à humanidade: cabe a cada geração distinguir caminhos que promovam o bem comum.

O Papa Francisco reforça essa mensagem ao afirmar que “tudo está interligado” e que “cuidar da casa comum é também cuidar da nossa própria dignidade”. A missão do ser humano, desde a criação, é administrar o mundo com responsabilidade e gratidão.
Assim como cada espécie gera a sua própria descendência, a responsabilidade pelo planeta também é transmitida de geração em geração.
A Campanha da Fraternidade 2025 se coloca como um norte para a sociedade a refletir, durante a Quaresma e reverberando para o ano todo, sobre o cuidado com a terra, respeitando a criação de Deus e garantindo que as futuras gerações também possam contemplar e usufruir desse dom.
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Fonte: Vatican News
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