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Fraternidade e educação: Qual o papel da sociedade na educação das crianças?

Escrito por Lais Silva

02 MAR 2022 - 07H00 (Atualizada em 02 MAR 2022 - 08H32)

Freepik

Fraternidade e Educação. Esse é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano. Em um período onde existe uma corrida para recuperar o tempo perdido no calendário escolar devido à pandemia, propor uma reflexão sobre a educação no período Quaresmal é fundamental.

O tema foi inspirado no Pacto Educativo Global, em que o Papa Francisco convoca a humanidade a se unir em prol da educação de uma maneira integral e ampla. Pe. Patricky, assessor da Campanha da Fraternidade, em entrevista ao Portal A12, aprofundou a importância de debater o futuro da educação

“Como nos lembra o Papa Francisco no pacto educativo global: ‘é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança’. Hoje essa aldeia é composta por diversos atores. E só daremos início a bons processos de transformação da realidade educativa no Brasil quando os diversos atores envolvidos no processo educacional assumirem sua missão com dedicação e prioridade”, explicou.

A educação de uma criança está diretamente relacionada com a sociedade e a realidade em que ela vive. Transformar a realidade da educação nos dias atuais é um trabalho de toda a sociedade.

“Os desafios impostos à educação são inúmeros. O estado precisa realmente assumir a educação de forma prioritária. O que também devemos encarar de frente o nosso lugar no contexto de transformação dessa realidade, pontuou.


O impacto da pandemia na educação

Em julho do ano passado, o Inep divulgou os resultados de uma pesquisa realizada entre fevereiro e maio de 2021, por meio de um questionário suplementar, durante a segunda etapa do Censo Escolar 2020.

A pesquisa chamada “Resposta educacional à pandemia de covid-19 no Brasil”, apontou que pouco mais de 53% das escolas públicas conseguiram manter o calendário letivo original de 2020. Já na rede privada, esse número é próximo de 70%.

De acordo com a avaliação do MEC – Ministério da Educação, os principais riscos decorrentes da suspensão das aulas estão relacionados aos retrocessos do processo educacional, os danos à aprendizagem, a dificuldade de acesso de famílias de baixa renda... Essas e outras questões acabam por influenciar a evasão escolarO estudo aponta o problema, mas é necessário partir desse ponto para que exista uma recuperação do ensino. A criatividade e união entre família e escola são ferramentas importantes neste recomeço.

“Identificando as lacunas e desafios é preciso atuar a partir dos princípios da fé. Com a pandemia, tivemos a nossa rotina interrompida. Alguns sonhos adiados, mortes de pessoas queridas. Tivemos que nos reinventar, redescobrir e ousar criativamente novos caminhos também para a educação: pais que tiveram que acompanhar mais de perto a vida educacional dos seus filhos em ensino remoto e os desafios de uma boa conexão de internet; nunca habitamos tanto os nossos lares, o que nos possibilitou a conviver mais de perto com nossos familiares; somos surpreendidos, mas aqui estamos”, contou Pe Patricky.


O processo de aprendizagem não para!

A educação nunca tratou somente de aprender questões matemáticas, a história dos países, escrever uma redação ou ter uma carreira. Educar é um ato de amor. Pais, professores, catequistas, todos eles são capazes de educar, e esse 'educar' é btransmitir sua vivência e sua fé para o outro.

Educar é mais do que escolarizar. Educar é despertar para o sentido da vida, para a beleza das relações, para o cultivo de boas amizades, para o serviço em vista do bem comum. Educar é exercitar nossa capacidade de aprendizagem, ressaltou.

Apesar das lacunas deixadas pela pandemia, ela deixa também uma lição importante em relação à educação: Ela é missão de todos. Assim como Papa Francisco disse, “só sairemos dessa pandemia se nos ajudarmos, se cuidarmos uns dos outros”. É dessa forma que o debate sobre o futuro da educação deve acontecer, com a participação de todos.

“O vírus só não pode ser capaz de parar nossa capacidade de aprendizado: a vida é uma grande escola! Neste cenário, talvez um dos grandes aprendizados seja o cultivo da consciência de que, um ‘novo normal’, não cairá do céu de forma pronta e definitiva. A nova realidade educacional começa com as opções presentes que fazemos. Um leal compromisso pessoal com a educação, que requer de nós uma nova postura, explicou.

Pe. Patricky finaliza a entrevista ao Portal A12, contando que espera que a Campanha da Fraternidade represente para a sociedade um espaço de reflexão.

“Que a Campanha da Fraternidade seja um oásis de reflexão e uma oportunidade de olharmos para nós mesmos e nos perguntar: quais as mudanças precisam acontecer em nossas vidas a fim de que, educados por Cristo, sejamos homens e mulheres que falam com sabedoria, ensinam com amor, servem com alegria e jamais se cansam de viver a tarefa educativa como compromisso de amor”, finalizou.

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