O Museu Nossa Senhora Aparecida completa 70 anos de fundação no mês de setembro, evento histórico que já é celebrado no Santuário Nacional desde o lançamento do selo comemorativo em abril.
Com o intuito de estender as comemorações a todos os devotos da Padroeira do Brasil, o A12 inicia a série “7 décadas de história” para fazer memória da trajetória cultural e evangelizadora do Museu.
Segundo Cássio Costa, orientador cultural do Centro de Informações Turísticas do Santuário Nacional (CIT), já na primeira década (1956-1966), o Museu de Artes Sacras, por meio de um rico acervo, levou a muitas pessoas a devoção a Nossa Senhora Aparecida, além do próprio contexto histórico de Aparecida e região.
Fundado em 8 de setembro de 1956, com a bênção do primeiro arcebispo de Aparecida, Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, e por iniciativa da professora e pesquisadora Conceição Borges Ribeiro Camargo, o local preserva a memória religiosa, cultural e arqueológica do Vale do Paraíba, com destaque para importantes artefatos indígenas encontrados na região de Aparecida, que ainda hoje integram o acervo do Museu.
Conceição Borges nasceu em 5 de setembro de 1914, em Aparecida (SP) e casou-se com Vicente Camargo. Após a fundação do Museu Nossa Senhora Aparecida, ela fez parte de vários movimentos culturais e cívicos na região do Vale do Paraíba e teve participação ativa no resgate e salvaguarda dos objetos arqueológicos encontrados durante escavações no município.
Os primeiros achados arqueológicos indígenas do Vale do Paraíba foram encontrados em Aparecida, em 1908, e, com o crescimento urbano da cidade, novas evidências (como materiais cerâmicos e líticos) passaram a ser descobertas em diferentes áreas. Parte desse acervo foi preservado pela professora Conceição, com destaque para uma gamela indígena exposta na primeira vitrine do museu.
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*A gamela indígena é um recipiente rústico, ovalado ou arredondado, tradicionalmente utilizado por povos indígenas e comunidades afro-brasileiras como utensílio doméstico versátil para servir, preparar alimentos ou guardar objetos.
A atuação da professora e pesquisadora Conceição Borges Ribeiro foi fundamental para a preservação da memória arqueológica de Aparecida e do Vale do Paraíba. Em um período em que muitos vestígios indígenas eram destruídos pelo crescimento urbano, ela dedicou-se às pesquisas de campo, acompanhou escavações, recolheu peças e registrou descobertas que poderiam ter se perdido com o tempo.
Seu olhar atento e compromisso com a salvaguarda histórica mostram alguns dos traços da sua personalidade que marcaram aqueles que conviveram com ela, como é o caso do missionário redentorista, Padre José Roberto Luciano, C.Ss.R., também aparecidense e que, antes de entrar no seminário, fez parte da Guarda Mirim de Aparecida, fundada e dirigida por Conceição.
"Dona Conceição Borges só me inspirava segurança, educação e fineza. Ela me deu aula, quer dizer, ela dava aula para nós de boas maneiras", afirmou o sacerdote.
Em entrevista ao A12, o padre afirmou de forma saudosa que quem trabalhou ao lado da professora recorda com carinho de sua postura firme e acolhedora, marcada pela educação e cordialidade.
Segundo Pe. Luciano, dona Conceição ensinava aos jovens funcionários valores como respeito, boas maneiras e gentileza no atendimento aos romeiros, transformando o ambiente do museu também em um espaço de formação humana. Mesmo sendo austera e sistemática, deixou a lembrança de uma mulher de coração dócil, admirada por sua atenção e dedicação às pessoas.
Integração ao Centro Social Redentorista
Dois anos após a sua fundação, em 1958, o Museu de Artes Sacras passou a pertencer à Congregação do Santíssimo Redentor. O contrato de doação do acervo do Museu ao Santuário, contudo, se deu em 1961, quando os organizadores, com o apoio da Congregação, construíram um salão na Galeria do Hotel Recreio.
Hoje, para conhecer o acervo, os visitantes vão até a Torre Brasília ou “Torre do Relógio” do Santuário Nacional, mas desde sua origem, o Museu passou por outras duas localizações.
1º Prédio das Oficinas Gráficas de arte sacra de Aparecida (a partir de 1956)
2º Galeria Recreio (a partir de 1961)
3º Torre Brasília (a partir de 12 de outubro de 1967)
Continue acompanhando pelo Portal A12 as próximas edições da série "7 décadas de história" que celebra os 70 anos do Museu de Nossa Senhora Aparecida.
Fonte: Museu Nossa Senhora Aparecida | Artigo a Museologia e o Sagrado | CIT
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