Por Padre Pedro Cunha Em Opinião Atualizada em 09 AGO 2019 - 12H29

Cadê meu pai?

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Há mais ou menos 30 anos, eu fazia a cada domingo na catedral de Lorena (SP), entre 10 a 20 batizados. Era raro ver uma criança sem pai ser levada à pia batismal. Hoje esta proporção tornou-se absurda, pois é muito comum notar-se a ausência do pai.

A família como se conhecia está sendo modificada. O pai deixou de ser o provedor da casa, a mãe assumiu esse papel. O pai deixou de ser pai, tornou-se apenas aquele que fecundou o óvulo, situação comum em muitos casos. Existe aquele caso em que o pai não existe. Não se sabe quem é, o filho foi o resultado de várias relações sexuais com vários homens, muitos deles só foram vistos naquele momento, nunca mais. A mãe engravidou, mas não sabe ao certo quem é o pai.

Leia MaisDom Orlando Brandes escreve Carta aos Pais Dia dos pais: por uma sociedade com pais Ainda existe o caso em que o casal se “amava” apaixonadamente, mas quando a gravidez apareceu e a responsabilidade surgiu, o amor acabou, o pai sumiu e a mãe e a criança ficaram sós. Neste caso o máximo que se consegue é uma pensão alimentícia, nada mais.

Há casos que a solução encontrada pelo pai desnaturado é o oferecimento de uma quantia em dinheiro para que a mãe mate a criança. Caso a mãe seja Mãe e jamais aceite o ato criminoso, a criança é gerada sem a presença do pai, nasce sem ele e cresce se perguntando: cadê meu pai?

Alguém pode até pensar que a presença do pai seja dispensável, mas não é. Em qualquer idade de uma pessoa a presença do pai é importante e mais, não só a presença, mas o amor, o carinho, o afeto, o cuidado, a atenção desejada.

A ausência da satisfação destas necessidades básicas gera em qualquer pessoa uma carência que se arrastará por toda a vida.

Seria muito aconselhável que uma mulher e um homem pensasse bem antes de manter uma relação sexual capaz de gerar uma vida. Hoje vemos crianças, adolescentes e jovens cometendo absurdos sociais e sempre fica a pergunta: não estará por trás dessas condutas a ausência de um pai?

Pai, cadê você?

Escrito por
padre pedro cunha (Gustavo Cabral/A12)
Padre Pedro Cunha

Padre Pedro Cunha é sacerdote da diocese de Lorena (SP), fundador das Aldeias de Vida, professor universitário e reitor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Santa Cabeça

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