Devemos ter em mente que hoje, a sociedade pós-moderna e capitalista vive num consumismo exacerbado e canibal, ou seja, devo consumir mais do que eu posso pagar e num ritmo frenético, como se “minha vida dependesse daquele produto”. Com isso, gera-se uma sociedade endividada, empobrecida, pois todo o seu salário cai nas mãos dos bancos e inicia-se, assim, um ciclo vicioso de crédito e dívidas, empobrecendo a sociedade e enriquecendo os produtores.
Pensar numa ética do consumo é amplo e deveras custoso, pois, hoje no mercado de consumo, não conseguimos encontrar tantos elementos éticos e morais para tal análise. O que podemos pensar e refletir é como o consumidor pode pensar eticamente e moralmente para que ele mesmo vá “contra a corrente” do consumismo desenfreado e começarmos a pensar a partir da ética e da moral.
Leia Mais"Cultura do descarte" impacta na sociedade e no meio ambientePrimeiramente devemos ter o cuidado com aquilo que recebemos nas redes sociais. Hoje, somos “bombardeados” freneticamente por propagandas e anúncios comerciais nas redes sociais, seja de alimentação, seja de produtos utilitários, e precisamos nos atentar a isso, pois estes anúncios podem nos influenciar a comprar algo que não será útil para o consumidor, mas o faça satisfazer-se na compra. Precisa-se ter filtros sobre tudo aquilo que se observa e se lê nas redes, para que não seja levado pela “onda” do consumismo.
Segundo, precisa-se estar atento ao orçamento pessoal. Se no orçamento cabe a compra de um produto desejado, pode-se comprar, mas se não cabe no orçamento, não vale a pena se endividar para realizar tal compra. Precisa-se pensar em diversos cenários antes de realizar uma compra, para que ela não se torne a causa de uma dívida absurda.
As festividades de final de ano estão se aproximando, porém perderam o sentido principal de cada festa. O Natal, festa do nascimento de Jesus, tornou-se uma festa do consumo, onde para bem festeja-la, se faz necessário realizar compras de presentes.
Devemos ter em mente que o Senhor garante o nosso sustento (cf. Sl 119), e questionarmo-nos sobre as nossas atitudes hoje, diante de tanto consumo. Por que estou comprando tantas roupas? Por que estou comprando tantos aparelhos tecnológicos? O que isso está gerando em mim? Será que necessito realmente destes objetos?
A ética do consumo acontece quando começamos a nos questionar se o que compramos vai nos favorecer ou não; se vai nos ajudar ou não e principalmente, se nos ajuda a sermos mais fraternos, pois num mundo tão individualista, pequenas atitudes de despojamento e fraternidade são sinais de resistência contra essa corrente capitalista de descarte.
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