Por João Antônio Johas Leão Em Santo Padre

A realidade e os desafios das famílias: Uma reflexão sobre o capítulo II da 'Amores laetitia'

Depois de começar a Exortação Apostólica Pós-Sinodal 'Amores Laetitia' (Alegria do amor) com uma reflexão baseada na Sagrada Escritura que lhe confere o tom adequado, o Papa Francisco passa, no capítulo II, a considerar a realidade atual das famílias e os desafios que elas enfrentam no mundo contemporâneo. Ele mesmo diz que não pretende tratar de todos os problemas, mas de reproduzir alguns que foram propostos nos documentos do sínodo e agregar outros de sua reflexão pessoal.

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Sobre a situação atual da família, o Santo Padre parece que tem de fundo uma preocupação por fazer brilhar novamente a beleza do matrimônio como a vocação de um “caminho dinâmico de crescimento e realização” que as vezes é visto mais como “um fardo a carregar a vida inteira”. De fato, ele diz que muitas vezes agimos na defensiva, “multiplicando os ataques ao mundo decadente, com pouca capacidade de propor e indicar caminhos de felicidade”.

 

A Exortação Apostólica Pós-Sinodal "Alegria do amor" recolheu contribuições dos dois Sínodos recentes sobre a família.

Nesse sentido, os problemas que ele aponta nessa etapa podem ser empecilhos que dificultam o reluzir da verdadeira vocação da família. Por exemplo, podemos citar os vários sintomas da cultura do provisório que não contribuem, pelo contrário, dificultam, a realização da família. “A rapidez com que as pessoas passam de uma relação afetiva para a outra. (...) o medo que desperta a perspectiva de um compromisso permanente, a obsessão pelo tempo livre, ..., tudo é descartável, cada um usa e joga fora ...”. É o reflexo de uma cultura narcisista que deixa as pessoas incapazes de olharem além de si próprias.

Desde uma visão mais utilitarista, a família corre o risco de virar um lugar de passagem a qual se acode apenas quando se tem interesses ou necessidades. O Papa se lembra também que o Estado tem o dever de proporcionar uma adequada “política familiar no campo jurídico, econômico, social e fiscal”. Outras preocupações mencionadas pelo Santo Padre são as famílias migrantes, que “exigem uma pastoral específica”, as que possuem entes com necessidades especiais, chamadas a serem exemplos de reconhecimento e garantia da qualidade e o valor de cada vida. Para terminar, o Papa lembra das famílias que vivem em miséria, as quais a Igreja “deve dedicar especial atenção em compreender, consolar e integrar...”.

Quando o Papa passa a falar dos desafios das famílias, na segunda parte do capítulo, ele cita alguns muito pontuais: A dificuldade da função educativa, a toxicodependência, a violência interna, o enfraquecimento do modelo familiar, o reconhecimento dos direitos da mulher e as ideologias de gênero. Poderíamos aprofundar em cada uma dessas realidades, mas penso que vale a pena ler o texto original, que nessa parte não é muito longo e que ajuda muito a refletir sobre esses desafios.

Dito isso, apenas gostaria de apontar, com relação a dificuldade da função educativa, que existe uma preocupação com os ritmos da sociedade na qual vivemos, que muitas vezes faz com que “os pais cheguem em casa cansados e sem vontade de conversar”, o que me parece talvez um ponto de partida para muitos dos problemas que foram abordados. Uma boa disposição para o diálogo, fundado na fé, parece ser um caminho seguro para o matrimônio continuar crescendo e cumprindo sua missão.

Finalizando, o Papa adverte para que não caiamos na tentação de ver tudo como uma realidade difícil demais e assim desistamos de lutar. Ele diz: “Se constatamos muitas dificuldades, estas são – como disseram os bispos da Colômbia – um apelo para “libertar em nós as energias da esperança, traduzindo-as em sonhos proféticos, ações transformadoras e imaginação da caridade”.

Complete a reflexão com a leitura da Exortação Pós-Sinodal. 

João colunista assinatura

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