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Santo Padre

Angelus: “o rosto de Deus encontra em nós um olhar de admiração?”

Pontífice reflete sobre a Transfiguração do Senhor e como podemos compreender nossa fé

Escrito por Redação A12

01 MAR 2026 - 09H56 (Atualizada em 01 MAR 2026 - 11H15)

Vatican Media / Reprodução

Neste Segundo Domingo da Quaresma (01), Papa Leão XIV rezou a tradicional oração do Angelus junto aos fiéis que o aguardavam na Praça São Pedro.

Ao refletir sobre o Evangelho deste domingo, que nos conta sobre a Transfiguração do Senhor, o pontífice afirmou que a transfiguração antecipa a Páscoa e nos mostra que todo o sofrimento se transformará em promessa da Salvação e Ressurreição.

Ele iniciou sua reflexão do Evangelho do dia falando que ele nos mostra uma imagem cheia de luz, e explica que "o evangelista mergulha o seu pincel na memória dos Apóstolos, pintando Cristo entre Moisés e Elias".

"O Verbo feito homem está entre a Lei e a Profecia: ele é a Sabedoria viva, que leva a cumprimento toda a palavra divina. Tudo o que Deus ordenou e inspirou aos homens encontra em Jesus a sua manifestação plena e definitiva", afirmou o santo padre.

Ao falar sobre a imagem descrita no Evangelho de Mateus, o pontífice destaca que assim como no dia do batismo no Rio Jordão, hoje também podemos ouvir a voz do Pai que proclamou no monte: “Este é o meu Filho muito amado”, enquanto o Espírito Santo envolve Jesus em uma nuvem luminosa.

“Com esta expressão, verdadeiramente singular, o Evangelho descreve o estilo da revelação de Deus. Quando se manifesta, o Senhor revela a sua excelência aos nossos olhos: diante de Jesus, cujo rosto resplandece como o sol e cujas vestes se tornam brancas como a luz, os discípulos admiram o esplendor humano de Deus. Pedro, Tiago e João contemplam uma glória humilde, que não se exibe como um espetáculo para as multidões, mas como uma solene confidência.”

Quando o Santo Padre explica que a Transfiguração antecipa a luz da Páscoa, ele apresenta uma maneira simples que nos fazem compreender a beleza da Palavra de Deus:

Evento de morte e de ressurreição, de trevas e de nova luz que Cristo irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria.”

É preciso confiar em Deus, na promessa da Salvação, na beleza do Evangelho e na Luz da transfiguração.

“O Redentor transfigura assim as chagas da história, iluminando a nossa mente e o nosso coração: a sua revelação é uma surpresa de salvação”.

O santo padre questionou os fiéis que estavam presentes acompanhando sua reflexão:

“Deixamo-nos fascinar por ela? O verdadeiro rosto de Deus encontra em nós um olhar de admiração e amor?

E em seguida afirma que a Quaresma é um tempo que nos ajuda na compreensão da fé, diante do silêncio, da oração, da penitência e da conversão, é possível compreender os mistérios de nossa fé.

“Ao desespero do ateísmo, o Pai responde com o dom do Filho Salvador; o Espírito Santo resgata-nos da solidão agnóstica, oferecendo uma comunhão eterna de vida e graça; diante da nossa fé fraca, está o anúncio da ressurreição futura: eis o que os discípulos viram no esplendor de Cristo, mas para compreendê-lo é preciso tempo. Tempo de silêncio para ouvir a Palavra, tempo de conversão para apreciar a companhia do Senhor.

E finalizou: “Enquanto experimentamos tudo isto durante a Quaresma peçamos a Maria, Mestra de oração e Estrela da manhã, que guarde os nossos passos na fé”.

:: Veja reflexão de Dom Orlando sobre a Transfiguração do Senhor

O Santo Padre reza pelo fim das guerras

Após a oração do Angelus, Papa Leão XIV expressou grande preocupação com a situação no Oriente Médio, e rezou pedindo diálogo e paz.

“Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável”.

Diante da incerteza do conflito, o Papa pediu que a diplomacia volte a atuar, lembrando que os povos desejam uma paz baseada na justiça.

“Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, dirijo um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça. E continuemos a rezar pela paz”.

O santo padre lembrou ainda dos conflitos entre Paquistão e Afeganistão. E mais uma vez pediu para que todos rezem pelo fim de todos os conflitos:

“Rezemos juntos para que a harmonia prevaleça em todos os conflitos do mundo. Somente a paz, um dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos”.

:: Rezemos todos pela paz!

Papa também lembrou das vítimas das enchentes em Minas Gerais

O Estado de Minas Gerais sofre com alto índice de chuvas que tem resultado em enchentes na Zona da Mata e Campos das Vertentes, entre os municípios mais afetados estão Juiz de Fora, Uba e Matias Marbosa, que decretaram estado de calamidade pública, além dos municípios vizinhos que também estão em estado de emergência.

O santo padre expressou proximidade às vítimas das inundações:

“Estou próximo à população do Estado brasileiro de Minas Gerais, atingida por violentas inundações. Rezo pelas vítimas, pelas famílias que perderam sua casa e por todos os envolvidos nos esforços de socorro”.

:: CNBB lamenta mortes em chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais

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