Publicada por ocasião dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno, a Carta do Papa Leão XIV, “A vida em abundância”, propõe uma reflexão sobre o esporte como espaço de formação humana, fraternidade e paz.
O texto também alerta para os riscos da lógica do lucro e do desempenho a qualquer custo, que podem esvaziar o sentido educativo da prática esportiva.
Ao iniciar a Carta, o Pontífice recorda o contexto dos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados em Milão e Cortina d’Ampezzo, e dirige uma saudação a todos os envolvidos. Em seguida, amplia o olhar para o significado do esporte na vida contemporânea:
“A prática esportiva, como sabemos, pode ter uma natureza profissional, de altíssima especialização: deste modo, corresponde a uma vocação de poucos, embora suscite admiração e entusiasmo no coração de muitos […] Mas a prática esportiva é uma atividade comum, aberta a todos e saudável para o corpo e para o espírito, a ponto de constituir uma expressão universal do ser humano.”
A Carta é organizada em temas que percorrem a história do esporte, seus fundamentos culturais e os desafios atuais. Ao longo do texto, Leão XIV articula a dimensão física com aspectos humanos, educativos e espirituais, destacando a relevância do esporte para a sociedade.
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O Papa recorda que, ao longo da história, o esporte sempre esteve ligado à educação do ser humano. A tradição cristã, segundo ele, reconhece a unidade entre corpo, mente e espírito. Inspirado em imagens bíblicas usadas por São Paulo e no pensamento de São Tomás de Aquino, Leão XIV aponta que a prática esportiva favorece a disciplina, a moderação e o equilíbrio interior.
Nesse sentido, o esporte se torna um caminho privilegiado de crescimento humano. Ele ensina limites, estimula o esforço constante e ajuda na construção de uma personalidade madura, capaz de lidar com desafios e frustrações.
Outro eixo central da Carta é o esporte como espaço de encontro. Para o Pontífice, a vivência esportiva promove relações baseadas no respeito às regras, na cooperação e na superação do individualismo. Quando praticado de forma autêntica, o esporte educa para viver a vitória sem arrogância e a derrota sem desânimo.
Essa experiência, segundo Leão XIV, contribui para a formação de comunidades mais solidárias e abertas ao diálogo. O esporte, assim, torna-se um instrumento concreto de promoção da paz e da fraternidade entre povos e culturas.
O Papa também chama atenção para as distorções que ameaçam o esporte na atualidade. A submissão à lógica econômica e ao sucesso a qualquer preço pode transformar o atleta em mercadoria. Nesses casos, a competição perde seu valor educativo e abre espaço para práticas como o doping, a corrupção e a manipulação de resultados.
Leão XIV alerta ainda para outros desafios contemporâneos, como a instrumentalização política das competições, o culto exagerado da imagem e do rendimento e o uso de tecnologias que desumanizam a experiência esportiva. Diante desse cenário, ele reforça a necessidade de preservar o esporte como instrumento de inclusão e diálogo, sobretudo entre jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Nas palavras finais da Carta, o Papa reforça o caráter comunitário e inclusivo do esporte:
“Pensar e implementar a prática esportiva como um instrumento comunitário aberto e inclusivo é outra tarefa decisiva. O esporte pode e deve ser um espaço de acolhimento, capaz de envolver pessoas de diferentes origens sociais, culturais e físicas.”
Leão XIV destaca ainda o testemunho dos esportistas, cuja rotina revela valores como sobriedade, disciplina, equilíbrio e respeito aos limites do corpo e da mente. Para o Pontífice, a vida espiritual ajuda os atletas a ir além do resultado e do desempenho, dando sentido ao esforço cotidiano.
Ao concluir, o Papa retoma a expressão bíblica que dá título à Carta:
“Tudo isso encontra o seu horizonte último na promessa bíblica da vida em abundância. Não se trata de uma acumulação de sucessos ou desempenhos, mas de uma plenitude de vida que integra corpo, relações e interioridade.”
Segundo Leão XIV, libertar o esporte de lógicas redutoras é um desafio cultural e pastoral. Quando vivido como escola de vida, ele ensina que a verdadeira abundância nasce da partilha, do respeito e da alegria de caminhar juntos.
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