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Castel Gandolfo: a história da residência dos Papas

Castel Gandolfo atravessa séculos de história e permanece ligado à vida dos Papas. Conheça os espaços, tradições e novos projetos que moldaram esse cenário.

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Escrito por Redação A12

17 AGO 2026 - 15H20

Vatican Media

Castel Gandolfo reúne história, espiritualidade, ciência e ecologia. A cidade dos Castelli Romani, próxima de Roma, abriga as Villas Pontifícias e mantém uma relação secular com os Papas.

Quando os Papas começaram a frequentar Castel Gandolfo?

A ligação entre Castel Gandolfo e o papado remonta ao século XVII. O Papa Urbano VIII foi o primeiro Pontífice associado à residência de verão na localidade. Ele escolheu a região por sua paisagem, clima ameno e proximidade de Roma.

Durante seu pontificado, Urbano VIII promoveu a construção da Villa Pontifícia em Castel Gandolfo. O complexo se desenvolveu ao longo dos séculos. Passou a incluir o Palácio Apostólico, jardins históricos e outras propriedades das Villas Pontifícias.

A residência oferecia aos Papas um espaço para descanso e oração. Também permitia uma relação mais próxima com os moradores e peregrinos que visitavam a cidade.

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O impacto dos Pactos Lateranenses

A tradição pontifícia foi interrompida em 1870. Naquele ano, a tomada de Roma marcou o fim dos Estados Pontifícios. Por cerca de seis décadas, os Papas deixaram de utilizar Castel Gandolfo.

A situação mudou com os Pactos Lateranenses, assinados entre a Santa Sé e o Reino da Itália em 11 de fevereiro de 1929. O tratado reconheceu a propriedade da Santa Sé sobre o Palácio Pontifício de Castel Gandolfo e suas dependências. Também previu a transferência da Villa Barberini para a Santa Sé.

A partir desse acordo, o Palácio Apostólico recuperou sua função de residência de verão dos Pontífices. Castel Gandolfo voltou a ocupar um lugar relevante na vida pública e pastoral do papado.

A cidade e a presença dos Papas

A relação entre os Papas e os habitantes de Castel Gandolfo ganhou força ao longo do século XX. Os períodos de verão incluíam encontros com autoridades locais, celebrações e a oração do Angelus aos domingos.

São João Paulo II demonstrou uma ligação especial com a cidade. Em 1996, ao retornar à localidade, afirmou:

“Castel Gandolfo caminha junto com Roma.”

Em outra ocasião, o Pontífice destacou a singularidade do município:

“Existem vários castelos nas montanhas, mas Castel Gandolfo é único! Durante séculos, este lugar foi reservado ao Papa.”

João Paulo II também descreveu sua permanência como uma experiência de pertencimento à comunidade. Em 1980, disse que seria “um pouco cidadão” e “também um pouco diocesano” da Diocese de Albano.

O Papa ainda desejava que os peregrinos estrangeiros se sentissem acolhidos na cidade. Segundo ele, Castel Gandolfo poderia ser uma “cidade aberta” durante o período de férias.

A Specola Vaticana em Castel Gandolfo

Castel Gandolfo também se tornou um centro de pesquisa astronômica. A Specola Vaticana, o Observatório Astronômico do Vaticano, passou a utilizar instalações na localidade durante o século XX.

Em 1935, o Papa Pio XI inaugurou o novo observatório em Castel Gandolfo. Uma placa de mármore na cúpula dos telescópios traz a inscrição:

“Vinde, adoremos Deus Criador.”

O Papa Francisco recordou que a gestão do observatório foi confiada à Companhia de Jesus. Desde então, jesuítas e pesquisadores de diferentes países participam de estudos sobre o universo e do diálogo entre ciência e religião.

A presença da Specola Vaticana reforça uma tradição da Igreja de incentivo à pesquisa científica. Em 1963, durante uma visita ao observatório, São Paulo VI elogiou o rigor dos estudos e a colaboração da instituição com outros observatórios astronômicos.

O diálogo entre fé e ciência também aparece nos pronunciamentos recentes dos Papas. Francisco afirmou que o universo deve ser contemplado como um mistério que conduz à admiração e ao louvor.

Reprodução/Vatican Media Reprodução/Vatican Media Papa Leão XIV em visita ao Observatório Astronômico

O Palácio Apostólico aberto à visitação

Nos últimos anos, a função de Castel Gandolfo passou por mudanças. O Papa Francisco decidiu não utilizar regularmente o Palácio Apostólico como residência de verão.

O edifício foi aberto ao público como espaço museológico. A medida permitiu que visitantes conhecessem ambientes ligados à história dos Pontífices, além de obras de arte, móveis e objetos associados à residência papal.

A abertura ampliou o acesso à história do papado. Castel Gandolfo passou a receber visitantes interessados em arte, arquitetura, turismo religioso e memória institucional da Igreja.

O nascimento do Borgo Laudato si’

O Papa Francisco também deixou uma marca nas Villas Pontifícias com a criação do Borgo Laudato si’. O projeto foi instituído por meio de um Quirógrafo de 2 de fevereiro de 2023.

A iniciativa utiliza áreas das antigas Villas Pontifícias para promover formação ecológica, sustentabilidade e desenvolvimento social. Em 2024, Francisco explicou que o local deveria funcionar como um “modelo tangível de pensamento, estrutura e ação”.

O Centro de Alta Formação Laudato si’ foi criado para conduzir as atividades do projeto. A instituição atua nos campos científico, educativo e social. Também promove a formação integral da pessoa com base na economia sustentável e nos princípios da encíclica Laudato si’.

O projeto se organiza em três eixos:

• educação inclusiva para a ecologia integral;

• economia circular e generativa;

• sustentabilidade ambiental.

A área possui jardins históricos, espaços agrícolas e uma fazenda modelo. O projeto também prevê técnicas de cultivo que respeitem o ecossistema e a biodiversidade. Entre as iniciativas está a criação de uma vinha que combina tradição e inovação.

Vaticannews/ Reprodução Vaticannews/ Reprodução

Castel Gandolfo no pontificado de Leão XIV

A inauguração do Borgo Laudato si’ marcou uma nova etapa na história das Villas Pontifícias. O Papa Leão XIV retomou a presença pontifícia em Castel Gandolfo em uma celebração dedicada ao cuidado da criação.

O local mantém sua importância histórica. Ao mesmo tempo, passou a abrigar iniciativas de educação ambiental, agricultura sustentável e diálogo internacional.

A trajetória de Castel Gandolfo reúne diferentes dimensões da missão pontifícia: oração, descanso, contato com a população, promoção da cultura e atenção aos desafios sociais.

Desde o início do pontificado, o Papa Leão XIV utilizou Castel Gandolfo para celebrações litúrgicas, encontros ecumênicos, ações sociais e iniciativas ligadas à ecologia integral. A agenda mostra uma presença voltada ao contato com comunidades, peregrinos e instituições, além do descanso.

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Um patrimônio histórico e espiritual

Castel Gandolfo continua ligado à imagem dos Papas durante o verão. A cidade também preserva a memória de pronunciamentos, encontros e celebrações realizados ao longo dos séculos.

A presença dos Papas transformou Castel Gandolfo em um dos lugares mais emblemáticos da região de Roma. O município permanece como ponto de encontro entre tradição, espiritualidade, arte, ciência e responsabilidade social.

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Fonte: Vatican News

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