A Lumen Gentium voltou ao centro da catequese do Papa Leão XIV nesta quarta-feira (6). Após dar um panorama sobre sua viagem à África, o Pontífice retomou o ciclo de reflexões sobre os documentos do Concílio Vaticano II.
Desta vez, ele comentou o Capítulo VII da Constituição Dogmática sobre a Igreja. O foco foi a dimensão escatológica, muitas vezes esquecida na vida cotidiana das comunidades cristãs.
“Somos chamados a considerar a dimensão comunitária e cósmica da salvação em Cristo e a voltar o nosso olhar para este horizonte final, a medir e a avaliar tudo a partir desta perspectiva.”
Segundo o Papa, a Igreja caminha na história com os pés no presente e o olhar voltado para o destino definitivo. “A Igreja, de fato, percorre esta história terrena sempre orientada para o seu objetivo final, que é a pátria celeste”, explicou.
Ele alertou que essa perspectiva pode ser ofuscada quando a atenção se limita ao que é imediato ou visível nas estruturas e atividades eclesiais.
Ao abordar a missão da Igreja, Leão XIV recordou que o Reino de Deus é o fim último de sua ação. Contudo, a Igreja não se confunde plenamente com esse Reino, pois sua realização total acontecerá apenas no fim dos tempos.
Nesse contexto, o Papa destacou a responsabilidade de iluminar a história com esperança. Isso inclui denunciar aquilo que fere a dignidade humana e compromete o desenvolvimento da vida. Também implica defender os pobres, os explorados, as vítimas da violência e da guerra, além de todos os que sofrem no corpo e no espírito.
“Sinal e sacramento do Reino, a Igreja é o povo de Deus em peregrinação na terra, que, partindo da promessa final, lê e interpreta a dinâmica da história a partir do Evangelho, denunciando o mal em todas as suas formas e anunciando, por palavras e ações, a salvação que Cristo deseja realizar para toda a humanidade e o seu Reino de justiça, amor e paz. A Igreja, portanto, não anuncia a si própria; pelo contrário, tudo nela deve apontar para a salvação em Cristo.”
Ao tratar das estruturas eclesiais, o Pontífice sublinhou a necessidade de humildade. As instituições servem ao Reino, mas permanecem marcadas pela condição histórica.
“Nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada”, recordou Leão XIV.
Por isso, afirmou, são chamadas à conversão permanente, à renovação das formas e à reforma das estruturas. A vida da Igreja exige revisão constante das relações e práticas, para que estejam de acordo com sua missão evangelizadora.
O Papa também aprofundou a relação entre os fiéis que vivem hoje e aqueles que já concluíram sua peregrinação terrena. A Constituição conciliar ensina que todos formam uma única Igreja.
Existe comunhão real entre a Igreja peregrina e a Igreja celeste. Ao rezar pelos falecidos e seguir o testemunho dos santos, os cristãos fortalecem a própria caminhada e intensificam a adoração a Deus.
Ao concluir, o Santo Padre agradeceu aos padres pela clareza doutrinal: “Sejamos gratos aos Padres Conciliares por nos terem recordado essa dimensão tão importante e bela do ser cristãos, e procuremos cultivá-la nas nossas vidas.”
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Fonte: Vatican News
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