O Papa Leão XIV iniciou neste sábado (28), sua segunda viagem apostólica internacional. O destino é a cidade-estado Mônaco.
Ao deixar o território italiano, o Santo Padre enviou o tradicional telegrama ao presidente da República Italiana, Sergio Mattarella, enfatizando que parte para Mônaco com o desejo de "de encorajar o testemunho cristão e a construção do bem comum”.
Nesta viagem, o Pontífice tem em sua agenda quatro principais compromissos: a visita ao príncipe Alberto no Palácio Principesco, o encontro com a comunidade católica na Catedral da Imaculada Conceição e o encontro com os jovens e os catecúmenos na praça em frente à Igreja de Santa Devota. Por fim, a missa final no Estádio Louis II. Ao final do dia, Papa Leão retorna ao Vaticano.
Ao chegar em Mônaco, o Papa foi recebido pelo príncipe Alberto II e pela princesa Charlene, seguindo para a cerimônia de boas-vindas e o seu primeiro compromisso desta viagem apostólica, a visita cortesia.
Em seu discurso de saudação, o Papa Leão XIV expressou felicidade em estar nesta viagem.
“Estou feliz por passar este dia com vocês e por ser, assim, o primeiro dos Sucessores do Apóstolo Pedro nos tempos modernos a visitar o Principado de Mônaco, uma Cidade-Estado que se distingue pelo profundo vínculo que a une à Igreja de Roma e à fé católica.”
E ainda falou sobre a fé no país:
"A fé católica, que o país de vocês é dos poucos a ter como religião de Estado, coloca-nos perante a soberania de Jesus, que interpela os cristãos a tornarem-se, no mundo, um reino de irmãos e irmãs, uma presença que não oprime, mas eleva; que não separa, mas une; pronta a sempre proteger com amor toda a vida humana, em qualquer momento e condição, para que ninguém seja jamais excluído da mesa da fraternidade.”
Após a visita ao Príncipe de Mônaco, o Papa Leão XIV encontrou-se com a Comunidade Católica na Catedral da Imaculada Conceição. Em sua fala, destacou que Jesus Cristo é o centro da fé cristã e aquele que oferece a salvação, assumindo o mal do mundo para nos libertar.
“Temos um advogado perante Deus e junto a Deus: Jesus Cristo, o Justo.”
Em seguida, propôs algumas reflexões. A primeira diz respeito ao dom da comunhão.
“Jesus Cristo, o Justo, não veio para proferir um julgamento que condena, mas para oferecer a todos a sua misericórdia que purifica, cura, transforma e nos torna parte da única família de Deus.”
O Papa recordou que as ações de Jesus não eram apenas de cura física ou espiritual, mas também de inclusão social, pois devolviam às pessoas curadas sua dignidade e seu lugar na comunidade humana e religiosa.
“Esta comunhão é o sinal por excelência da Igreja, chamada a ser no mundo o reflexo do amor de Deus, que não faz distinção de pessoas”.
A segunda reflexão foi sobre o anúncio do Evangelho em defesa do homem. Nesse ponto, destacou que Jesus atua como “advogado”, defendendo especialmente aqueles que eram vistos como abandonados por Deus, esquecidos e marginalizados.
“Penso numa Igreja chamada a tornar-se ‘advogada’, ou seja, a defender o homem: o homem integral e todo o ser humano. Trata-se de um caminho de discernimento crítico e profético destinado a promover um ‘desenvolvimento integral’ da humanidade”.
E afirmou: “Este é o primeiro serviço que o anúncio do Evangelho deve realizar: iluminar a pessoa humana e a sociedade para que, à luz de Cristo e da sua Palavra, descubram a própria identidade, o sentido da vida humana, o valor das relações e da solidariedade social, o fim último da existência e o destino da história”.
Ao final de sua reflexão incentivou todos a servir a evangelização de modo apaixonado e generoso.
“Anunciai o Evangelho da vida, da esperança e do amor; levai a todos a luz do Evangelho, para que a vida de cada homem e mulher seja defendida e promovida desde a sua concepção até ao seu fim natural [...] oferecei novos mapas de orientação capazes de conter aquelas investidas do secularismo que ameaçam reduzir o homem ao individualismo e fundar a vida social na produção de riqueza”.
Diante da Igreja de Santa Devota, em Mônaco, o Papa Leão XIV retomou o exemplo de dois jovens santos para falar sobre fé e firmeza interior. Ao recordar a padroeira do Principado, destacou: “queriam aniquilá-la, apagar toda a sua memória, mas, em vez disso, o seu sacrifício levou ainda mais longe a mensagem de amor e paz do Evangelho”. A memória da jovem mártir, unida à de São Carlo Acutis, ofereceu o eixo do encontro com jovens e catecúmenos.
O Pontífice afirmou que a experiência cristã atravessa desafios em qualquer tempo. Ainda assim, reforçou que nada obscurece a beleza da fé.
“Caríssimos jovens, estes dois Santos encorajam-nos e impulsionam-nos a imitá-los. Na realidade, também hoje, como foi referido, a fé enfrenta desafios e obstáculos, mas nada pode ofuscar a sua beleza e verdade”.
Ao responder às perguntas dos participantes, Leão XIV abordou o que sustenta a unidade interior. Citando o Cardeal Martini, recordou que “a raiz da unidade de vida está no coração, […] é algo do coração, é um dom de Deus, a pedir com humildade”. Em seguida, sintetizou: “o que dá solidez à vida é o amor: em primeiro lugar, a experiência fundamental do amor de Deus e, depois, por extensão, aquela iluminadora e sagrada do amor recíproco”.
Segundo o Papa, esse caminho exige abertura e fidelidade. Amar implica crescimento, constância e disposição para o sacrifício cotidiano. Por isso, convidou os jovens a remover o que impede a ação da graça:
“É preciso desobstruir a porta do coração destas coisas, para que o ar saudável e oxigenante da graça possa voltar a refrescar e revitalizar os seus espaços, e para que o vento forte do Espírito Santo possa voltar a encher as velas da nossa existência, impulsionando-a para a verdadeira felicidade”.
A oração e o silêncio foram indicados como meios concretos para essa renovação. O Papa frisou que a caridade e o testemunho também nascem dessa intimidade com Deus.
“As palavras e os gestos de testemunho e esperança não se improvisam e não provêm de nós mesmos: são oriundas de uma relação profunda com Deus, na qual encontramos, primeiramente, as respostas fundamentais da vida”.
Na Missa celebrada no Estádio Louis II, Leão XIV ampliou a reflexão ao tratar da realidade internacional. Diante das guerras e da idolatria do poder, advertiu:
“Este dom ilumina o nosso presente, pois as guerras que o ensanguentam são fruto da idolatria do poder e do dinheiro. Cada vida ceifada é uma ferida no corpo de Cristo. Não nos habituemos ao rumor das armas e às imagens da guerra! A paz não é um mero equilíbrio de forças, mas uma obra de corações purificados, de quem vê no outro um irmão a proteger, não um inimigo a abater.”
Ao concluir o encontro com os jovens, deixou um apelo direto: “Não tenhais medo de entregar tudo a Deus e aos irmãos: o vosso tempo, as vossas energias; de gastar-vos totalmente pelo Senhor e pelos outros. Só assim encontrareis um gosto sempre renovado e um sentido cada vez mais profundo para a vida”.
O helicóptero com o Pontífice a bordo chegou ao heliporto do Vaticano pouco antes das 19h locais após uma viagem de menos de duas horas a partir de Mônaco.
Antes da partida, o Papa se despediu do Príncipe Alberto II e da Princesa Charlene, a quem, em um telegrama, agradeceu pelo caloroso acolhimento.
:: Acompanhe o pontificado de Papa Leão, acessando a12.com/santopadre
Fonte: Vatican News e Vatican Media
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