Por Ir. Gilberto Cunha Em Santo Padre

Qual o sentido do Papa visitar uma comunidade católica tão pequena no Azerbaijão?

Estive acompanhando a viagem que o Papa Francisco realizou neste fim de semana à Geórgia e ao Azerbaijão. Essa viagem complementa uma anterior que o Papa realizou à Armênia em junho deste ano.

Os três países estão numa região denominada de Cáucaso, afetada pelo conflito da Síria. Além disso, Armênia e Azerbaijão historicamente estão em conflito e não mantém boas relações diplomáticas. Em abril deste ano romperam um cessar-fogo de mais de 20 anos, fazendo com que a situação ficasse ainda mais delicada e causando preocupação àcomunidade internacional...

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Considerando este breve contexto, o Papa Francisco falou sobre diversos temas: paz entre as nações, unidade no amor entre os povos e religiões, a necessidade de diálogo, o perdão, deixar-se consolar por Deus e consolar, fazer-se pequeno, o papel das religiões em ajudar nestes conflitos e acompanhar o homem na busca do sentido da vida, o valor do matrimônio, o perigo da teoria do gênero, a necessidade de estar firmes na fé, a caridade e tantos outros...

:: Papa conta sobre visita à Geórgia e ao Azerbaijão

Como vocês veem são muitos temas e de uma riqueza muito grande. Fazer uma análise mais profunda de tudo o que ele falou em sua visita seria muito extenso. Recomendo se puderem dar uma conferida nas mensagens e Homilia no site da Santa Sé. 

Queria centrar nossa breve reflexão sobre uma pergunta que o Papa Francisco mesmo se fez e respondeu de forma improvisada no final da Missa celebrada na Igreja da Imaculada em Baku, no último domingo no Azerbaijão. Posteriormente volta a tocar este tema na coletiva de imprensa, no regresso ao Vaticano:

"O Azerbaijão é um país que creio que 96 ou 97 por cento são muçulmanos, de cerca de 10 milhões, e os católicos são no máximo 600. E por que estou aqui? Pelos católicos, para ir à periferia de uma comunidade católica. 

Hoje na Missa lhes disse que me faziam lembrar da comunidade periférica de Jerusalém fechada no cenáculo, esperando o Espírito Santo, esperando poder crescer, sair. 

A realidade se entende melhor e se vê melhor desde a periferia que do centro, é por isso que elegi isso". 

Neste país de cerca de 570 católicos existe apenas uma paróquia e um centro pastoral. A origem desta comunidade relativamente jovem foi contada pelo Cardeal Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos:

"O início da pequena comunidade católica neste país remonta um pouco ao tempo de São João Paulo II, quando, após a queda do Muro de Berlim, algumas famílias escreveram ao Papa dizendo: 'uma vez éramos uma comunidade', no sentido que o comunismo tinha praticamente cancelado todas as igrejas, e os poucos cristãos que sobreviveram estavam dispersos: por que o senhor não nos envia um sacerdote?, foi o pedido. João Paulo II enviou um e então teve início a missão; foram encarregados os salesianos. Portanto, uma Igreja relativamente jovem em um país de raízes cristãs muito antigas. Hoje neste país há liberdade religiosa, de culto, e, assim, há muito a ser feito e construído".

 

"...aceitar o convite dos chefes de Estado e dedicar tempo a esses países de minoria católica, considero mais um dos grandes gestos de Francisco, um gesto concreto de amor e misericórdia".

Voltando à pergunta do Papa Francisco. A sua decisão de visitar este país mostra coerência com o que o Espírito tem suscitado no seu coração e que tem promovido durante todo o seu Magistério: gerar a cultura do encontro, ir às periferias, estar ao lado dos mais frágeis, onde pode tocar a carne de Cristo e ajudar a curar as feridas.

No caso destes três países há muitas feridas abertas e uma grande necessidade de paz, de perdão, de unidade e de reconciliação. Portanto, aceitar o convite dos chefes de Estado e dedicar tempo a esses países de minoria católica, considero mais um dos grandes gestos de Francisco, um gesto concreto de amor e misericórdia.

Concluo a nossa breve reflexão pedindo orações pelos frutos desta viagem e deixando um breve trecho da mensagem do Papa durante a Missa na Igreja da Imaculada, onde nos fala de duas coisas necessárias para a nossa vida cristã:

"Somente duas coisas são necessárias: naquela comunidade havia a Mãe – nunca esquecer a Mãe! – e naquela comunidade havia caridade, o amor fraterno que o Espírito Santo derramou neles! Em frente! Sem medo, em frente!"

Ir Gilberto Cunha colunista

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