Santo Padre

Papa Francisco se despede do Iraque

Escrito por Redação A12

08 MAR 2021 - 08H30 (Atualizada em 08 MAR 2021 - 09H07)

Shutterstock. Papa Francisco - uso editorial (Shutterstock. )

Segunda-feira, 8 de março

O Papa Francisco despediu-se do Iraque na manhã desta segunda-feira (08), deixando uma mensagem de paz e esperança, e encorajando a recomeçar e a reconstruir.

"Sois todos irmãos" foi o lema que guiou a 33ª Viagem Apostólica de seu pontificado. Francisco participou da cerimônia de despedida no Aeroporto de Bagdá e, em seguida, voltou a Roma.

Veja íntegra logo abaixo!

Domingo, 7 de março

A cidade de Erbil foi o primeiro destino do Papa Francisco na manhã deste domingo. Em seu terceiro dia em terras iraquianas, o Pontífice teve uma breve e marcante chegada na cidade.

O Papa foi recebido por Dom Bashar Matti Warda (arcebispo de Hadiab-Erbil dos sírios) e pelo presidente e primeiro-ministro da Região Autônoma do Curdistão, além de outras autoridades civis, politicas e religiosas.

"A esperança é mais forte que a morte"

Em seguida, o Papa Francisco foi para a cidade de Mosul. Lá, dirigiu-se a Hosh al-Bieaa, onde, entre 2014-2017, a praça das 4 igrejas - sírio-católica, armeno-ortodoxa, sírio-ortodoxa e caldeia -  foi destruída por ataques terroristas. Após escutar os testemunhos de um sunita e de um pároco local, o Pontífice fez uma oração pelas vítimas e por todo povo iraquiano.

"Hoje, apesar de tudo, reafirmamos a nossa convicção de que a fraternidade é mais forte que o fratricídio, que a esperança é mais forte que a morte, que a paz é mais forte que a guerra” (Papa Francisco)

Depois de uma emocionante oração, o Papa Francisco seguiu para a cidade de Qaraqosh. Lá, encontrou-se com a comunidade local, na Igreja da Imaculada Conceição. Nessa comunidade, cuja diversidade religiosa e cultural é grande, o Pontífice viu uma beleza espetacular. 

“Isto mostra algo da beleza que a vossa região tem para oferecer ao futuro. A vossa presença aqui lembra que a beleza não é monocromática, mas resplandece pela variedade e as diferenças”.

Após ser recebido pelo Patriarca sírio-católico, o Papa Francisco rezou a oração do Angelus e, em Qaraqosh, o Pontífice reafirmou a importância do perdão.

Comoveu-me uma coisa que disse a Senhora Doha: 'o perdão é necessário por parte daqueles que sobreviveram aos ataques terroristas. Perdão: esta é uma palavra-chave. O perdão é necessário para permanecer no amor, para se permanecer cristão'. É preciso capacidade de perdoar e, ao mesmo tempo, coragem de lutar. Sei que isto é muito difícil. Mas acreditamos que Deus pode trazer a paz a esta terra. Confiamos n’Ele e, unidos a todas as pessoas de boa vontade, dizemos 'não' ao terrorismo e à instrumentalização da religião”.

Para encerrar, Papa Francisco fez uma saudação especial às mulheres:

“Gostaria de agradecer cordialmente a todas as mães e mulheres deste país, mulheres corajosas que continuam a dar vida não obstante os abusos e as feridas. Que as mulheres sejam respeitadas e protegidas! Que lhes sejam dadas atenção e oportunidades!”

Último compromisso

Cerca de 10 mil pessoas participaram da celebração eucarística no Estádio Franso Hariri, em Erbil, capital da região autônoma do Curdistão iraquiano. Este evento reuniu o maior número de pessoas durante a viagem ao Iraque.

Na homilia, o Pontífice disse:

Aqui, no Iraque, quantos dos vossos irmãos e irmãs, amigos e concidadãos carregam as feridas da guerra e da violência, feridas visíveis e invisíveis! A tentação é responder a estes e outros fatos dolorosos com uma força humana, com uma sabedoria humana. Jesus, ao contrário, mostra-nos o caminho de Deus, aquele que Ele mesmo percorreu e por onde nos chama a segui-Lo.

O Papa Francisco ainda fez referência à segunda leitura, para afirmar como a Igreja no Iraque testemunha a misericórdia de Deus:

A Igreja no Iraque, com a graça de Deus, fez e continua a fazer muito para proclamar esta sabedoria maravilhosa da cruz, espalhando a misericórdia e o perdão de Cristo especialmente junto dos mais necessitadosMesmo no meio de grande pobreza e tantas dificuldades, muitos de vocês oferecem generosamente ajuda concreta e solidariedade aos pobres e atribulados. Esse é um dos motivos que me impeliu a vir em peregrinação até junto de vocês, ou seja, para agradecer e confirmar na fé e no testemunho. Hoje, posso ver e tocar com a mão que a Igreja no Iraque está viva, que Cristo vive e age neste seu povo santo e fiel.

Sábado, 6 de março


O segundo dia do Papa Francisco em terras iraquianas começou com o histórico encontro com o Grande Aiatolá Sayyid Ali Al-Husayni AlSistani, em sua residência em Najaf.

Segundo Matteo Bruno, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, a visita durou cerca de 45 minutos e afirma que o Santo Padre sublinhou "a importância da colaboração e da amizade entre as comunidades religiosas para que, cultivando o respeito mútuo e o diálogo, se possa contribuir para o bem do Iraque, da região, de toda a humanidade”.

Já o Escritório do Grande Aiatolá, em declaração divulgada após o encontro, informou que durante o encontro, “a discussão girou em torno dos grandes desafios que a humanidade enfrenta nesta era e o papel da fé em Deus Todo-Poderoso e em suas mensagens, e o compromisso com elevados valores morais para superá-los”.

Ao despedir-se de Al-Sistani, o Santo Padre reiterou a sua oração a Deus, Criador de todos, por um futuro de paz e fraternidade para a amada terra iraquiana, para o Médio Oriente e para todo o mundo.

A esperança, unidade e o zelo pastoral foram um dos vários temas que o Papa Francisco abordou no encontro com os bispos, religiosos e religiosas, seminaristas e catequistas na Catedral de Nossa Senhora da Salvação em Bagdá, no Iraque.

Zelo Apostólico

O Pontífice dirigiu-se aos religiosos falando sobre a esperança e o zelo apostólico:

“As carências do povo de Deus e os árduos desafios pastorais que enfrentais diariamente, agravaram-se neste tempo de pandemia. Há uma coisa, porém, que nunca deve ser bloqueada nem reduzida: o zelo apostólico, que hauris de raízes muito antigas, da presença ininterrupta da Igreja nestas terras desde os primeiros tempos”.

Aos bispos

Francisco dirigiu-se particularmente aos bispos solicitando: “Gosto de pensar no nosso ministério episcopal em termos de proximidade. De modo particular, permanecei vizinhos aos vossos sacerdotes”, pediu o Papa, ressaltando que não sejam como administradores ou gerentes, mas como pais preocupados por que os filhos.

O chamado a Cristo

“Amados sacerdotes, religiosos e religiosas, catequistas, seminaristas que vos preparais para o futuro ministério: todos vós ouvistes a voz do Senhor nos vossos corações e respondestes como o jovem Samuel: ‘Eis-me aqui’”.

Leia MaisBento XVI reza por viagem de Francisco ao Iraque e relembra renúncia O Papa pede que todos os dias sejam renovadas estas palavras para “partilhar a Boa Nova com entusiasmo e coragem”. O Pontífice ainda afirmou que quando estão servindo ao próximo com dedicação estão servindo a Jesus.

Vítimas de todas as comunidades religiosas

“Gostaria de retornar agora aos nossos irmãos e irmãs que morreram no atentado terrorista de há dez anos nesta Catedral e cuja causa de beatificação está em andamento”, disse Francisco, lembrando que as guerras e o ódio são incompatíveis com os ensinamentos religiosos: 

“Quero recordar todas as vítimas de violências e perseguições, pertencentes a qualquer comunidade religiosa”.

A riqueza dos jovens

Ao agradecer o empenho e esforço por serem operadores de paz que semeiam reconciliação e convivência fraterna, o Papa recordou dos jovens do país:

“São portadores de promessas e de esperança em toda a parte, e sobretudo neste país. Na realidade, aqui não existe apenas um patrimônio arqueológico inestimável, mas também uma riqueza incalculável para o futuro: são os jovens! São o vosso tesouro e é preciso cuidar deles, alimentando os seus sonhos, acompanhando o seu caminho, aumentando a sua esperança”.

Fonte: Com informações da Vatican News

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