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Sinodalidade

Como formar leigos e leigas para a participação?

A sinodalidade só acontece quando leigos e clero assumem juntos, práticas constantes de comunhão e responsabilidade compartilhada.

Escrito por Laís Silva

21 JAN 2026 - 15H54 (Atualizada em 21 JAN 2026 - 16H13)

Gustavo Cabral / A12

Para que a Igreja caminhe em sinodalidade é preciso que todos vivenciem uma verdadeira conversão sinodal e essa conversão não acontece de uma vez; é um processo que exige dedicação contínua, persistência e ações concretas.

Dando continuidade ao nosso ciclo de conteúdos sobre sinodalidade, este é o nosso segundo conteúdo explicativo sobre conversão sinodal e o Padre José Carlos Pereira, CP, sacerdote passionista, nos ajuda na reflexão.

Muitas iniciativas na Igreja funcionam como campanhas temporárias, que têm começo e fim; e logo são esquecidas. De acordo com o padre, esse tipo de ação traz poucos resultados duradouros. A conversão sinodal, porém, precisa ser algo constante e permanente, não apenas uma iniciativa passageira.

“Quando a Igreja alertou que precisamos estar em 'estado de missão permanente', e não apenas ser missionário no mês de outubro, ou em períodos específicos, ela estava tocando numa questão fundamental, que envolve compromisso constante e metodologia. Alguém que não é missionário o tempo todo, não é missionário. Simples assim. O mesmo ocorre com a conversão sinodal, e aí a expressão “conversão” tem todo sentido, pois uma pessoa convertida muda seus pensamentos e, consequentemente, seus procedimentos.”

Pe. José Carlos explica que quando a igreja fala de conversão sinodal ela quer chamar a atenção para a necessidade desta ação na vida do cristão, “trabalhar em todas as instâncias, das bases a hierarquia, a necessidade de se caminhar juntos”.

É preciso ser comunidade, ou como diz uma das urgências levantadas pelas Diretrizes da Ação evangelizadora da Igreja no Brasil em 2011, ser uma “Comunidade de Comunidades”.

“Não basta oferecer formação esporádica para os leigos na paróquia sobre sinodalidade ou sobre conversão sinodal se os próprios padres não se converteram para esse procedimento. É preciso ir além de uma manifestação teórica somente porque o Papa pede, porque às Diretrizes pedem, porque o Bispo pede, porque o pároco pede... É preciso ter postura sinodal em todas essas instâncias, a começar pelos Bispos, passando pelos padres, coordenadores de pastorais e, assim, sucessivamente.”

Exemplos convertem mais do que teorias

O padre comenta que não se pode exigir do leigo algo que os próprios padres não fazem, e enfatiza que “exemplos convertem mais do que teorias”. Não adianta criar um cronograma, uma formação para leigos e querer que eles vivenciem o aprendizado, se da parte dos padres as ações daquele treinamento não forem realizadas diariamente.

Formar leigos para a participação, é investimento constante! Investir em acolhimento; trabalhar o sentido de pertença; incentivar e valorizar das pessoas, sobretudo, dos seus dons e talentos. É reconhecer o trabalho dos que já atuam e abrir espaço para os que ainda não tem uma participação efetiva e afetiva.”

Uma forma de envolver e valorizar a participação do leigo e também fazer com que todos caminhem “lado a lado”, é compreender a corresponsabilidade de todos. Por parte do leigo, entender que o padre não é dono da igreja e por parte do clero, entender que o leigo pode e deve colaborar com o crescimento e fortalecimento da Igreja de Cristo.

Sem participação não há conversão. Sem conversão não há comunhão e, sem comunhão, não há sinodalidade. Tanto é que o tripé do Sínodo sobre a sinodalidade foi: Participação, Comunhão e Missão. No entanto, para que haja participação é preciso que existe algo atrativo na comunidade e esse “algo atrativo” não pode ser algo superficial, passageiro.”

Ele mencionou que a metodologia da “escuta e diálogo no espírito”, é uma ação fundamental nesta caminhada sinodal. É preciso também trabalhar o senso de pertença a Igreja, mostrar aos fiéis que a Igreja é extensão de suas casas, e que todos nós somos a Igreja.

“Fala-se em protagonismo dos leigos, mas somente no sentido de 'mão de obra'. Quando é questão de decisão, aí a maioria não participa. Essa situação faz com que tenhamos uma Igreja com 'paróquias de manutenção' ou de 'conservação', como bem trata o Documento de Aparecida. Mudar essa realidade não é tão simples como parece porque isso depende de conversão pessoal e pastoral da parte de todos, inclusive da parte de boa parte dos padres.”

O padre destaca que para uma verdadeira conversão é preciso de mudanças:

Para mudar essa cultura é preciso mudar estruturas. E para mudar estruturas é preciso mudar mentalidades. E para mudar mentalidades é preciso conversão pessoal e pastoral. Essa é a dinâmica e o processo. Daí a insistência da Igreja em tratar do tema da conversão pessoal e pastoral. As novas diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil desse ano voltam a insistir nesse tema porque ele não é algo superado. Estamos carentes de conversão pessoal e pastoral, em diversos aspectos e sentidos. Enquanto isso não ocorrer, não haverá igreja sinodal.”


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