Santo Padre

Nova encíclica de Leão XIV cita Tolkien, Platão, Frankl e mais!

Magnifica Humanitas reúne referências inesperadas da filosofia, arte e literatura para discutir verdade, dignidade humana e inteligência artificial

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Escrito por Redação A12

26 MAI 2026 - 12H09 (Atualizada em 26 MAI 2026 - 16H42)

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A primeira encíclica do pontificado do Papa Leão XIV, Magnifica humanitas (“Magnífica Humanidade”), apresenta um amplo diálogo entre fé, cultura e pensamento contemporâneo. Publicado em 15 de maio, o documento reúne referências que vão da filosofia grega à literatura fantástica, passando pela música, ciência, cinema e movimentos sociais.

O texto começou a ser escrito durante o período de descanso do Pontífice em Castel Gandolfo e foi assinado na mesma data da histórica da encíclica Rerum Novarum, marco da Doutrina Social da Igreja, escrita por Leão XIII, Papa que o inspirou a escolher o nome Leão XIV.

Ao longo das páginas, o Santo Padre cita nomes como Platão, Marie Curie, Pablo Picasso, Ludwig van Beethoven, Nelson Mandela e Steven Spielberg. A proposta é mostrar como diferentes expressões humanas ajudam a refletir sobre dignidade, verdade, fraternidade e os desafios da inteligência artificial.

Tolkien e Gandalf entram na encíclica

Uma das referências que mais chamou atenção foi a citação de J.R.R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis.

O Papa utiliza uma fala do personagem Gandalf para tratar da responsabilidade moral de cada geração diante da desumanização provocada pela lógica do poder e pelo avanço tecnológico sem critérios éticos.

“Não nos cabe, porém, reunir todas as marés do mundo, mas fazer o que estiver ao nosso alcance para ajudar os anos em que nos encontramos, erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que vierem depois de nós possam ter uma terra digna de ser cultivada.”

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A partir da frase, Leão XIV escreve:

“A civilização do amor não nasce de um único ato espetacular, mas da soma de pequenos e tenazes atos de lealdade que se erguem como um baluarte contra a desumanização.”

No documento, o Pontífice propõe cinco caminhos para a vida pública e pessoal: palavras desarmantes, justiça como caminho de paz, olhar a partir das vítimas, realismo saudável e fortalecimento do diálogo.

Beethoven, Picasso e Spielberg como sinais proféticos

Leão XIV também destaca manifestações culturais que, segundo ele, possuem “valor quase profético”. A Nona Sinfonia, de Beethoven, aparece como expressão do “desejo de unidade” entre os povos.

Guernica, de Picasso, é apresentada como denúncia artística da violência e da desumanização causada pela guerra.

O Papa ainda menciona ‘A Lista de Schindler’ de Steven Spielberg como um “convite a não deixar cair o passado no esquecimento”.

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Hannah Arendt e o risco do totalitarismo

Ao refletir sobre democracia e verdade, o documento cita Hannah Arendt e sua obra “As Origens do Totalitarismo”.

Segundo a encíclica, a perda do interesse pela verdade favorece um pragmatismo centrado apenas no que parece útil ou eficiente.

Leão XIV reproduz uma das análises mais conhecidas da filósofa:

“Aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência), nem a diferença entre verdadeiro e falso (que constituem os critérios do pensamento).”

O Papa afirma que esse processo pode levar “lenta, mas inexoravelmente” ao totalitarismo.

Viktor Frankl e o sentido da vida

Entre as referências ligadas ao sofrimento humano, aparece Viktor Frankl, sobrevivente dos campos de concentração nazistas.

Leão XIV recorda a experiência do autor de "Em Busca de Sentido" para defender que a dignidade humana permanece mesmo em cenários extremos de dor e destruição.

add_box  A Editora Ideias & Letras, ligada aos missionários redentoristas, leva muito em consideração os escritos de Viktor Frankl.

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Mulheres lembradas pelo Papa

A encíclica também destaca mulheres que contribuíram para “tornar a história mais humana”. Entre elas estão: Santa Teresa de Calcutá, Santa Laura Montoya, Dorothy Day e Elisabeth Elliot.

O texto ainda menciona figuras de fora do ambiente católico, como Marie Curie, pioneira nos estudos da radioatividade; Maria Montessori, conhecida pelo método educacional centrado na criança; e Wangari Maathai, vencedora do Nobel da Paz.

Leão XIV cita também Benazir Bhutto, primeira mulher eleita para governar um país de maioria muçulmana.

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Platão e a formação humana

Na seção dedicada à educação, o Pontífice retoma a sétima carta de Platão, escrita no século IV a.C., sobre a experiência política do filósofo em Siracusa.

A referência serve para sustentar a ideia de que educação e ética caminham juntas na construção da sociedade.

Mártires da fraternidade

A encíclica termina recordando testemunhas cristãs que viveram em contextos de perseguição e pobreza. Entre os nomes citados estão São Maximiliano Kolbe, São Óscar Romero, Enrique Angelelli e François-Xavier Nguyễn Văn Thuân.

Leão XIV os define como “mártires da fraternidade e da justiça”, capazes de testemunhar a esperança cristã mesmo em condições extremas.

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Fonte: Vatican News

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