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Tradição pelas águas: Romaria Fluvial chega à 37ª edição

Pescadores do Vale do Paraíba realizam a 37° Romaria Fluvial pelas águas do Rio Paraíba. Confira abaixo esta história de devoção e fé!

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Escrito por Vitória Victal

16 JUN 2026 - 10H05 (Atualizada em 18 JUN 2026 - 07H53)

Arquivo pessoal

A Romaria Fluvial de Canoas e Barcos dos pescadores do Vale do Paraíba chega à sua 37° edição.

A história de devoção dos pescadores brasileiros tem uma relação com a de Nossa Senhora Aparecida. Foi justamente pelas mãos de três pescadores que, em 1717, a imagem da Padroeira do Brasil foi encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul, dando origem a uma das maiores devoções do país.

:: Quem eram os pescadores da Imagem de Nossa Senhora Aparecida?

Segundo o relato do presidente da colônia de pescadores, João Paiva, a Romaria Fluvial foi  idealizada pelo pescador Tico Teodoro, que organizava pequenas romarias. Após seu falecimento, a família decidiu dar continuidade à tradição, contando com o apoio da colônia para preservar e fortalecer esse importante evento religioso e cultural.

Mais de três séculos depois, essa memória continua viva entre os pescadores do Vale do Paraíba. De acordo com o atual presidente da colônia, todos os anos, homens e mulheres que vivem da pesca renovam sua devoção à Mãe Aparecida por meio da tradicional romaria fluvial, uma peregrinação que une fé, cultura e gratidão.

“O significado desta Romaria é muito grande, pois os pescadores saem para pescar e fazem uma promessa para Nossa Senhora Aparecida e São Pedro, para que seja abençoada a pescaria. Nesta época de Romaria, os pescadores vêm agradecer pelas promessas que fizeram”, relatou João Paiva.

A figura da Mãe Aparecida representa para os pescadores um sinal de devoção e fé. Esse significado mobiliza também familiares, amigos e outros devotos que encontram na romaria Ffuvial uma oportunidade de expressar sua gratidão à Nossa Senhora.

“Essa atitude inspira não só os pescadores, mas também outros devotos de Nossa Senhora Aparecida que querem participar da Romaria, incluindo amigos, familiares e devotos. Este é o objetivo da Romaria”, contou o presidente.

Arquivo pessoal Arquivo pessoal Pescadores durante Romaria Fluvial em Aparecida

São Pedro e os pescadores

São Pedro é considerado o padroeiro dos pescadores, pois, segundo a passagem bíblica de Mateus 4,18-20, ele era pescador antes de se tornar um dos doze apóstolos de Jesus.

“E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores; E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no.” - (Mateus 4,18-20)

Neste contexto, a romaria fluvial será realizada no dia 28 de junho, véspera do Dia de São Pedro, celebrado em 29 de junho, como forma de homenagem ao padroeiro dos pescadores.

“Como a Romaria também é em homenagem ao Padroeiro dos pescadores, São Pedro, então todos os anos escolhemos e fazemos próximo ao dia 29. Neste ano, a data coincidiu com um domingo também, e assim seguimos com esta data”, explicou João Paiva.

Mais do que um trajeto pelas águas, para os participantes, é um momento de agradecimento pela proteção durante o trabalho, pelas graças alcançadas e pela intercessão de São Pedro sobre suas famílias e comunidades.

Arquivo pessoal Arquivo pessoal Pescadores durante Romaria Fluvial em Aparecida

Programação da Romaria Fluvial

Em sua 37ª edição, a Romaria Fluvial de Canoas e Barcos dos Pescadores do Vale do Paraíba será realizada no dia 28 de junho, com saída às 6h30 do Bairro Padre Eterno, em Tremembé (SP).

Comunicação/Prefeitura Pindamonhangaba Comunicação/Prefeitura Pindamonhangaba Programação da 37° Romaria Fluvial

O percurso seguirá por Pindamonhangaba com parada no Bosque da Princesa, dando continuidade pelo Rio Paraíba do Sul até a chegada no Bar do Peixe por volta das 16h, em Aparecida. Os pescadores seguirão em procissão até a Basílica, finalizando com a Santa Missa as 18h no Santuário Nacional.

O evento integra o Calendário Oficial de Tremembé e é realizado pela Colônia de Pescadores Profissionais, Z-11, “Emílio Varolli”, com apoio da Prefeitura Municipal de Tremembé, por meio da Secretaria de Turismo e Cultura.

Esta é também uma forma de preservar a identidade dos pescadores da região e manter viva uma tradição transmitida de geração em geração.

Ao percorrer o mesmo rio que marcou a história do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, os pescadores recordam suas origens e testemunham publicamente sua confiança em Deus. 

:: São Pedro, o santo que passou de pescador a Papa

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