A Romaria Fluvial de Canoas e Barcos dos pescadores do Vale do Paraíba chega a sua 37° edição. A história de devoção dos pescadores brasileiros tem uma relação com à de Nossa Senhora Aparecida. Foi justamente pelas mãos de três pescadores que, em 1717, a Imagem da Padroeira do Brasil foi encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul, dando origem a uma das maiores manifestações de fé do país.
Segundo o relato do presidente da Colônia de Pescadores, João Paiva, a Romaria Fluvial teve início há 37 anos atrás, idealizada pelo pescador Tico Teodoro, que organizava pequenas romarias. Após seu falecimento, a família decidiu dar continuidade à tradição, contando com o apoio da Colônia de Pescadores para preservar e fortalecer esse importante evento religioso e cultural.
Mais de três séculos depois, essa memória continua viva entre os pescadores do Vale do Paraíba. De acordo com o atual presidente da Colônia, todos os anos, homens e mulheres que vivem da pesca renovam sua devoção à Mãe Aparecida por meio da tradicional Romaria Fluvial de Canoas e Barcos, uma peregrinação que une fé, cultura e gratidão.
“O significado desta Romaria é muito grande, pois os pescadores saem para pescar e fazem uma promessa para Nossa Senhora Aparecida e São Pedro, para que seja abençoado a pescaria. Nesta época de Romaria os pescadores vêm agradecer pelas promessas que fizeram”, relatou.
A figura da Mãe Aparecida representa para os pescadores um sinal de devoção, confiança e fé. Esse sentimento mobiliza também familiares, amigos e outros devotos que encontram na Romaria Fluvial uma oportunidade de expressar sua gratidão à Santa Negra.
“Essa atitude inspira não só os pescadores, mas também outros devotos de Nossa Senhora Aparecida que querem participar da Romaria, incluindo amigos, familiares e devotos. Este é o objetivo da Romaria”, contou.
Pescadores durante Romaria Fluvial em Aparecida
São Pedro e os pescadores
São Pedro é considerado o padroeiro dos pescadores pois, segundo a passagem de Mateus 4,18-20 ele era pescador antes de se tornar um dos doze apóstolos de Jesus.
“E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores; ¹⁹ E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. ²⁰ Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no.” - Mateus 4,18-20
Além de sua ligação com a pesca, Pedro tornou-se uma das principais lideranças entre os apóstolos. Em outra passagem do Evangelho de Mateus, Jesus pergunta aos discípulos quem eles acreditavam que Ele era. Simão Pedro, ao responder: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, teve sua fé exaltada por Jesus e recebe a missão de ser a pedra sobre a qual a Igreja seria edificada.
Neste contexto, a Romaria Fluvial será realizada no dia 28 de junho, véspera do Dia de São Pedro, celebrado em 29 de junho, reforçando a homenagem prestada ao padroeiro dos pescadores.
“Como a Romaria também é em homenagem ao Padroeiro dos pescadores, São Pedro, então todos os anos escolhemos e fazemos próximo ao dia 29, que é o dia do Padroeiro. Neste ano, a data coincidiu com um domingo também, e assim seguimos com esta data”, explicou o presidente da Colônia.
Mais do que um trajeto pelas águas, para os participantes, é um momento de agradecimento pela proteção durante o trabalho, pelas graças alcançadas e pela intercessão de São Pedro sobre suas famílias e comunidades.
Pescadores durante Romaria Fluvial em Aparecida
A Romaria Fluvial
Em sua 37ª edição, a Romaria Fluvial reafirma a importância da fé popular como expressão da religiosidade do povo brasileiro. Neste ano, a 37ª Romaria Fluvial de Canoas e Barcos dos Pescadores do Vale do Paraíba será realizada no dia 28 de junho, com saída às 6h30 do Bairro Padre Eterno, em Tremembé.
Programação da 37° Romaria Fluvial
O percurso seguirá por Pindamonhangaba com parada no Bosque da Princesa, dando continuidade pelo Rio Paraíba do Sul até a chegada no Bar do Peixe por volta das 16h, em Aparecida. Os pescadores seguirão em procissão até a Basílica, finalizando com a Santa Missa as 18h no Santuário Nacional.
O evento integra o Calendário Oficial de Tremembé e é realizado pela Colônia de Pescadores Profissionais, Z-11, “Emílio Varolli”, com apoio da Prefeitura Municipal de Tremembé, por meio da Secretaria de Turismo e Cultura.
Esta é também uma forma de preservar a identidade dos pescadores da região e manter viva uma tradição transmitida de geração em geração. Ao percorrer o mesmo rio que marcou a história do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, os pescadores recordam suas origens e testemunham publicamente sua confiança em Deus.
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