Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Notícias Atualizada em 25 MAR 2019 - 17H18

A validade da missão popular redentorista

A experiência da pregação das Missões Populares pelos redentoristas no Brasil, já dura quase 120 anos! Ininterruptamente. Mas, mesmo assim, muitos ainda se perguntam sobre a validade das Santas Missões.

Para milhões de pessoas gratificadas pelo trabalho missionário essa pergunta nem mereceria talvez o benefício da dúvida. Os missionários sabem que, sobre esse tema, a sabedoria ou o acerto da resposta vem mais da "voz do povo" que dos estudiosos. A apreciação de quem realmente conheceu e viveu uma Missão Popular redentorista, seria francamente aprobatória. Mesmo se, um certo tempo depois, tal pessoa tivesse esquecido o seu primeiro entusiasmo.

Foto de: arquivo.

Lençóis Paulista em 1969

Há mais de um século os missionários anunciam a Copiosa Redenção.

 

Se por causa da missão, a estimativa dos valores éticos e espirituais cresceu e competiu com "outros valores", deixando marcas profundas nos indivíduos e nas comunidades, é por que a missão foi válida. Ora, isto é uma constante. 

No Brasil de maioria católica, mas de vínculos frágeis com a Igreja, somente "um terço dos católicos declaram participar regular ou assiduamente da vida da Igreja”... 

A grande porcentagem dos que estão desligados de qualquer prática religiosa católica coincide com o expressivo número dos que têm enfraquecido os laços religiosos tradicionais. “Não se identificam mais com suas devoções antigas, nem aderiram à nova orientação da Igreja" (CNBB, Diretrizes gerais da ação evangelizadora... 1995-1998, Doc. n. 54, p. 94).

Assim, na situação atual: rápida urbanização, proliferação das seitas, escassez e má distribuição do clero para assistir religiosamente às massas, a missão popular é uma forma eficiente de apostolado. E mais ainda: como instrumento útil e mesmo necessário da ação pastoral, ela readquiriu agora um conceito privilegiado, nesses anos de preparação para o Novo Milênio.

Entre as exigências de uma evangelização inculturada, proposta pelo santo Papa João Paulo II, está o "novo ardor missionário". A Evangelização será uma empreitada nova da Igreja: em seus métodos, em sua expressão e em sua mística missionária. Ardor, mística, zelo, fervor missionário, seja qual for a palavra, o cristão unido à sua Igreja, deve olhar para o século que se avizinha, com todas as suas esperanças e inquietudes, como os Apóstolos olharam o seu mundo, no dia de Pentecostes. 

Sentir-se renovado em profundidade pelo Espírito Santo e abraçar resolutamente as boas causas, as esperanças de vida e libertação, para que o anúncio de Jesus Cristo ressuscitado seja proclamado em todos os ambientes. Razão de ser das Santas Missões! 

Inquietações:

Como avaliar uma missão? Como sentir a sua influência e repercussão na cidade? Como julgar a contribuição do trabalho missionário para o nível religioso e moral da população? Talvez essas e outras indagações introduzam antes um problema de método e pesquisa. Como fazer a missão hoje! E, portanto, sua técnica de acordo com "novos métodos" e "novas expressões", adaptando-a à pedagogia da imagem e à mentalidade cultural atual.

Traçar um quadro de avaliação rigorosa exigiria do grupo missionário pesquisas metodológicas e outros elementos das ciências sociais. Plenamente válidos. O nosso tempo, porém, e as forças estão empenhadas no trabalho direto e contínuo da pregação missionária e formação das comunidades. Além disso, é próprio da missão enquanto instrumento de ação pastoral, a transitoriedade, isto é: intervir de modo passageiro na paróquia.

Foto de: arquivo. 

Procissão Luminosa em Poté (MG), em 2015

As missões motivam o ardor missionário no coração e na vida de cada cristão.

 

Após cada missão popular redentorista, nota-se no povo uma curiosidade generalizada. As pessoas querem saber dos missionários se a missão foi boa, se eles ficaram contentes... Curiosidade bairrista ou indício da preocupação despertada: viver em comunidade? Cada cidade, cada região e cada população têm a sua fisionomia própria, suas peculiaridades. As semelhanças e diferenças locais aparecem na fase preparatória e durante a Missão como tal: níveis de interesse e participação; repercussão maior ou menor nos meios de comunicação; projetos e compromissos de pós-missão dos setores e comunidades; menos apoio ou mais apoio dos párocos.

A Missão acontece normalmente ajudada por um impulso quase natural de "inculturação". Seja pela graça de Deus e o sopro do Espírito, seja porque mobiliza um grande número de voluntários que se tornam coordenadores ou auxiliares de setores. Eles e elas assumem a evangelização pré-missionária no seu bairro, no seu quarteirão, na sua rua, na sua comunidade. Quando chega o grupo missionário, a "copiosa redenção de Jesus" já ganhou espaço e corações. Cabe a ele se locomover de um lugar para outro, anunciando a Palavra (At 8,4), motivado pelo mesmo ardor do apóstolo Paulo: "Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho" (1Cor 9,16).

Pe. Antônio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. 
Aparecida - SP

 

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