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A figura de Santo Afonso Maria de Ligório

Afonso se transformou, sem dúvida alguma, num grande protagonista na história da Igreja e num dos maiores protagonistas do século XVIII em que viveu

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

11 MAI 2026 - 16H50

Gustavo Cabral

Afonso Maria de Ligório nasceu em Marianella, um distrito (Quartiere) de Nápoles onde ficava a “villa” de veraneio da Família Ligório, em 27 de setembro de 1696. Para lá eles se dirigiam, deixando seu palácio no centro da cidade para fugir do calor. E foi lá que Afonso nasceu!

Filho mais velho de uma família patrícia napolitana, aos 16 anos tornou-se doutor em Direito Civil e Eclesiástico, e aos 20 anos se estabeleceu como um brilhante advogado na ordem dos advogados napolitanos.

Marianella hoje é um bairro periférico de Nápoles, bastante populoso, e a cidade se aproxima de 2,7 milhões de habitantes.

O ponto de virada em sua vida ocorreu em 1723, quando a perda de um importante processo judicial o levou a deixar os tribunais para se tornar padre. Ordenado em 21 de dezembro de 1726, imediatamente iniciou um intenso apostolado nos bairros mais pobres do “subúrbio” de Nápoles, cidade de cerca de 230 mil habitantes, atuando com pessoas de rua e sem-teto, dedicando-se especialmente à catequese e à formação moral das pessoas mais simples.

Em vista dessa realidade, conhecendo as necessidades pastorais e espirituais das pessoas, começou a escrever, porque onde não alcançava com palavras, buscava alcançar com seus escritos.

O mais napolitano dos santos

Ao longo de sua vida de quase 91 anos, Afonso de Ligório escreveu muito, sobre temas diferentes, sempre tendo como referência a edificação da Igreja. Dezenas e dezenas de obras foram escritas, a maioria publicada pela Casa Remondini, perto de Milão, uma vez que Afonso era também exigente, buscando sempre a melhor editoria possível para suas obras que alcançaram um número extraordinário de edições. Algumas foram escritas em Pagani, para onde se transferiu após deixar a diocese de Santa Ágata dos Godos. Ali ele veio a falecer em 1º de agosto de 1787, aos 91 anos.

Homem de ampla e refinada cultura humanística e jurídica, assim como teológica e filosófica, leigo fervoroso, sacerdote dedicado à reeducação religiosa, moral e civil do povo napolitano, missionário, fundador dos Missionários Redentoristas, bispo zeloso, prolífico escritor de obras teológicas e ascéticas, pintor, poeta, músico, Afonso se transformou, sem dúvida alguma, num grande protagonista na história da Igreja e num dos maiores protagonistas do século XVIII em que viveu, ao ponto de dialogar com os simples e com os eruditos.

O mais santo dos napolitanos

Grande amigo do povo, Afonso de Ligório dedicou-se de forma particular às categorias mais humildes e desassistidas da sociedade de seu tempo, dando o máximo de si em um intenso apostolado nos bairros degradados de Nápoles. Exemplo dessa dedicação foi a organização, desde 1727, das "Capelas do Entardecer” (Capelas Serotinas), frequentadas por artesãos, comerciantes, donas de casa, gente miúda das ruas e "lazzaroni", povo comum, que se reunia ao entardecer, após o trabalho, para algum tempo de oração e catecismo.

O trabalho nas capelas se espalhou rapidamente, tornando-se uma escola de reeducação civil e moral, ao ponto de colocar as autoridades em “alerta” pelo risco que esse trabalho pioneiro trazia. Esse trabalho pastoral pioneiro e de grande atualidade faz a gente pensar no desejo do Papa Francisco de transformar a Igreja num hospital, numa tenda de campanha para se colocar ao lado dos feridos e deserdados da sociedade.

Pregação humanizante e construtiva

Ao contrário da pregação aterrorizante de sua época e do rigorismo imposto pela corrente do jansenismo, Afonso dirigia-se ao povo lembrando que todas as pessoas, independentemente de sua condição, são chamadas à santidade. Ele buscava os meios pastorais mais adequados e eficazes para ajudar as pessoas a entender a mensagem salvífica, renovando a pregação na metodologia e conteúdo, fundada na arte da oratória simples e imediata.

A pregação não tinha segredos, pois, em vez da oratória rebuscada de sua época, os sermões eram desenvolvidos de forma simples e facilmente compreensíveis usando um só argumento desenvolvido através da introdução, desenvolvimento e conclusão do tema. O caráter positivo da educação recebida dos melhores mestres em sua infância orientou Afonso para o enfrentamento dos problemas mais imediatos da vida das pessoas, tanto assim eu, depois que ele e seus companheiros deixavam uma região, após a pregação de uma missão sagrada, ai deixava um povo totalmente transformado em sua fé e em seus costumes.

Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R. Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R. Fundador da Congregação Redentorista, Santo Afonso também foi um bispo zeloso da Diocese


A saúde de Afonso, severamente comprometida pelos intensos trabalhos apostólicos, o levou a descansar em Santa Maria dei Monti, no planalto de Amalfi, a convite do Padre Andrea Pansa, onde, subindo para Scala, teve contato com camponeses e pastores privados de qualquer assistência espiritual.

A experiência junto aos cabreiros tocou o coração de Afonso, fazendo nele brotar o desejo de fundar um Instituto Religioso dedicado à evangelização dos pobres, dispersos no campo e nas aldeias rurais. Após superar dificuldades e dúvidas, em 9 de novembro de 1732, em sua amada Scala, Afonso fundou a Congregação do Santíssimo Redentor para seguir o exemplo de Jesus Cristo, anunciando a Boa Nova aos pobres.

E, passados tantos anos, estamos prestes a celebrar os 300 anos de fundação da Congregação do Santíssimo Redentor.

.:: Conheça o santo do século das luzes! ::.

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