A Igreja tradicionalmente dedica o mês de junho ao Sagrado Coração de Jesus, símbolo sublime do amor infinito com que Cristo ama toda a humanidade. Por uma longa tradição, esse mês se transforma em um tempo especial de graça, no qual os fiéis são convidados a contemplar o mistério do amor divino manifestado no Coração do Salvador, a responder com gratidão a tanto amor e a renovar sua vida cristã.
A devoção ao Sagrado Coração tem suas raízes no próprio Evangelho. Quando o soldado transpassou o lado de Jesus na cruz, jorraram sangue e água de seu coração, sinais da salvação oferecida voluntariamente à humanidade. Por essa razão, desde os primeiros séculos, os cristãos contemplavam o coração aberto de Cristo como uma fonte inesgotável de misericórdia e vida, aprendendo a recorrer a ele em suas misérias e necessidades.
Ao longo dos séculos, muitos santos aprofundaram a espiritualidade ligada ao Sagrado Coração, mas foi especialmente no século XVII que a devoção recebeu um impulso decisivo graças às revelações recebidas por Santa Margarida Maria Alacoque. Nelas, o Senhor mostrou seu coração ardendo de amor pela humanidade e, ao mesmo tempo, entristecido pela indiferença, pelas ofensas e pela ingratidão com que frequentemente era correspondido.
Dessas revelações nasceu o pedido para a criação de uma festa litúrgica especialmente dedicada ao Sagrado Coração, que depois passou a ser celebrada na sexta-feira seguinte à solenidade de Corpus Christi. Como essa festa sempre cai no mês de junho, com o passar do tempo todo, o mês foi sendo progressivamente consagrado a essa devoção especial.
Veio daí também o costume de realizar a consagração do gênero humano ao Coração de Jesus e a composição de fórmulas de oração, cantos e hinos em sua homenagem, muitos dos quais ainda hoje são entoados nas celebrações, especialmente na Primeira Sexta-Feira de cada mês.
O Sagrado Coração não pode ser visto apenas como a imagem ou o símbolo de uma devoção, ainda que tão difundida e conhecida, graças sobretudo ao Apostolado da Oração.
O coração também não pode ser contemplado fora da pessoa de Jesus, pois representa o próprio Cristo e seu amor humano e divino por cada ser humano.
Muitas imagens representam o Sagrado Coração de Jesus envolvido por uma coroa de espinhos, recordando os imensos sofrimentos que ele suportou para nossa salvação. A cruz colocada logo acima rememora o sacrifício redentor do Calvário. As chamas indicam o ardor do amor divino que nunca se apaga. A ferida aberta manifesta a misericórdia que está sempre pronta para acolher aqueles que retornam a Deus.
Contemplar o Sagrado Coração é reconhecer que Deus nos ama pessoalmente, nos procura, nos perdoa e deseja nossa felicidade eterna.
É importante que, especialmente durante este mês, cada pessoa procure formas concretas de intensificar sua vida de oração e espiritualidade. Entre elas, deve ocupar lugar central a busca de um relacionamento mais profundo com a Eucaristia, expressão do "maior amor do mundo e de todos os tempos".
Cada um deve cultivar gestos simples no cotidiano, mas profundos, que ajudem a crescer no amor por Cristo e a fazer da própria vida uma resposta concreta ao amor de Jesus.
O mês de junho convida cada pessoa a entrar no Sagrado Coração de Cristo para aprender com ele a amar a Deus e aos irmãos e irmãs. Ao contemplar o Sagrado Coração, somos levados a descobrir que o amor é o centro do Evangelho, assim como era o centro da vida e da ação salvífica de Jesus, e que toda vida cristã autêntica nasce do encontro com o amor de Cristo, que salva, consola e renova o mundo.
Mas a vida cristã, para ser autêntica, precisa ser vivida em comunidade, pois “ninguém se salva sozinho; nós nos salvamos em comunidade”.
Missionários Redentoristas Italianos
Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.
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