A vida de Conchita Barrecheguren tornou-se, nas palavras do Pe. Antonio Marrazzo, C.Ss.R., postulador geral da causa, que retornou à Casa do Pai em 26 de abril de 2026: "uma das maiores riquezas para a Igreja".
Assim como a morte de Cristo na cruz pareceu um fracasso para seus contemporâneos, esta jovem espanhola, acometida pela tuberculose aos 22 anos, nos ensina que o valor de uma pessoa não se mede pelo que ela produz, mas pela humanidade que oferece.
Maria de la Concepción del Perpetual Help Barrecheguren García nasceu em Granada em 27 de novembro de 1905, filha única de Francisco Barrecheguren e Concha García, ambos de famílias ricas e profundamente cristãs. Batizada em 8 de dezembro, Festa da Imaculada Conceição, era conhecida carinhosamente como "Conchita".
Desde a infância, sua saúde era precária. Com quase dois anos de idade, uma enterocolite aguda a levou à beira da morte. Seu pai foi rezar para Nossa Senhora de Lourdes, a quem os pais atribuíram a cura repentina da menina. A partir daquele momento, o corpo frágil de Conchita tornou-se o alicerce sobre o qual toda a sua vida espiritual foi construída.
Por volta dos doze anos, ela começou a sofrer de sérios problemas estomacais, o que a obrigou a seguir uma dieta muito rigorosa pelo resto da vida. Foi durante esse mesmo período que Conchita passou por uma fase de intensos escrúpulos de consciência.
Seu pai, um homem de grande cultura e fé, decidiu confiá-la a um diretor espiritual redentorista, o padre Ruiz Abbad, que a ajudou a superá-los. Seu vínculo com os redentoristas permaneceria constante ao longo de sua vida.
Impossibilitada de frequentar um internato, Conchita foi educada em casa. Seu pai foi seu principal educador: ele lhe ensinava as matérias escolares, o catecismo e a preparava para a Primeira Comunhão e a Crisma.
Seu dia seguia um ritmo preciso: missa matinal, estudo, tempo livre e auxílio aos empregados, a quem ela mesma ensinava o catecismo. Não era apenas devoção: era caridade vivida no cotidiano.
Conchita e seu pai, Francisco Barrecheguren, que se tornou padre redentorista após a morte da filha
Em 1924, sua mãe foi internada em um sanatório. Conchita ficou sozinha com o pai e começaram a viajar juntos. Em 1926, visitaram o santuário de Lisieux, onde é venerada Santa Teresa do Menino Jesus, com quem Conchita sentia uma profunda afinidade espiritual. Lá, ela fez um pedido singular à pequena Teresa: não pediu um milagre, não pediu uma cura. Pediu para poder morrer unida a ela, compartilhando sua doença.
A tuberculose, a mesma que matara Teresa, manifestou-se pouco depois. Conchita não a encarou como uma condenação, mas como a resposta de Deus à sua oração. Ela faleceu em 13 de maio de 1927, data que a tradição católica comemora como o aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima. Uma coincidência que não passou despercebida por aqueles que a conheciam.
A reflexão espiritual do padre Marrazzo identifica alguns pilares fundamentais na vida de Conchita, que também falam com força aos jovens de hoje.
Três verbos pontuam a vida de Conchita. Ela não "superou" o sofrimento no sentido moderno da palavra: ela o habitou, ela o transformou. A oração diária, alimentada pela Eucaristia, não é uma fuga da realidade, mas a fonte da força para lidar com a dor com dignidade, vivenciando-a como uma dádiva para os outros e um compromisso com a vontade de Deus.
A família como comunidade cristã
Seus pais nunca a fizeram sentir-se um fardo. Deram-lhe não só bens materiais, mas também tempo, conhecimento e uma fé vivida. A família Barrecheguren era uma verdadeira pequena igreja doméstica, onde o exemplo não era um esforço, mas uma convicção natural, que se manifestava na Eucaristia e na atenção diária aos outros. E o Padre Francisco ingressou na Ordem Redentorista aos 64 anos, falecendo santo: hoje é Venerável.
Conchita responde aos pais e a Deus com a docilidade de uma criança do Evangelho que sabe confiar em quem a ama. Não se trata de passividade, mas sim da capacidade de escutar profundamente, da liberdade de quem não sente necessidade de controlar tudo. Essa confiança permite que ela veja sua vida limitada não como uma prisão, mas como um espaço para doar.
Num mundo que exalta a eficiência, a visibilidade e o sucesso, a vida de Conchita é uma provocação. Ela não realizou "obras" no sentido visível da palavra. Contudo, sua reputação de santidade se espalhou imediatamente após sua morte, alcançando pessoas ao redor do mundo. O que importa não é o quanto se produz, mas sim a humanidade que se oferece e a capacidade de fazer da própria vida, mesmo limitada, mesmo com sofrimento, um presente que pode ser compartilhado.
Para a glória dos altares
O processo de beatificação de Conchita foi aberto em 1946. Em 5 de maio de 2020, o Papa Francisco proclamou Conchita Venerável. O milagre reconhecido diz respeito à cura, em 2014, de uma menina de dezesseis meses que sofria de síndrome do choque tóxico com danos em múltiplos órgãos: uma cura inexplicável atribuída à intercessão de Conchita.
Em 6 de maio de 2023, o Cardeal Marcello Semeraro presidiu a cerimônia de beatificação na Catedral de Granada. No dia seguinte, durante o Ângelus, o Papa Francisco a recordou assim: "Acamada por uma grave enfermidade, ela suportou seu sofrimento com grande fortaleza espiritual, despertando admiração e consolo em todos". Seus restos mortais repousam hoje na
Igreja Redentorista de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Granada, ao lado do Venerável Padre Francisco.
Oração
Ó Deus, que fizestes da Bem-Aventurada Maria da Conceição uma testemunha maravilhosa do mistério da Cruz de vosso Filho, concedei-nos, por sua intercessão, conformar-nos à vossa vontade na hora da provação e reconhecer-vos naqueles que sofrem, para alcançarmos plenamente os frutos da redenção.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, Deus, um só.
.:: Descubra quem são os santos e beatos redentoristas ::.
Fonte: Scala News
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