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Santo Afonso: Padroeiro dos confessores e moralistas

Saiba mais sobre legado do fundador da Congregação Redentorista e suas contribuições para uma espiritualidade baseada na misericórdia e no olhar aos mais necessitados

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

13 MAI 2026 - 10H31

Instituto Histórico Redentorista

No dia 26 de abril de 1950, acontecia a proclamação de Santo Afonso Maria de Ligório como padroeiro dos confessores e moralistas. Essa proclamação foi oficialmente confirmada pelo Santo Padre Pio XII.

A motivação dessa honraria a ele concedida e, por tabela, à sua congregação, se deve ao fato de sua vida e sua imensa obra estarem profundamente ligadas ao campo da penitência, da reconciliação e da teologia moral, que o qualificaram para esse papel.

Seu trabalho espiritual e sua atividade missionária ainda hoje inspiram coragem e abnegação no serviço da confissão e da formação moral.

Pai e mestre da misericórdia

Graças às muitas horas passadas no confessionário como missionário e até mesmo como bispo e, especialmente pela sua benignidade pastoral para com os que estavam afastados da Igreja e de Deus, Santo Afonso se tornou conhecido como um confessor extraordinariamente habilidoso, que dedicou grande atenção ao cuidado das almas e seu crescimento espiritual.

Afonso de Ligório foi um dos maiores moralistas e teólogos de seu tempo, autor de inúmeras obras, como as magistral “Teologia Moralis” escrita em 03 volumes bem fundamentados com o estudo de mais de 800 autores e 72 mil citações, que ainda hoje serve como base para a compreensão correta da moralidade católica.

Em 23 de março de 2021, o Papa Francisco dirigiu uma carta ao Superior Geral da Congregação, Pe. Michael Brehl, C.Ss.R., quando se celebrava os 150 anos da proclamação de Santo Afonso como Doutor da Igreja, na qual recorda esse fato, chamando Santo Afonso de “renovador da Teologia Moral” da Igreja. Disse o papa:

“Em 23 de março de 1871, se proclamava Santo Afonso Maria de Ligório Doutor da Igreja. Cento e cinquenta anos depois deste feliz acontecimento, a mensagem de Santo Afonso Maria de Ligório, patrono dos confessores e moralistas, e modelo para toda a Igreja em saída missionária, indica ainda com vigor o caminho para aproximar as consciências ao rosto acolhedor do Pai, porque “a salvação, que Deus nos oferece, é obra da sua misericórdia” (EG 112).

Na mesma carta, ressalta o Papa que: “a experiência missionária nas periferias existenciais do seu tempo, a busca dos afastados e a escuta das confissões, a fundação e a orientação da nascente Congregação do Santíssimo Redentor, e ainda as responsabilidades como bispo de uma Igreja particular, levaram-no a tornar se pai e mestre de misericórdia, certo de que o “paraíso de Deus é o coração do homem”.

Afonso de Ligório, mestre e patrono dos confessores e dos moralistas, ofereceu respostas construtivas aos desafios da sociedade de seu tempo, através de uma evangelização popular, indicando um estilo de teologia moral capaz de manter juntas à exigência do Evangelho e as fraquezas humanas.

O ministério da reconciliação

Segundo o escritor redentorista, Pe. Raimundo Telleria, C.Ss.R., Afonso usava uma linguagem coloquial com cada penitente. Fundado num sentimento muito próprio dos habitantes da região de Nápoles, recheado de expressões piedosas Afonso cuidava de reforçar no penitente às dores provocadas pelas suas culpas, bem como o propósito de se emendar, sem usar das ameaças de castigos divinos, tão comuns em sua época.

Diz ainda Telleria que nesse ministério de reconciliação, tinha Afonso seu estilo próprio, não muito diferente do que em tempos modernos empregava o santo cura d’Ars. A cordialidade de alma se unia ao seu gesto de espontaneidade tipicamente napolitano“Quanto mais tímido e receoso se aproximava o pecador, maior parecia sua ternura de pai que Afonso demonstrava”.

Muito do que Afonso praticava pessoalmente no confessionário, procurou incutir primeiro nos redentoristas que com ele saiam a missionar as comunidades de toda a região, e depois deixou impresso em sua obra “A Prática do Confessor”. A propósito disso falou o Papa Bento XVI:

“Aos pastores de almas e confessores, Afonso recomendava que fossem fiéis à doutrina moral católica, assumindo, ao mesmo tempo, uma atitude caritativa, compreensiva, doce, para que os penitentes se sentissem acompanhados, apoiados e incentivados em sua jornada de fé e de vida cristã. Santo Afonso não se cansava de dizer que os padres são um sinal visível da infinita misericórdia de Deus, que perdoa e ilumina a mente e o coração do pecador, para que se converta e mude de vida. Na nossa época, na qual são claros os sinais de perda da consciência moral e, Deve ser admitido, certa falta de apreço pelo Sacramento da Confissão, o ensinamento de Santo Afonso é ainda muito atual”. Papa Bento XVI - Catequese do dia 30 de março de 2011.

Já mais próximos de nós, falando aos participantes do XVII Congresso Internacional de Teologia Moral, realizado em Bogotá, Colômbia, organizado pela Fundação Universitária Santo Afonso (FUSA) dos missionários redentoristas, em 21 de agosto de 2015, o Papa Leão XIV pediu aos teólogos morais que trabalhem:

“Seguindo o exemplo sábio e sempre presente dos santos, como Santo Afonso Maria de Ligório, que soube encontrar uma síntese equilibrada entre as exigências da lei de Deus e a dinâmica da consciência e da liberdade humana, adotando uma atitude caridosa, compreensiva e paciente para com os irmãos, tornando-se assim um sinal visível da infinita misericórdia de Deus”.

Portanto, a recordação de sua proclamação como padroeiro dos confessores e moralistas destaca seu exemplo como sacerdote modelo que, com amor e sabedoria, acompanhava os fiéis no caminho da penitência.

Essa proclamação reforçou ainda o papel do confessor como pastor que protege e guia as almas rumo à santidade, protegendo assim a dignidade do ser humano contra o pecado. Sua declaração como patrono se tornou um importante reconhecimento de seu serviço e obra ao longo da vida, que até hoje influenciam o cuidado pastoral católico e a teologia moral.

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Fonte: Instituto Histórico Redentorista

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