Era noite de domingo, precisamente às 19h34, do dia 23 de novembro de 1980, quando a terra tremeu fortemente no sul da Itália.
Na sequência aconteceu um terremoto devastador, com epicentro em Irpínia, a uma profundidade de 10 km, entre as regiões da Campânia e Basilicata, no coração dos Montes Apeninos Campanos, alcançando uma magnitude de 6,9, numa escala que pode chegar até 9,9.
Devido à dificuldade de alcançar todos os locais afetados por causa dos danos sofridos pela rede elétrica e pelas comunicações, somente após alguns dias a dimensão da tragédia pode ser percebida em sua totalidade.
Ao final se perceberá que o terremoto havia deixado 280 mil deslocados, 9 mil feridos e quase 3 mil mortos.
O sismo que ficou conhecido como terremoto da Irpinia, durou apenas 90 segundos, mas devastou o sul da Itália, sendo ainda hoje considerado um dos eventos mais destrutivos do século XX no país.
Esse terremoto foi gerado por falhas de extensão (estensionali) que romperam a superfície ao longo de 40 km, no grupo do Monte Marzano e as ondas sucessivas atingiram 687 municípios, com muitos povoados destruídos, especialmente na Irpinia. Cerca de 6 milhões de pessoas sentiram o tremor.
Como a ajuda oficial demorou a chegar, relatos apontam que os primeiros socorros organizados só alcançaram algumas áreas após 48 horas, a população foi forçada a escavar as ruinas com as próprias mãos.
O atraso no socorro gerou um escândalo político, com a remoção do prefeito de Avellino, mas o terremoto marcou um ponto de virada na gestão de desastres na Itália, evidenciando a necessidade de uma Proteção Civil mais eficiente.
Comunicação redentorista dos estragos provocados pelo sismo de 1980
Na década de 1980, a internet ainda não existia, ao menos em larga escala como agora, e a própria televisão ainda não havia alcançado o potencial de hoje. Por esta razão, basicamente a comunicação era feita pelo rádio e pelos meios escritos.
Em nível de comunicação redentorista havia a Revista ORBIS, cuja primeira edição havia sido publicada em 1968. Essa revista seria substituída posteriormente pelo Boletim Communicationes e, desde 2004, pelo site ScalaNews.
Tanto a revista como o boletim que seria criado eram impressos no Departamento de Comunicação (Mecanografia) em Roma, sendo enviado à todas as Unidades da Congregação via correio.
Após o desastroso terremoto que devastou o sul da Itália para compartilhar a terrível notícia com confrades de todo o mundo, por iniciativa do Conselheiro Geral Pe. John Ruef, nasceu o Boletim de Informação "COMMUNICATIONSES".
A primeira edição teria apenas duas páginas mimeografadas, em língua francesa.
.:: A casa onde Santo Afonso nasceu ::.
Para falar da agilidade que as comunicações hoje alcançaram no interno da congregação descrevemos as informações trazidas no primeiro número do novo boletim:
Roma, terça-feira, 25 de novembro de 1980
Todos os redentoristas devem ser informados do que aconteceu com nossos confrades napolitanos durante o terremoto do último domingo em sua região. Aqui estão as informações que temos no momento.
Materdomini
Materdomini, o santuário de São Geraldo, ficava a apenas 50 quilômetros do epicentro do terremoto. O antigo convento, construído por Santo Afonso, foi completamente destruído.
Um dos confrades, o irmão Tommaso, foi soterrado sob os escombros, morrendo quase instantaneamente. Cerca de 16 horas após o desabamento do prédio, seu braço ainda era visível saindo dos escombros.
A magnitude do desastre foi tal que os socorristas só puderam focar os trabalhos de resgate dos sobreviventes. Quatro confrades ficaram presos por um tempo nos escombros, mas logo foram libertados sem ferimentos graves.
Os números mostram que na vila de Caposele houve 50 mortos. A vila próxima no vale perdeu 500 pessoas e a vila além de Materdomini sofreu com mais de mil mortes.
Em Materdomini, o telhado e a abóbada da antiga basílica desapareceram. Felizmente, o santuário e o altar de São Geraldo não sofreram danos graves. A nova igreja permaneceu ilesa.
Outras estruturas recentemente construídas, assim como o orfanato e a Casa do Peregrino, resistiram aos tremores.
Dois missionários da comunidade estavam completando a cerimônia de encerramento de uma missão em uma vila (Balvano) não muito longe de Materdomini.
Quando a terra começou a tremer, as pessoas correram em direção às saídas. Assim que passaram pelo portão principal, a fachada desabou, matando cerca de sessenta pessoas (principalmente crianças).
Os missionários e aqueles que escaparam pela sacristia não sofreram danos. Nossos confrades em Materdomini agora vivem em tendas.
Ciorani
A igreja de Ciorani, a primeira igreja da Congregação foi severamente danificada. A casa, nosso primeiro convento, sofreu danos mais leves.
Não houve baixas entre nossos confrades. No entanto, o Mosteiro da Visitação próximo desabou, matando três religiosas. A prioresa foi a última da família Sarnelli.
Outras Casas
Várias casas na província de Nápoles, com exceção da antiga igreja de Avellino, foram danificadas, mas não a ponto de precisarem ser fechadas.
Três irmãos da comunidade de Roma estavam em nossa casa em Nápoles quando o terremoto ocorreu. Um deles afirmou que o prédio estava tremendo tanto que ele mal conseguia manter o equilíbrio.
As torres do sino balançavam e por toda a cidade os sinos podiam ser ouvidos ameaçadoramente sozinhos.
Os sistemas de alarme funcionavam. Pessoas corriam gritando pelas ruas estreitas. No entanto, os efeitos do terremoto foram muito menos severos em Nápoles do que em outros lugares. Depois de passarem duas horas na rua, os Irmãos conseguiram voltar para nossa casa.
Houve mortes em vários dos lugares mencionados na vida de São Afonso: Pagani, Castellammare, Salerno, Sant'Agata dei Goti e Nocera.
“Escrevo esta mensagem 40 horas após o terremoto. Confio principalmente nos relatórios de nossos confrades e nos do vigário provincial de Nápoles. Várias linhas telefônicas estão fora do ar. Terei informações mais completas em alguns dias e enviarei um relatório mais detalhado”. John J. Ruef C.Ss.R
Depois do forte terremoto de 1980, outras regiões da Itália já sofreram terremotos de grande poder de destruição como o que aconteceu no centro do país em 2016, mas hoje as forças e os departamentos ligados à defesa civil são mais preparados e as construções mais novas são feitas, assim como acontece em outros países, com técnicas mais adaptadas para resistir aos fortes tremores.
Boletim Communicationes notificando a respeito do terremoto que atingiu comunidades redentoristas na Itália e vitimou confrades
Confira alguns registros da época
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