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Igreja de Santo Afonso: fé e história no coração de Roma

Construída no século XIX, a igreja redentorista abriga o ícone original de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e recebe milhares de peregrinos

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

17 JUN 2026 - 15H30

Gustavo Cabral

A conhecida igreja de Sant'Afonso all'Esquilino está construída sobre uma das colinas de Roma que leva esse nome, na Via Merulana, não muito distante da Basílica de Santa Maria Maior.

O grande destaque, porém, dessa igreja, conhecida pela arquitetura que a diferencia da maioria das igrejas de Roma, é o fato de abrigar o ícone original de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, cuja devoção dali se propaga para o mundo todo. O ícone original foi exposto ao público em 1866 e, desde então, são milhares as graças e bênçãos registradas por todos aqueles que o veneram.

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Seja por Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ícone dos mais conhecidos em todo o mundo, ou pela proximidade da Basílica Papal de Santa Maria Maior, que agora abriga o túmulo do Papa Francisco, a igreja recebe milhares de visitantes todos os anos. Em 2025, devido ao grande Jubileu da Esperança, foram registrados cerca de 1.242 grupos que passaram pela igreja, sem contar os muitos grupos que não se registram e as pessoas que a visitam de forma individual.

Arquitetura e informações históricas

A igreja Sant'Afonso foi construída entre 1855 e 1859 e consagrada em 3 de maio de 1859, durante o mandato do Padre Nicolau Mauron como Superior Geral. O projeto do arquiteto escocês George Wigley é um dos raros exemplos do estilo neogótico em Roma, apesar de alguns estudiosos afirmarem que sua arquitetura é "mais ostrogoda do que gótica", sem sabermos ao certo o que isso queira dizer.

Dotada de uma beleza ímpar, é tida como uma das últimas igrejas da Roma Papal, uma vez que, poucos anos depois de sua construção, em 1870, com a Unificação Italiana, os antigos Estados Pontifícios ficaram restritos ao Vaticano e a mais algumas propriedades espalhadas pela cidade.

Embora dedicada ao Santíssimo Redentor, cuja figura se apresenta na ábside do presbitério, foi erguida em homenagem a Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), fundador da Congregação dos Redentoristas, à qual pertence todo o complexo.

Gustavo Cabral Gustavo Cabral Santíssimo Redentor na ábside do presbitério

Santíssimo Redentor e Sant'Afonso na Via Merulana (Titulus Sanctissimi Redemptoris et Sancti Alfonsi in Exquiliis) é também um título cardinalício estabelecido pelo Papa João XXIII em 30 de dezembro de 1960, por meio da Constituição Apostólica Plurima Quae. Como local de culto subsidiário, a igreja é uma reitoria ligada à Paróquia Santa Maria Maior em São Vito, cuja matriz fica nas proximidades.

O primeiro cardeal titular foi Dom Joseph Elmer Ritter, entre 19 de janeiro de 1961 e 10 de junho de 1967. Depois dele veio o redentorista Dom José Clemente Maurer, de 29 de junho de 1967 a 27 de junho de 1990, sendo sucedido por Dom Anthony Joseph Bevilacqua, de 28 de junho de 1991 a 31 de janeiro de 2011. A igreja permaneceu como título vacante até 2014, quando foi nomeado Dom Vincent Nichols, atual arcebispo-emérito de Westminster, na Inglaterra, em 22 de fevereiro daquele ano.

Fachada e estilo de construção

A fachada, precedida por uma íngreme escadaria, foi construída em tijolos, com exceção dos três portais que se abrem para a parte dianteira, feitos em mármore travertino. A parte superior da nave central é ladeada por pilastras, nas quais tem início o grande arco ogival, emoldurado por um telhado em duas águas e por uma grande rosácea no centro, fechada por um belo vitral policromado.

Gustavo Cabral Gustavo Cabral Fachada da Igreja Santo Afonso, na Via Merulana, em Roma

No tímpano da porta central há um mosaico da Virgem do Perpétuo Socorro, enquanto, nos tímpanos das portas laterais, estão colocados dois baixos-relevos sobre fundo de mosaico dourado, representando Santo Afonso, à direita, e o também redentorista São Clemente M. Hofbauer (1751-1820), à esquerda.

Na cúspide do arco redondo destaca-se a estátua de mármore de Carrara do Santíssimo Redentor. Mais acima há uma magnífica rosácea em homenagem a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Para finalizar, uma cruz celta se destaca no frontão.

Na arquitetura, cúspide é o remate superior, pontiagudo ou agudo, de uma estrutura, funcionando como o ponto mais elevado de um elemento. É muito comum no estilo gótico para descrever o topo de pináculos, torres ou agulhas que terminam em forma de flecha, conferindo verticalidade e elegância ao edifício.

Já o tímpano é a superfície vertical decorativa, frequentemente triangular ou semicircular, situada sobre um portal de entrada, porta ou janela, limitada por um arco ou pelo frontão. Funciona como um importante espaço artístico para esculturas e baixos-relevos, muito comum em igrejas e templos no estilo gótico, como é o caso de nossa igreja, para transmitir mensagens religiosas.

Interior

O interior da igreja Santo Afonso conta com três naves, ricamente decoradas com mármore e mosaicos. Tudo, inclusive o piso, é adornado com mármore policromado. A decoração interna, que data do final do século XIX, conta com o grande contributo do irmão pintor bávaro redentorista Max Schmalzl (1850-1930). Há uma grande nave central e dois corredores laterais sustentados por colunas revestidas com mármore policromado. Os corredores laterais, divididos em seis capelas, preservam seis altares menores de mármore.

Os confessionários foram feitos no início do século XX pelo também redentorista Irmão Gerardo Uriati, um excelente marceneiro, segundo projeto de seu confrade, o Irmão Gerard Knockaert.

Gustavo Cabral Gustavo Cabral Os confessionários foram feitos no início do século XX pelo também redentorista Irmão Gerardo Uriati


Os armários usados para guardar as vestimentas e os objetos litúrgicos colocados na sacristia repetem a estrutura dos confessionários, embora sejam obra bem mais recente.

Os vitrais, tanto os da rosácea como os demais, são obra do frade dominicano Marcellino Leforestier. As pinturas das capelas laterais e dos arcos da nave, de autoria do irmão redentorista Maximilian Schmalzl, datam dos anos de 1898 a 1900.

No arco triunfal que delimita a área do presbitério encontra-se uma pintura do início do século XX, de Eugenio Cisterna: A Coroação da Virgem entre os Anjos e Santos Redentoristas. A inscrição em latim diz: "A Santa Mãe ressuscitou nos céus acima dos coros celestiais".

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No arco da ábside há outra inscrição em latim: "Tu nos redimiste, Senhor, em teu sangue, e fizeste de nós o reino de nosso Deus." No mosaico da ábside, O Redentor entronizado entre a Virgem e São José, executado em 1964, substituiu-se o afresco anterior.

O ícone original de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, datado do século XIV, é venerado no altar-mor, e tanto o altar quanto o presbitério passaram por uma profunda reforma em meados da década de 1990.


Gustavo Cabral Gustavo Cabral Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no altar da Igreja de Santo Afonso, em Roma

No interior, acima das três entradas, está colocado o órgão que, incorporando parte do material fônico de um instrumento anterior, fabricado por Charles Anneessens, em 1898, foi projetado e construído em 1932 pela empresa Tamburini, sendo restaurado em 1982.

Todo o corpo instrumental está colocado dentro da caixa original de madeira, em estilo neogótico, também projetada pelo irmão alemão Maximilian Schmalzl.

Apesar de sua localização em uma movimentada via, com o burburinho ocasionado pelos carros e pelos milhares de turistas que por ali passam todos os dias, o interior da igreja Sant'Afonso encanta pelo silêncio, pelo ambiente propício ao recolhimento e à oração e, acima de todas as imagens, atrai pela singeleza do venerando ícone da Mãe do Perpétuo Socorro.

.:: O Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e seu santuário ::.

Fonte: Instituto Histórico Redentorista

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