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A casa onde Santo Afonso Maria de Ligório nasceu

Da nobreza napolitana à missão entre os pobres: conheça a casa onde o fundador da Congregação do Santíssimo Redentor nasceu

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

29 ABR 2026 - 09H44 (Atualizada em 29 ABR 2026 - 10H26)

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Em Marianella, um distrito de Nápoles, a família Ligório possuía uma vila, nome dado às casas de campo, como residência de verão. Na época do forte calor ou quando desejava fugir do burburinho da cidade de Nápoles, que no século XVII tinha por volta de 250 mil habitantes, era lá que a família se refugiava.

Nesta casa, com uma parte hoje transformada em museu, mas com uma capela ao lado que atende as pessoas devotas, cuidada pelos redentoristas da Província da Europa Sul, antiga Província de Nápoles, em 27 de setembro de 1696, nasceu um dos gigantes da fé e da cultura.

Assim está registrado em sua certidão de batismo:

"No dia 29 de setembro de 1696, sábado. Alfonso Maria Antonio Giovanni Francesco Cosimo Damiano Michel Angelo Gasparro de Liguori, filho do Sr. D. Giuseppe de Liguori e da Sra. D. Catarina Anna Cavalieri Cônjuges, foi batizado por mim D. Giuseppe da paróquia principal e foi registrado por graça maior - nascido aos 27 dias do referido, 13h".

Dois dias depois, em 29 de setembro de 1696, às 13 horas, a criança nasce também para a vida de Deus, para a vida nova. Afonso seria o primogênito de oito irmãos. De tardezinha, Pe. Francisco Jerônimo, um grande amigo da família, que também seria canonizado, visitou-os.

Tomando o menino nos braços, disse as palavras que deixaram todos os presentes de olhos arregalados: “Esta criança não morrerá antes dos 90 anos. Será bispo e fará grandes coisas por Jesus Cristo”. Um silêncio profundo se seguiu a essa profecia. Depois, padre Francisco se despediu e saiu.

Seus pais pretendiam, com o nome de Afonso, reviver em seu primogênito a memória de seu avô e de seu tataravô.

Com os nomes Antonio, Francisco e Gaspar, os outros ancestrais paternos; com os nomes Cosimo e Damião, Miguel Ângelo, o dos santos celebrados no dia de seu nascimento ao mundo e seu renascimento à graça de Deus, segundo as boas práticas cristãs da época.

Finalmente, o nome da padroeira de todos os sábados do ano, presente de forma especial no sábado batismal, terá um lugar cada vez mais importante na vida desta criança que, uma vez que se tornasse bispo, não assinaria mais apenas como Afonso de Ligório, mas sim Afonso Maria de Ligório.

A Família de Afonso de Ligório

Dom José e D. Ana pertenciam a nobreza napolitana. Dom José foi marinheiro e soldado e alcançou alto grau na vida militar, como comandante supremo da frota do reinado de Nápoles.

Era muito religioso, ao ponto de doar ao filho imagens sacras que trazia em seu gabinete na nau de comando, mas era também fortemente marcado por bruscas e violentas cóleras. Pertencia mais ao mar do que à família.

De temperamento forte e rígido, aliado a uma grande severidade, soube impor rígidas regras de comportamento ao filho.

Por herança, o pai de Afonso ocupava uma das cadeiras do Conselho de Nápoles, direito que foi depois repassado para Afonso, que o renunciou em favor de seu irmão.

Dom José tinha diversos planos para Afonso. Ele planejava que o filho seria, a princípio, advogado e mais tarde poderia ser ainda juiz ou até ministro do rei.

.:: 10 mandamentos do advogado, por Santo Afonso ::.

E logo tomou todas às providencias para que seus desejos se realizassem, contratando os melhores professores de línguas toscana, latina, francesa e espanhola; contratou mestres de filosofia, matemática, física e astronomia, para que o filho estudasse em casa, como era o costume de todos os nobres.

A família de Dona Ana, por sua vez, estava voltada para o direito, profissão que Afonso mais tarde exerceria.

Contrariamente ao seu esposo, Dona Ana se destacava pela doçura e acolhimento. Filha de um ministro da Corte Suprema de Justiça, sonhava com um futuro brilhante para os filhos.

Coube-lhe cuidar da educação religiosa do filho, ensinando-lhe as orações, que Afonso anotava em um caderno.

Dona Ana teve grande influência na vida de Afonso, que certa vez declarou: “Quanto bem reconheço em mim, e se não fiz o mal na minha infância, tudo devo a solicitude de minha mãe”.

Acrescenta-se ainda que o tempo do menino Afonso era todo também ocupado com o estudo de outras ciências, pintura, música, artes e ciências jurídicas, tanto assim que aos 16 anos, diplomou-se em direito Civil e Canônico.

Tornando-se advogado, frequentava o Palácio do Tribunal de Nápoles, iniciando uma brilhante carreira que o fez muito famoso. Havia, porém, um diferencial em relação à maioria dos advogados de seu tempo: Afonso fez o propósito de ser um profissional justo, sendo que a partir desse juramento a religião e a honestidade seriam suas companheiras na profissão.

No auge do seu sucesso profissional, dedicava horas de trabalho nos estudos de processos. Mesmo assim, reservava tempo para se dedicar às confrarias às quais desde cedo se engajou e ao Hospital dos Incuráveis.

A cidade de Nápoles

Nápoles localiza-se ao sul da Itália, abrindo-se para o golfo que leva o seu nome. Da cidade podia se avistar a hoje famosa Ilha de Capri.

Saindo do centro e dos bairros mais movimentados havia as vilas como a de Marianella onde Afonso nasceu, propriedades de nobres mais abastados e de religiosos da alta hierarquia da Igreja.

No tempo dos Ligórios a cidade apresentava-se como uma colcha de retalhos, marcada por um colorido e uma diversidade social e cultural muito grande.

Na escala social havia os nobres com suas vestes vistosas, com seu poderio econômico e influência social, gastando tempo em noitadas de festas e banquetes onde a política corria solta e os casamentos eram arranjados.

.:: Santo Afonso descobre a vaidade do mundo ::.

De outro lado havia os clérigos diocesanos e os religiosos em grande quantidade e variedade, com suas vestes talares, formando um imenso batalhão.

Muitos estavam a serviço de famílias da elite social como capelães particulares. Na escala social apareciam ainda os comerciantes e os vendedores ambulantes que, com seus gritos, interpelavam os passantes expondo as suas mercadorias. Nas ruas estreitas os comércios se multiplicavam.

Se por um lado havia as casas e vilas das famílias da alta sociedade, com salões reluzindo nas festas e banquetes, por outro lado havia o burburinho dos bairros pobres, uma espécie de “sub-urbe”, com suas vielas e becos que mais tarde seriam percorridos por Afonso na formação das “Capelas Noturnas”.

Na verdade, não havia uma única cidade, mas várias cidades em uma só, porque havia a Nápoles dos marinheiros, das prostitutas, dos mendigos, dos vadios e andantes; a cidade dos escravos e da “gente miúda” que formava um contingente de mais de trinta mil pessoas.

Havia a Nápoles dos "lazzaroni", dos excluídos da vida social e eclesial. Nápoles dos escravos turcos e negros, Nápoles dos contrastes, dos doentes incuráveis, no seu grande e afamado hospital.

A cidade de Nápoles que alcançou, com o nascimento de Afonso de Ligório na Villa de Marianella, hoje conhecida como “Casa Natale”, o lugar onde a opção pelos cabreiros aconteceria de forma atualizada.

.:: Santo Afonso: o homem do equilíbrio moral ::.

Fonte: Instituto Histórico Redentorista

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