Notícias

Pe. Antonio Dressino: um Justo entre as Nações

Redentorista foi reconhecido por Israel após ajudar a salvar judeus e perseguidos na Igreja de São Joaquim durante a Segunda Guerra Mundial

Linkedin

Escrito por Redentoristas

03 JUN 2026 - 16H02

Scala News

Uma ação extraordinária de caridade para salvar pessoas perseguidas, judeus e não judeus, aconteceu em Roma, na Igreja de São Joaquim, administrada pelos Missionários Redentoristas. A história, difícil de acreditar se não houvesse testemunhas diretas, durou cerca de seis meses, entre 25 de outubro de 1943 e 7 de junho de 1944.

Gustavo Cabral Gustavo Cabral Fachada da Igreja de São Joaquim, em Roma

Os corajosos salvadores foram posteriormente declarados “Justos entre as Nações”. Entre eles, havia um missionário redentorista.

Arriscar a vida em favor do próximo

Quatro pessoas ousadas e generosas — um padre redentorista, Pe. Antonio Dressino; uma religiosa; uma engenheira; e uma estudante —, apoiadas por pessoas anônimas, arriscaram suas vidas para salvar dezenas de fugitivos: judeus, perseguidos políticos e pessoas que escapavam do recrutamento sistemático.

Num primeiro momento, alguns dos que eram caçados pelos alemães e fascistas foram recebidos na sala de cinema; outros, disfarçados de redentoristas, foram escondidos até mesmo nos aposentos dos religiosos. Mas, quando, em 2 de novembro de 1943, começaram as incursões sistemáticas de soldados alemães em igrejas e conventos, decidiu-se que eles não poderiam mais permanecer ali. Surgiu, porém, a questão: como e onde continuar escondendo e protegendo essas pessoas perseguidas?

Gustavo Cabral Gustavo Cabral Local onde os fugitivos ficaram trancados para fugir dos soldados alemães


O engenheiro Pietro Lestini, que conhecia todos os cômodos e ambientes da igreja, projetou a única solução possível para o momento: trancar todos em um espaço estreito e sem luz, entre a abóbada da igreja e o telhado. Como a decisão deveria ser tomada pelos refugiados, a maioria aceitou a ideia. E, às cinco horas do dia 3 de novembro, o fechamento em alvenaria da única porta de entrada estava pronto. Às seis e vinte da manhã, um deles escreveu em seu diário: “Trancado”.

Lá dentro, em meio a dificuldades e privações indescritíveis, viviam entre dez e quinze pessoas todos os dias, tendo como único meio de contato com o mundo exterior, e somente à noite para não serem descobertas, uma janela redonda que podia ser aberta no centro do tímpano da igreja, a 50 metros do chão. Através daquela janela passavam pessoas e coisas: comida, roupas, cartas, jornais, passatempos e até mesmo o lixo orgânico que produziam.

Gustavo Cabral Gustavo Cabral Único acesso ao mundo externo do local onde estava refugiados

Três judeus também foram salvos naquele sótão: Arrigo Finzi, que mais tarde se tornou professor em um colégio técnico de Haifa; Gilberto Finzi, que depois se tornou psiquiatra em Roma; e o jovem Leopoldo Moscati, de quinze anos.

Reconhecimento

Por causa desse trabalho caritativo e generoso, o governo israelense concedeu o título de “Justo entre as Nações” ao redentorista Pe. Antonio Dressino, pároco de São Joaquim; à Irmã Margaret Bernès (das Filhas da Caridade, cuja casa ficava em frente à igreja), responsável por fornecer comida e roupas; ao engenheiro Pietro Lestini, organizador e chefe das operações logísticas; e à estudante Giuliana Lestini, responsável pelas relações com as famílias dos refugiados romanos.

A religiosa recebeu a medalha e o diploma em 1974, em Israel. Para os outros três, as honrarias foram entregues pelo embaixador de Israel junto ao Estado Italiano, Sr. Yeyuda Millo, acompanhado da ministra-conselheira Sra. Miriam Ziv, em 17 de março de 1996, em Roma.

Gustavo Cabral Gustavo Cabral Placa colocada em memória, gratidão e exemplo

As honrarias concedidas ao Pe. Dressino foram recebidas pelo Pe. Danilo Bissacco. Já a professora Giuliana, a única ainda viva, recebeu sua honraria juntamente com a de seu pai, Pietro Lestini.

No 70º aniversário dessa história, em 25 de outubro de 2013, uma placa foi colocada no átrio da igreja: em memória, em gratidão e como exemplo.

Gustavo Cabral Gustavo Cabral Gravuras e figuras sacras riscadas durante os meses que os fugitivos ficaram no esconderijo

Na abóbada da igreja, rabiscadas a carvão nas paredes, ficaram algumas gravuras e figuras sacras, testemunho dos meses passados em silêncio e na escuridão por aqueles que tiveram suas vidas salvas graças aos gestos de pessoas corajosas e sensíveis.

.:: Conheça a cidade subterrânea de Nápoles, terra de Santo Afonso ::.

Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Carregando ...

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Redentoristas, em Notícias

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Carregando ...

Enviar por e-mail