Uma ação extraordinária de caridade para salvar pessoas perseguidas, judeus e não judeus, aconteceu em Roma, na Igreja de São Joaquim, administrada pelos Missionários Redentoristas. A história, difícil de acreditar se não houvesse testemunhas diretas, durou cerca de seis meses, entre 25 de outubro de 1943 e 7 de junho de 1944.
Fachada da Igreja de São Joaquim, em Roma
Os corajosos salvadores foram posteriormente declarados “Justos entre as Nações”. Entre eles, havia um missionário redentorista.
Arriscar a vida em favor do próximo
Quatro pessoas ousadas e generosas — um padre redentorista, Pe. Antonio Dressino; uma religiosa; uma engenheira; e uma estudante —, apoiadas por pessoas anônimas, arriscaram suas vidas para salvar dezenas de fugitivos: judeus, perseguidos políticos e pessoas que escapavam do recrutamento sistemático.
Num primeiro momento, alguns dos que eram caçados pelos alemães e fascistas foram recebidos na sala de cinema; outros, disfarçados de redentoristas, foram escondidos até mesmo nos aposentos dos religiosos. Mas, quando, em 2 de novembro de 1943, começaram as incursões sistemáticas de soldados alemães em igrejas e conventos, decidiu-se que eles não poderiam mais permanecer ali. Surgiu, porém, a questão: como e onde continuar escondendo e protegendo essas pessoas perseguidas?
Local onde os fugitivos ficaram trancados para fugir dos soldados alemães
O engenheiro Pietro Lestini, que conhecia todos os cômodos e ambientes da igreja, projetou a única solução possível para o momento: trancar todos em um espaço estreito e sem luz, entre a abóbada da igreja e o telhado. Como a decisão deveria ser tomada pelos refugiados, a maioria aceitou a ideia. E, às cinco horas do dia 3 de novembro, o fechamento em alvenaria da única porta de entrada estava pronto. Às seis e vinte da manhã, um deles escreveu em seu diário: “Trancado”.
Lá dentro, em meio a dificuldades e privações indescritíveis, viviam entre dez e quinze pessoas todos os dias, tendo como único meio de contato com o mundo exterior, e somente à noite para não serem descobertas, uma janela redonda que podia ser aberta no centro do tímpano da igreja, a 50 metros do chão. Através daquela janela passavam pessoas e coisas: comida, roupas, cartas, jornais, passatempos e até mesmo o lixo orgânico que produziam.
Único acesso ao mundo externo do local onde estava refugiados
Três judeus também foram salvos naquele sótão: Arrigo Finzi, que mais tarde se tornou professor em um colégio técnico de Haifa; Gilberto Finzi, que depois se tornou psiquiatra em Roma; e o jovem Leopoldo Moscati, de quinze anos.
Reconhecimento
Por causa desse trabalho caritativo e generoso, o governo israelense concedeu o título de “Justo entre as Nações” ao redentorista Pe. Antonio Dressino, pároco de São Joaquim; à Irmã Margaret Bernès (das Filhas da Caridade, cuja casa ficava em frente à igreja), responsável por fornecer comida e roupas; ao engenheiro Pietro Lestini, organizador e chefe das operações logísticas; e à estudante Giuliana Lestini, responsável pelas relações com as famílias dos refugiados romanos.
A religiosa recebeu a medalha e o diploma em 1974, em Israel. Para os outros três, as honrarias foram entregues pelo embaixador de Israel junto ao Estado Italiano, Sr. Yeyuda Millo, acompanhado da ministra-conselheira Sra. Miriam Ziv, em 17 de março de 1996, em Roma.
Placa colocada em memória, gratidão e exemplo
As honrarias concedidas ao Pe. Dressino foram recebidas pelo Pe. Danilo Bissacco. Já a professora Giuliana, a única ainda viva, recebeu sua honraria juntamente com a de seu pai, Pietro Lestini.
No 70º aniversário dessa história, em 25 de outubro de 2013, uma placa foi colocada no átrio da igreja: em memória, em gratidão e como exemplo.
Gravuras e figuras sacras riscadas durante os meses que os fugitivos ficaram no esconderijo
Na abóbada da igreja, rabiscadas a carvão nas paredes, ficaram algumas gravuras e figuras sacras, testemunho dos meses passados em silêncio e na escuridão por aqueles que tiveram suas vidas salvas graças aos gestos de pessoas corajosas e sensíveis.
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Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.
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