O ano era 1998. Eu morava, então, no Rio de Janeiro. Vez por outra, ia a Belo Horizonte para alguma atividade. Não havia uma vez sequer em que o Padre José Luciano Jacques Penido, C.Ss. R., ou simplesmente Penido, não tivesse uma mala bastante pesada, diga-se de passagem, para ser levada até nossa Igreja São José.
Dali, algum transporte das “Irmãs de Macaúbas”, freiras pertencentes à Ordem da Imaculada Conceição, viria para conduzir à Obra Social que elas mantinham junto ao mosteiro, na cidade mineira de Santa Luzia.
Sempre que penso em Pe. Penido, lembro-me não só do eloquente pregador, do exímio professor, do doutor jornalista e do confessor misericordioso, mas, particularmente, desse “padre das malas”, ou das caminhonetes e até caminhões que transportavam, sobretudo para sua cidade de origem, Belo Vale, também nas Minas Gerais, doações de toda espécie para o Lar de São Vicente de Paulo.
Durante décadas, isso aconteceu. Ele já beirava seus oitenta anos e, mesmo assim, tomava o ônibus na rodoviária e carregava aquela pesada mala. Depois desse período que morei no Rio de Janeiro, residindo, então, no Santuário São José, quando pela manhã eu acordava e via uma grande mala no corredor, eu dizia para mim mesmo: Pe. Penido chegou!
Pe Penido, o 1º da esquerda para a direita, junto com a primeira comunidade do Seminário da Floresta
Curiosamente, o “padre das malas” residiu em nossa Paróquia Santo Afonso, durante 51 anos, até sua partida final. Não teve de carregar malas, por ser transferido. Mesmo nos últimos meses em que esteve entre idas e vindas de hospitais, de nada reclamava, de nenhuma dor, apenas que queria voltar para casa, para o seu quarto.
As malas que vinham e iam, de um lado para outro, eram portadoras da caridade, tanto para as pobres “Irmãs de Macaúbas” como para os vicentinos de sua cidade natal. Quantos foram favorecidos pela generosidade do povo carioca que sempre esteve presente.
As malas da caridade, no entanto, nunca dispensaram a crítica da realidade. Eram famosas as pregações dominicais de Pe. Penido que, acompanhando de perto o que se passava no país e no mundo, ligavam com maestria o Evangelho e a atualidade. A voz forte, aliada à sagacidade que o caracterizava, impressionava a todos. Essas notas permaneceram até as últimas horas de sua vida.
Já acamado há meses, era comum ouvir sua voz ressoando pelos corredores do convento, pedindo “café com pão” à cuidadora que o acompanhava, assim como ao conversar ou enviar uma pequena mensagem por áudio, quando solicitado.
Pe. Penido, o 2º da esquerda para a direita, como Neo-professo
Em sua última ida à igreja, em 12 de outubro de 2025, Dia da Mãe Aparecida, uma semana antes de seu aniversário de 103 anos, ele saudou com voz potente a Comunidade que lotava o templo, na missa das 11h, e foi ovacionado de pé. Essa mesma presença de espírito, sempre muito atento, sagaz, como eu disse, manifestou-se na véspera de sua morte.
A Comunidade Redentorista reuniu-se, com a presença de alguns de nossos colaboradores, para orar pelo confrade e administrar o Sacramento da Unção dos Enfermos. Começamos a rezar e quando me dirigi a ele, dizendo que ministraria a Unção, ele, com voz firme e com a mesma acuidade, disse-me: “Mas já chegou a esse ponto?”, indicando que percebia que, talvez, a morte se aproximava.
Por fim, ao faltar um minuto para a Hora vespertina do Ângelus, Pe. Penido partiu, sem malas, “levando da vida a vida que a gente leva”, mas com a bagagem interior plena de gestos de caridade, sinalizado nas tantas malas que percorreram muitos caminhos, sempre em favor dos mais necessitados.
Clique e relembre a última entrevista do Pe. Penido ao Portal a12!
Pe. Sérgio Luiz e Silva, C.Ss.R.
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