Por Pe. Inácio Medeiros. C.Ss.R. Em Redentoristas

A Congregação Redentorista no mundo desde a sua origem até os dias atuais

Foto de: reprodução

Quadro com pioneiros da Congregação Redentorista

Santo Afonso e seus primeiros companheiros. 

A Congregação Redentorista nasceu de um grupo de jovens religiosos católicos no Reino de Nápoles, que no ano de 1732 a convite de um ex-advogado, padres missionários, Afonso de Ligório e seus companheiros, saíram da capital e começaram, como grupo, um trabalho pastoral, missionário e ambulante a serviço dos mais pobres e abandonados da região.

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Aprovados como congregação religiosa em 1749, pelo Papa Bento XIV, assumiu a Congregação - primeiro na Itália e mais tarde na Polônia, Áustria, Baviera, Suíça, França, Bélgica, Holanda, Inglaterra, Estados Unidos, Brasil etc - o trabalho das Missões Populares e o envolvimento em outras urgências pastorais, sempre quando convocados pela Igreja. A Europa e também as Américas eram marcadas naqueles tempos pela primeira onda de secularização e pelas lutas liberais que nos vários países e continentes tiveram sua forma especifica.

Na Áustria, asfixiava o regalismo e racionalismo do imperador José II a vida do povo católico, por inúmeras prescrições e por um controle policial total. Na França, houve primeiro um tempo violento da revolução sangrenta de 1789 e depois o tempo da atuação de Napoleão Bonaparte. Pelas guerras ele espalhou os ideais da Revolução Francesa por toda a Europa e deu seu estatuto legal pelas novas legislações leigas, antirreligiosas e anticlericais. A chegada dos Redentoristas ao norte dos Alpes se deu justamente naqueles tempos de mudanças. Os mais velhos que ainda têm a lembrança das perseguições do tempo do nazismo e do comunismo, podem fazer uma ideia das dificuldades encontradas pelos primeiros Redentoristas.

Foto de: reprodução.

Sao Clemente

São Clemente Maria Hofbauer. 

Duas pessoas marcaram pela sua apostolicidade e fé a travessia da congregação pelas perseguições, tanto na Áustria como na Polônia e Alemanha dos anos 1785 até 1820. Eram os Padres Clemente Maria Hofbauer e Jose Armando Passerat. Expulsos de quase todos os países da Europa Central controlados pela polícia da Áustria e da França, vagaram os dois de uma fundação para outra encontrando somente depois da queda de Napoleão e do Congresso de Viena em 1815 possibilidade de fundações estáveis. A primeira fundação permitida na Áustria aconteceu em 1820 pouco tempo depois da morte de São Clemente Maria Hofbauer.

Era o tempo em que a tentativa de RESTAURAÇÃO do antigo regime político e religioso estava em andamento. Os Redentoristas entraram então numa Europa já diferente: As Igrejas tinham perdido seus privilégios por causa das legislações leigas e a separação de Igrejas e Estado; o racionalismo e o jansenismo tinham matado o fervor religioso no meio de boa parte do povo cristão e as perseguições e guerras intermináveis tinham interrompido a vida religiosa normal. Foi nesta situação que os Redentoristas e outros religiosos e religiosas preencheram os vazios e ajudaram de modo especial entre os anos 1820 e 1850 a muitas Igrejas locais retomar sua vida religiosa tradicional.

Foto de: reprodução.

Joseph A. Passerat

Pe. Jose Armando Passerat.

Os escritores distinguiram duas vertentes missionárias dentro do avanço Redentorista no mundo. Os que seguiram mais a linha missionária devota de Clemente Maria Hofbauer (Áustria e Alemanha) e outros que seguiam mais a linha ascética missionária do Pe. José Armando Passerat (Bélgica, Holanda, França). O novo religioso que os Redentoristas trouxeram era seu estilo popular de organizar a vida religiosa do povo católico e uma marca de BENIGNIDADE MORAL e PASTORAL que ajudou o povo a se libertar, aos poucos, dos excessos do rigorismo moral e do Jansenismo. Em termos de tendências culturais e religiosas, pode-se dizer que os Redentoristas participavam da reação romântica pietista contra o iluminismo e rigorismo da Europa de então.

É impressionante como os Redentoristas se espalharam em pouco tempo pela Europa e pelo mundo inteiro, incluindo também a América do Sul e o Brasil. Espalhada a partir de 1820 pelo mundo inteiro em quase todos os continentes chegou a Congregação Redentorista em 1960 a ter 8.700 membros.

Nos 20 anos subsequentes, sob pressão dos tempos modernos agressivos a religiosos entraram quase todas as instituições religiosas e também a Congregação Redentorista em crise e diminuíram em número. O número dos membros da Congregação Redentorista decresceu no ano de 1997, chegando a 5.664 membros. Nos anos subsequentes, porém este número se estabilizou e agora começa um processo de reação graças às vocações que chegam das Américas, África e Ásia.

Quando se faz a pergunta: Porque entre 1820 e 1960 este crescimento foi impressionante e depois, de uma sé vez, esta quebra? É relativamente fácil responder a primeira parte da pergunta. Nestes anos a Congregação estava em todos os países onde funcionava atendendo a uma necessidade sentida por todos. Nos tempos posteriores estas necessidades não existiam mais ou não eram mais sentidas da mesma forma. Para a segunda parte da pergunta que trata da mudança abrupta, não se encontra uma resposta tão simples. O mais fácil é constatar que a partir dos anos 70 se deu mais uma onda de secularização, desta vez atingindo quase o mundo inteiro. Na China recebeu esta onda o nome de Revolução Cultural, na América do Norte teve a onda seu ponto culminante em Woodstock com a revolução sexual e na França aconteceu o levantamento estudantil de 1968, que fez a Europa toda tremer nas suas bases.

 

"Hoje a Congregação Redentorista, bem como toda a Vida Religiosa Consagrada se impulsiona novamente por ideais de renovação e reorganização que nós chamamos de Refundação".

Em pouco tempo se deram tantas mudanças nos corações e nas mentes das pessoas que também a paisagem religiosa mudou. Tempos depois a participação do povo católico nas atividades de Igreja diminuiu nos países da Europa de 75% para 25% ou menos. Mudou também a sensibilidade das pessoas pelo religioso em geral e pelas formas redentoristas de pastoral. Usando uma linguagem mais comercial, pode se dizer que o mercado religioso mudou quantitativa e qualitativamente ou até, em alguns casos, desapareceu. O Concílio Vaticano II que nasceu sob o impacto desta situação, tentou colocar a Igreja Católica em clima de adaptação e encaminhou muitos aspectos da vida da Igreja em novas direções, mas não conseguiu inverter totalmente esta maré secularizante.

Um dos pontos de renovação foi o abandono de muitas formas de quase coação religiosa e rigorismo na organização da vida religiosa do povo cristão. Este novo encaminhamento da vida cristã se projetou também sobre as congregações religiosas e sobre as congregações missionárias, como a Redentorista. Alguém só deve pertencer a uma congregação religiosa, quando tem condições de assumir a vocação. Quando no meio do caminho fica claro que houve mudança, os compromissos assumidos podem ser adaptados. Parece que houve nas unidades Redentoristas do mundo inteiro daquele tempo um bom número de pessoas nesta situação. Talvez seja esta uma pista para entender a diminuição abrupta daqueles anos.

Hoje a Congregação Redentorista, bem como toda a Vida Religiosa Consagrada se impulsiona novamente por ideais de renovação e reorganização que nós chamamos de Refundação. Trata-se da busca constante do reencantamento pelo amor primeiro. A partir do Papa Francisco e de seus encanamentos busca a congregação renovar os seus ideais missionários para ser, de fato, “uma Igreja em saída”.

 

Pe. Inácio Medeiros. C.Ss.R.
Vice-provincial

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