A história dos Missionários Redentoristas na Romênia a partir de 1815 representa uma das primeiras e mais desafiadoras tentativas de expansão da Congregação Redentorista para além dos Alpes e da Itália. Essa expansão esteve diretamente ligada à liderança de São Clemente Maria Hofbauer, então Vigário Geral Transalpino.
A iniciativa fazia parte das tentativas de São Clemente Maria Hofbauer de reconstruir comunidades redentoristas estáveis após a dispersão de São Beno. Os missionários haviam recebido a promessa de uma casa e uma escola em Bucareste. A realidade era muito mais difícil: o bispo não conseguiu garantir um local adequado para a vida comum, enquanto a instabilidade política, doenças, dificuldades pessoais e o fechamento da escola enfraqueceram progressivamente a missão que terminou em 1822.
O contexto e a fundação (1815–1821)
Após a expulsão dos redentoristas de Varsóvia por Napoleão Bonaparte em 1808, São Clemente concentrou seus esforços em Viena, na Áustria. A partir dali, buscou novos territórios para estabelecer comunidades, continuando o trabalho missionário.
Por volta de 1815, decidiram aceitar o convite feito da parte do Vigário Apostólico, abrindo uma frente missionária em Bucareste, capital da Romênia e em Valáquia, região histórica situada no sul do país.
A Igreja Católica na Valáquia sofria com uma crônica escassez de sacerdotes e precária infraestrutura de atendimento. Quando os primeiros redentoristas enviados por São Clemente chegaram a Bucareste, a liderança católica local recebeu com alegria o auxílio providencial. Os redentoristas assumiram imediatamente paróquias e postos de missão que estavam abandonados ou sobrecarregados.
O Envio de Missionários
Para essa frente de trabalho na Romênia, foram enviados alguns membros do grupo germânico-austríaco como o Pe. Franz Xaver Haetscher, que se uniu à fundação em Bucareste e ali foi ordenado sacerdote em 23 de janeiro de 1816.
Depois de alguns preparativos, no dia 7 de outubro de 1815, quatro redentoristas partiram de Viena rumo à Romênia para a missão da Valáquia: Pe. Joseph Forthuber, os clérigos Franz Hätscher e Joseph Libotzky, e o Irmão Matthias Widhalm. Eles viajavam com Fortunato Ercolani, um Passionista e bispo de Nicópolis, que também era administrador apostólico da Valáquia.
Como os primeiros redentoristas da missão transalpina eram de origem austríaca e alemã, conseguiram estabelecer uma imediata conexão cultural e linguística com os católicos de língua alemã e húngara estabelecidos em Bucareste, oferecendo a celebração de missas, catequese e confissões nos idiomas nativos desses imigrantes.
Passada a fase inicial, a missão começou a enfrentar as primeiras dificuldades, fruto do complexo cenário político e religioso que levaria à abreviação de sua duração. Além das precárias condições de habitação e trabalho, vieram as pressões externas devido à instabilidade política na região dos Balcãs, incluindo as tensões que antecederam a Guerra de Independência da Grécia e algumas revoltas locais, colocando em risco a vida dos missionários. Com isso, a fundação foi oficialmente abandonada em 1821, depois de apenas seis anos.
Apesar de ter durado poucos anos (1815–1821), a Romênia, juntamente com a Suíça, abrigou as únicas fundações criadas diretamente por São Clemente no difícil período de trabalho anterior a sua morte em 1820.
Desdobramentos posteriores
A Romênia daquela época era predominantemente cristã ortodoxa, estando sob forte influência política do Império Otomano. A comunidade católica local era pequena, fragmentada e composta majoritariamente por minorias étnicas como alemães, austríacos, húngaros e italianos.
A identificação e a dependência que a comunidade católica desenvolveu em relação ao trabalho missionário dos redentoristas fez com que o fim da missão se tornasse ainda mais doloroso. Sem garantias de segurança e sob forte pressão política, os redentoristas foram forçados a fechar a fundação, voltando para Viena, deixando a comunidade católica local novamente desamparada até o retorno de algumas ordens missionárias décadas mais tarde.
Mais tarde, com a aprovação do imperador da Áustria em abril de 1820, após a morte de São Clemente e sob a liderança de seu sucessor Pe. José Amando Passerat, o ímpeto missionário gerado por aquela geração foi redirecionado. Missionários que ganharam experiência nas duras missões do leste europeu integraram o primeiro grupo de redentoristas enviado para a América do Norte na década de 1830.
Pe. Franz Xavier Haetscher
O Pe. Franz Xaver Haetscher, C.Ss.R., (1784–1863), foi uma das figuras centrais da primeira geração de redentoristas transalpinos. Discípulo direto de São Clemente Maria Hofbauer, ele se destacou por seu espírito pioneiro e resiliente em missões complexas pela Europa Oriental e na América do Norte.
Nascido em 1784, na Áustria, se uniu à congregação em Viena motivado pelo carisma de São Clemente Maria Hofbauer que, ao decidir enviar uma frente missionária experimental para a Romênia, designou Haetscher para compor o grupo. Enviado ainda como estudante, ali, completou seus estudos teológicos em condições adversas, sendo ordenado sacerdote em 23 de janeiro de 1816.
O neossacerdote permaneceu na região trabalhando com a população católica local até 1821, quando o recrudescimento das tensões políticas nos Balcãs forçou o fechamento da fundação.
Após retornar a Viena com o fim da missão, Pe. Haetscher continuou seu ministério na Europa Central enfrentando os constantes decretos de expulsão e perseguições políticas que afetavam as ordens religiosas da época.
O sonho de São Clemente de expandir a congregação para além-mar foi realizado por seu sucessor, José Amando Passerat e em 1832, Pe. Haetscher integrou o primeiro grupo de missionários enviado aos Estados Unidos.
Durante os cinco anos em que trabalhou na América do Norte, atuou intensamente no atendimento espiritual dos imigrantes europeus, especialmente alemães, e das comunidades nativas em estados como Ohio, Michigan e Nova York. Sua dedicação permitiu o lançamento de fundações que possibilitaram o crescimento da congregação no continente americano.
Após cumprir sua jornada missionária no Novo Mundo, retornou à Áustria, passando o restante de seus dias atuando em missões populares e na consolidação de novas províncias redentoristas na Europa Central, onde faleceu em 1863, aos 79 anos, deixando um legado de profunda obediência e coragem apostólica.
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