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25 anos da beatificação do Beato Domingos Metódio Trcka

Conheça a trajetória do sacerdote redentorista perseguido na Tchecoslováquia e permaneceu fiel à Igreja até sua morte na prisão, em 1959

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

03 NOV 2026 - 14H18

Reprodução

No dia 04 de novembro de 2001, numa Praça de São Pedro repleta de fiéis o Papa João Paulo II beatificava o sacerdote redentorista de rito oriental, Metódio Domingos Trcka, mártir da fé na Eslováquia. A partir de então sua memória litúrgica passou a ser celebrada todo dia 25 de agosto.

"Methodius Dominik Trcka colocou toda sua vida a serviço da causa do Evangelho e da salvação de seus irmãos e irmãs, até mesmo com o supremo sacrifício de sua vida. Com a chegada do regime comunista, foi levado, como outros irmãos redentoristas, para o campo de concentração. Lá, sempre sustentado pela oração, enfrentou com força e determinação os sofrimentos e humilhações que lhe foram impostos em nome do Evangelho."

Papa João Paulo II – Homilia da Cerimônia de Beatificação

Uma vida a serviço do evangelho

A cerimônia de beatificação de Domingos Metódio Trčka (Metod Dominik Trčka) presidida pelo Papa João Paulo II o tornou reconhecido oficialmente pela Igreja Católica como um mártir da fé.

Junto com ele foi beatificado o bispo e também mártir Pavel Peter Gojdic, com quem partilhou uma história semelhante de perseguição sob o regime comunista na antiga Tchecoslováquia e outros Bem-Aventurados.

Durante a celebração, o papa destacou seu percurso de fidelidade e de sacrifício, ressaltando que ele colocou sua vida inteira ao serviço do Evangelho e da salvação do próximo, enfrentando os sofrimentos da prisão e da tortura sem renegar sua ligação com a Igreja e com o sucessor de Pedro.

No decreto de beatificação, ficou estabelecido que a partir de então, sua memória litúrgica seria celebrada anualmente no dia 25 de agosto, data que coincide com o dia em que professou seus primeiros votos religiosos na Congregação Redentorista em 1904.

O ato de sua beatificação também representou uma reparação histórica e espiritual para a Igreja Greco-Católica e para as comunidades religiosas que sofreram forte opressão e tentativas de desmantelamento durante o período comunista na Europa do Leste.

O comunismo na Tchecoslováquia durou de 25 de fevereiro de 1948, período pós-Segunda Guerra Mundial, quando o país forçadamente integrou a chamada “Cortina de Ferro” ou Pacto de Varsóvia, até 29 de dezembro de 1989.

O Regime Comunista e a Igreja

A pressão do regime comunista implantado na Tchecolosváquia agiu duramente contra a Igreja. O Padre Metódio Tricka, como superior dos Redentoristas Greco-Católicos, foi um dos que mais sentiu seus efeitos. O trabalho com a juventude e com os futuros missionários redentoristas em Michalovice foi abolido e uma revista muito popular dos redentoristas foi suprimida.

A própria vice-província foi também dissolvida pelo regime comunista e os redentoristas greco-católicos foram forçados a se mudar para a vice-província dos redentoristas de rito latino que também sofreram perseguições.

A princípio, Pe. Metódio Trcka foi obrigado a deixar Michalovce, se estabelecendo em Sabinov, onde continuou a guiar secretamente os membros da vice-província. Essa situação durou até a noite de 13 de abril de 1950, quando o governo comunista tcheco suprimiu todas as comunidades religiosas do país.

Naquele dia, por volta das onze horas da noite, um forte barulho foi ouvido diante do convento redentorista. Quando o Irmão Nikifor abriu a porta do convento, viu à sua frente o grupo enviado para invadir a comunidade redentorista de Sabinov.

Padre Trcka e o Irmão Nikifor foram conduzidos forçadamente para Podoline. Os oficiais do regime alegaram a seus superiores que haviam encontrado material comprometedor com os redentoristas.

Uma das acusações que pesou contra Padre Metódio foi a “tentativa de fuga para o exterior com um passaporte falso”.

Padre Metódio foi então condenado em um julgamento muito severo a 12 anos de prisão, recebendo essa condenação com calma e confiança em Deus que dá a cruz, mas também concede a força necessária para suportá-la.

Martírio: interrogatórios, prisão e maus-tratos

Padre Metódio foi levado a Podoline onde ficou pouco tempo, conduzido depois para Leopoldov e de lá para Bac. Entre maio e junho de 1950, cinco dos padres aprisionados com ele foram jogados na terrível prisão de Leopoldov.

Na prisão, sofreram por quase 40 dias, submetidos a terríveis interrogatórios dia e noite, com a aplicação dos mais terríveis métodos psíquicos e físicos de tortura. Um redentorista não sabia o que acontecia com o outro.

Depois de 40 dias foram transferidos com outros prisioneiros para um campo de confinamento, primeiro em Bac e depois em Podolinec.

Padre Metódio manteve a serenidade e bom humor, apesar de tantos castigos, se alegrando muito quando recebia a visita de algum confrade, dividindo com eles o pouco que recebia. Apesar disso, os prisioneiros religiosos viviam sob uma constante pressão psíquica, na incerteza do que lhes aconteceria no dia seguinte.

Depois, Padre Metódio foi conduzido a um tribunal em 21 de abril de 1952, colocado diante do promotor do Estado que o acusou de colaboração com o bispo diocesano para disseminar suas cartas pastorais ilegais contra o Estado e de enviar informações secretas por meio de seus superiores em Praga para Roma.

Sem poder se defender, foi condenado por alta traição e espionagem política. Considerando seu grau de periculosidade foi sentenciado a prisão e trabalhos forçados, além de ter de pagar uma pesada multa por sentenças menores.

A partir daí começou seu longo calvário de sofrimento, que terminou com seu martírio. Depois da sentença foi levado para a prisão de Llava, ocupando a cela de número 2535, onde a vida era muito dura, especialmente para os idosos. Padre Metódio Trcka foi colocado no grupo dos prisioneiros mais fracos, pois sua saúde e idade não lhes permitiam trabalhar plenamente.

A força para suportar tanta perseguição e tortura vinha da eucaristia que ele celebrava às escondidas na prisão, com aquilo que era enviado por um sobrinho. Disfarçadamente, usando como que uma linguagem codificada, Padre Metódio pedia o que precisava para celebrar a santa missa às escondidas em sua cela.

No dia 22 de abril de 1958, novamente foi transferido para a prisão de Leopoldov onde estavam outros 18 padres, dos quais cinco eram idosos e doentes. Na véspera do Natal de 1958, simplesmente, por ter cantado uma canção de natal, foi confinado em uma cela de punição e isolamento.

Lá, contraiu uma grave pneumonia, que o levaria à morte em 23 de março de 1959, impedido que foi de receber cuidados médicos em um hospital. No dia seguinte foi sepultado no cemitério da prisão por um dos guardas, sem nenhum serviço religioso.

Após a restauração da Igreja Greco-Católica em 1968, ano do movimento conhecido como “Primavera de Praga”, os redentoristas solicitaram, mas em vão, a transferência de seus restos mortais para Michalovice.

Em 1990, com a queda do regime comunista, Padre Metódio Trcka foi reabilitado pelo tribunal regional de Kosice, e com isso, a culpa do Estado por sua prisão injusta e condenação e morte foi oficialmente reconhecida.

Com a abertura do processo de beatificação, sem a necessidade de comprovação de um milagre e sim da heroicidade de sua fé, os seus restos mortais foram transladados para a igreja do Espírito Santo, chegando depois o dia de sua beatificação, momento de graças e bênçãos para a sua província, para a Congregação Redentorista e para toda a Igreja.

Leia também: Beatos Ucranianos Redentoristas

Fonte: Instituto Histórico Redentorista

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