Ao comunicar seu amor ao mundo para levar todos a participarem de sua vida, o Pai envia seu Filho (Jo-3,16). Toda a história da Salvação se resume em seu desígnio de amor de nos visitar e estabelecer conosco uma aliança de comunhão, através de seu povo, com toda a terra. Assim se realiza seu desígnio de estabelecer um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1).
Essa comunicação de amor trouxe alegria a todos os que a receberam: Zacarias canta maravilhado: “Bendito seja o Senhor Deus de Israel porque visitou e redimiu o seu povo... Graças ao misericordioso coração de nosso Deus pelo qual nos visita o Astro das alturas” (Lc -1,68.78).
Diante de milagres de Jesus crescia a consciência do povo que Deus o visitava, como lemos na ressurreição do jovem de Naim: “Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo” (Lc 7,16).
O Ícone da Mãe do Perpétuo Socorro é a representação dessa permanente visita de Deus. Deus vem ao nosso encontro em seu Filho, apresentado pela Mãe que O acolheu em seu seio e agora no-Lo entrega. Jesus, apresentado em seu mistério Pascal, vem ao nosso encontro numa visita de misericórdia na kénosis de seu mistério de Encarnação (Fl 2,6ss).
O Ícone é uma janela aberta no céu, pela qual Deus vem a nós e nos fala como filhos amados. Retoma as palavras de João no Apocalipse: “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3,20). É a voz do amado (Ct 2,8). Palpita nosso coração pelo amor que se nos manifesta.
Essa visita é como a visita de Maria a Isabel, trazendo Jesus em seu seio para dar o Espírito a João. Ela é pneumatófora (Aquela que leva o Espírito Santo). O Espírito que nos é dado realiza em nós a abertura ao mistério da Salvação. Maria ao apresentar Jesus coloca-nos em diálogo de Salvação.
O primeiro momento da espiritualidade é o espanto diante da maravilhosa iniciativa de Deus e sacro temor que O acolhe reverente.
Entramos na exigência de tirar as sandálias porque estamos em um lugar sagrado (Ex 3,5). O despojamento e esvaziamento abrem espaço para que Deus nos visite. Portanto, despojar-se é condição necessária para acolher a espiritualidade do ícone. É preciso que sejamos despojados para viver essa espiritualidade. Com ele podemos compreender o que Deus quer falar através de seu Filho apresentado por sua Mãe. É a atitude permanente de Jesus que está sempre despojado para que o Pai lhe fale.
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